OBCC - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/projetos/institucional/observatorio-crise Observatório Brasileiro de Comunicação e Crise Sat, 04 Apr 2026 12:41:17 +0000 pt-BR hourly 1 http://wordpress.org/?v=6.9 /app/themes/ufsm/images/icons/favicon.ico OBCC - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/projetos/institucional/observatorio-crise 32 32 OBCC - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/projetos/institucional/observatorio-crise/2026/03/26/edelman-trust-barometer-2026-revela-crise-da-insularidade-7-em-cada-10-brasileiros-hesitam-em-confiar-em-quem-e-diferente Thu, 26 Mar 2026 13:12:53 +0000 http://www.55bet-pro.com/projetos/institucional/observatorio-crise/?p=600

O Edelman Trust Barometer 2026 revela uma sociedade marcada pela insularidade, sentimento caracterizado pelo desinteresse e desconfiança de pessoas com ideias e princípios alheios aos seus. No Brasil, em média, sete em cada 10 entrevistados hesitam ou estão pouco dispostos a confiar em alguém com valores, fontes de informação, abordagens para problemas sociais ou origens diferentes dos seus. À medida que a ansiedade econômica, as tensões geopolíticas e as transformações tecnológicas se intensificam, os indivíduos tendem a se fechar em círculos mais próximos, desconfiando de grandes instituições e buscando segurança em ambientes familiares.

No Brasil, meu empregador (80% entre os empregados) e empresas (67% entre a população geral) continuam sendo as únicas instituições confiáveis. Em 2026, a mídia não é mais desconfiada e passa para o patamar da neutralidade (52%), ao lado das ONGs (58%), enquanto o governo segue como a única instituição não confiável (45%). No índice geral (média da porcentagem da confiança em empresas, governo, mídia e ONGs), o país permanece na faixa da neutralidade (56).

O avanço da insularidade fortalece o nacionalismo, tornando mais difícil para multinacionais competirem com empresas locais. No Brasil, empresas nacionais são 7 pontos mais confiáveis do que as estrangeiras, e 25% dos brasileiros apoiariam a redução do número de empresas estrangeiras atuando no país, mesmo que isso significasse preços mais altos.

“Esse movimento do “nós” para o “eu” não é novo. Para se proteger do medo, as pessoas estão se retraindo, se encolhendo, e evitam o diálogo, deixando de ouvir perspectivas divergentes e de aprender com o diferente”, afirma Ana Julião, Gerente Geral da Edelman Brasil.

As tensões geopolíticas também impactam diretamente o ambiente de trabalho. No Brasil, 71% dos empregados dizem estar preocupados com os efeitos de conflitos comerciais e tarifas sobre suas empresas, enquanto 74% temem perder o emprego diante de uma possível recessão, ambos atingindo níveis recordes. Esse cenário também afeta as relações dentro das empresas. Quarenta e um por cento dos empregados brasileiros afirmam que prefeririam mudar de departamento a reportar para um gestor com valores diferentes dos seus, enquanto 28% dizem que se esforçariam menos em um projeto liderado por alguém com crenças políticas distintas.

Para combater a insularidade, o Edelman Trust Barometer 2026 apresenta o conceito de brokering de confiança – um conjunto de práticas e comportamentos que buscam facilitar a construção de confiança entre pessoas e grupos com visões diferentes. Esse
papel pode ser exercido por indivíduos, empresas ou organizações confiáveis por grupos distintos envolvidos em um mesmo problema.

No Brasil, 79% dos entrevistados acreditam que o governo tem grande responsabilidade em promover essa mediação, mas apenas 30% consideram que ele desempenha bem esse papel. Já a figura do meu empregador surge como a instituição mais bem posicionada para promover a construção de confiança: 70% dos empregados no país acreditam que eles têm obrigação de reduzir as divisões e facilitar a construção da confiança entre grupos distintos, e 47% acreditam que eles estejam cumprindo esse papel de forma eficaz.

 

Outros achados do Edelman Trust Barometer 2026:

Divisão de classe afeta a confiança: no Brasil, a diferença de confiança institucional entre grupos de alta e baixa renda é de 9 pontos – com índice de confiança de 62 entre os de renda alta e 53 entre os de renda baixa. Pela primeira vez desde 2012, nenhum dos grupos demonstra desconfiança generalizada nas instituições.

Países em desenvolvimento lideram em confiança: enquanto a confiança permanece estável em países desenvolvidos, ela cresce nas economias emergentes. Em 2026, o Índice de Confiança é de 66 nos países em desenvolvimento, contra 49 nos desenvolvidos.

Otimismo sobre o futuro permanece baixo: apenas 30% dos brasileiros acreditam que a próxima geração estará em uma situação melhor no futuro.

A preocupação com desinformação cresce: Sessenta e nove por cento dos brasileiros temem que outros países estejam espalhando propositalmente informações falsas na mídia nacional para intensificar divisões internas.

A exposição a diferentes visões políticas está diminuindo. Apenas 44% dos brasileiros respondentes dizem interagir pelo menos uma vez na semana com fontes que têm inclinação política diferente da sua, com uma queda significativa de 8 pontos em comparação com o ano passado.

Entre aqueles com mentalidade insular, a confiança se concentra em relações próximas: entre pessoas com mentalidade insular, apenas “meu CEO” é visto como confiável (65% entre os empregados). CEOs em geral (52% entre a população em geral) e vizinhos (50%) aparecem no patamar da neutralidade, enquanto jornalistas (49%) e autoridades governamentais (37%) não são confiáveis.

 

[caption id="attachment_601" align="aligncenter" width="1019"] Características da realidade ao longo de 20 anos.[/caption]


Sobre o Edelman Trust Barometer 

O Edelman Trust Barometer 2026 é a 26ª edição da pesquisa anual de confiança desenvolvida pela Edelman. O estudo foi produzido pelo Edelman Trust Institute e consistiu em entrevistas online de 30 minutos, conduzidas entre 23 de outubro e 18 de
novembro de 2025. A pesquisa contou com mais de 33.000 respondentes, em 28 países.

Leia o relatório completo.

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O Observatório Brasileiro de Comunicação e Crise (OBCC) destaca o lançamento da obra “Comunicação na/para Sociedade de Risco”, publicada Abrapcorp através da Editora Sulina, que reúne reflexões contemporâneas sobre os desafios da comunicação organizacional e das relações públicas em contextos de instabilidade social, ambiental e informacional.

A publicação está vinculada ao XIX Congresso Brasileiro Científico de Comunicação Organizacional e Relações Públicas – Congresso Abrapcorp 2025, realizado um ano após o maior desastre climático já registrado no estado do Rio Grande do Sul. O congresso adotou como tema central “Comunicação na/para Sociedade de Risco”, propondo um espaço de reflexão sobre as fragilidades e as potencialidades que emergem em uma sociedade em constante transformação.

A escolha temática dialoga com um cenário global marcado por crises múltiplas — ambientais, sanitárias, políticas e informacionais — que exigem novas abordagens para a gestão da comunicação, dos riscos e das crises. Nesse contexto, a publicação amplia os debates iniciados no evento científico e busca contribuir para a compreensão dos papéis estratégicos da comunicação diante de cenários complexos e em movimento.

A obra reúne artigos de pesquisadoras e pesquisadores convidados, textos indicados pelas coordenações das Sessões Temáticas do congresso e contribuições de docentes responsáveis pelas oficinas realizadas durante o evento. O resultado é um panorama plural de perspectivas teóricas e analíticas que dialogam com temas como governança comunicacional, gestão de crises, comunicação organizacional e dinâmicas sociais em contextos de incerteza.

Entre os autores presentes na coletânea estão pesquisadores renomados do campo da comunicação organizacional e da comunicação de crise, reforçando a relevância científica da publicação. Também integra o volume as professoras Daiane Scheid e Rosângela Florczak, pesquisadoras associadas do Observatório Brasileiro de Comunicação e Crise, ampliando a conexão entre a produção acadêmica do livro e as atividades do OBCC.

A iniciativa contou ainda com apoio de importantes instituições de fomento à pesquisa no Brasil, como o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), evidenciando o reconhecimento da relevância científica e social das discussões propostas.

Ao reunir diferentes olhares sobre comunicação, risco e crise, a obra contribui para fortalecer o campo de estudos e estimular reflexões sobre como a comunicação pode atuar na construção de respostas sociais mais resilientes, especialmente em contextos marcados por desastres, desinformação e transformações estruturais.

O livro já está disponível em formato digital pela Editora Sulina.

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Por João José Forni (Autor do livro “Gestão de Crises e Comunicação – O que Gestores e Profissionais de Comunicação precisam saber para enfrentar Crises Corporativas”)

 

O Brasil, desde novembro, está assistindo o desenrolar de um dos maiores escândalos financeiros do país: o crescimento vertiginoso e a liquidação tardia e explosiva do Banco Master e seus penduricalhos. O banco de investimentos fundado pelo empresário Daniel Volcaro, há pouco mais de 8 anos. Segundo a jornalista Consuelo Dieguez, em reportagem publicada em fevereiro, na revista Piauí 233 (1), “ o banco Master nasceu, cresceu, pintou e bordou debaixo do nariz do economista Roberto Campos Neto, que presidiu o BC de fevereiro de 2019 a dezembro de 2024. O Master pedia autorização para atuar no mercado desde 2017, mas durante a presidência de Ilan Goldfajn, nunca conseguiu o sinal verde. Em 2019, sob a administração de Campos Neto, Vorcaro chegou lá. A licença causou alguma surpresa, já que, entre os critérios para autorizar um banqueiro no mercado, está a exigência de “reputação ilibada”.

Ou seja, o que a reportagem da revista Piauí insinua é que o passado de Daniel Vorcaro não recomendaria receber uma licença para administrar um banco, porque em Minas Gerais, entre 2010 e 2017, ele teria dado golpes no mercado imobiliário e participado de um esquema que aplicou um golpe em institutos de pensão públicos. Ou seja, a licença para ter um banco era totalmente inadequada para quem não tinha tradição no mercado e ainda carregava um “passado que me condena”. (1)

Desde o dia da liquidação do banco pelo Bacen, em 18/11/25, a novela ou o escândalo do Banco Master não para de nos surpreender. Além do prejuízo aplicado aos investidores, que confiavam suas economias a bancos, corretoras de renome e bancos de investimento, que aplicavam esses recursos nos polpudos títulos do Master, sob o argumento de que o Fundo Garantidor de Crédito (2) garantia aplicações até 250 mil, a vida do principal executivo, Daniel Vorcaro, e a história pregressa do Master começaram a ser melhor conhecidas. Principalmente pela quantidade e cacife dos seus contatos: políticos, influenciadores, advogados, economistas, membros do Poder Judiciário e até aventureiros. Mas também ostentação e sinais de riqueza pouco adequados para quem deveria passar uma imagem de sobriedade, como CEO de uma instituição financeira. E não a de “bon vivant” e perdulário, como emerge agora nas apurações do escândalo do banco. Pode-se dizer que Vorcaro não economizou o dinheiro dos aplicadores do banco Master. A ostentação começava pela propriedade de três aviões: um jato Gulfstream G700 que teria custado mais de R$ 100 milhões. Além de mais dois aviões menores, que valem R$ 150 milhões. Para que três aviões? Só se explicaria para fazer média com personalidades, políticos, influencers ou outras pessoas de sua relação, que não se acanhavam em pegar carona.

Essa ostentação se mostrava também em festas, viagens ao exterior e eventos patrocinados por ele em lugares exóticos. Na festa de noivado com a modelo e empresária Martha Graeff, uma das extravagâncias foi a contratação do conjunto musical Cold Play por 6,7 milhões de dólares (R$ 35 milhões). A festa na Sicília (Itália), com dezenas de convidados e atrações artísticas, segundo apurou a mídia, teria custado cerca de US$ 40 milhões (R$ 210 milhões), o que deveria ter chamado atenção, não apenas dos jornalistas, mas das autoridades fiscalizadoras do sistema financeiro.

Certamente essas exibições de Vorcaro, como festas com celebridades e convidados exclusivos, inclusive no exterior, caronas a políticos e influencers, bem como as relações dele com figuras ilustres da República, não eram realizadas em segredo. A pergunta que não quer calar é por que a mídia, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM), o Banco Central, o COAF (Conselho de Controle de Atividades Financeiras), a Receita Federal não perceberam que esse “banqueiro” de araque, além de exibicionista, transitava com total desenvoltura pelo poder (leia-se Praça dos Três poderes em Brasília), ao mesmo tempo em que seu banco oferecia rentabilidade bem acima das oferecidas por concorrentes, acumulando ativos de bilhões de reais que foram sendo dilapidados pela má gestão, megalomania, incompetência ou fraudes do principal gestor? Na medida em que os fatos relacionados ao Master vão sendo desvendados, percebe-se a forma errática, deslumbrada e irresponsável da gestão do banco por Volcaro e todos os que com ele participavam do banco.

Quantos investidores desavisados tiveram suas economias aplicadas no banco Master, acima de R$ 250 mil, e certamente perderam a parcela que excedia esse valor? Até porque os bancos intermediadores desses investimentos, em geral, não detalham a destinação da aplicação, informando apenas que o investidor havia aplicado em títulos (CDB, LCA, LCI) com “excelente taxa”, como certamente acontecia com o Master. A propósito, alguns bancos de primeira linha, classificados como “A” no ranking da gestão de riscos, não sugeriam títulos do Master para os clientes. Alguma razão deveria existir.

Milhares de investidores foram vítimas dessa atuação predatória ao mercado, tendo suas economias aplicadas, inobstante a garantia do FGC para determinados títulos, com elevado risco. Naturalmente, esses investimentos resultaram em lucro também para os bancos aplicadores. Será que um olhar mais atento das autoridades monetárias e por que não da mídia, para as aventuras do titular do banco Master, sua movimentação financeira, a ostensiva vida de viagens, festas e o convívio com celebridades não teriam evitado que mais de um milhão de investidores caíssem nessa arapuca?

 

O que pode acontecer

Daniel Vorcaro foi preso no dia 18 de novembro, no aeroporto de Guarulhos, quando se preparava para viajar para o exterior. Foi preso, pela segunda vez duas semanas depois e deslocado para uma penitenciária federal, em Brasília. “Com a prisão da cúpula do Master e outros envolvidos, começou a autópsia pública do que talvez seja, nas palavras do ministro da Fazenda, “a maior fraude bancária da história do país.” (3) "O conteúdo (do celular) provocou um terremoto que atravessa o Executivo, o Legislativo e o Judiciário, impactando principalmente o STF.", segundo a Agência Pública (4).

Não há dúvidas de que o caso Master se transformou num tema de interesse nacional, não apenas pelo prejuízo causado a investidores e ao Fundo Garantidor de Crédito (FGC), da ordem de R$ 60 bilhões. Mas porque a verdadeira história do banco, começa agora a ser revelada, a partir das degravações do telefone do titular. Não apenas a CPI do INSS irá abrir essa caixa de pandora. Agentes da Polícia Federal estão debruçados há meses sobre o material coletado e degravado. A CPI também vai analisar essas informações. Mas CPI, em geral, produz muito ‘holofote’ para os membros da Comissão e muito pouco de resultados para a investigação. Ao serem reveladas, as informações poderão comprometer muita gente que até agora tenta se esquivar de ter convivido e negociado com o banqueiro. Como o governador de Brasília, que forçou a barra para o BRB adquirir o banco no ano passado, quando os boatos negativos sobre o Master já circulavam no meio financeiro. Volcaro confirmou em depoimento que conversou e visitou o governador de Brasília.

 

Ligações perigosas

As relações do BRB com o Master não ocorreram por uma visão de mercado dos executivos do banco de Brasília. Ao depor na PF, em dezembro passado, Vorcaro admitiu que tratou da negociação Master-BRB com o governador, pelo menos quatro vezes, embora Ibaneis negue. “Cercado por essa teia de influência de políticos, o BRB mergulhou de cabeça no desastroso projeto de salvar o Master” (5). Para se ter uma ideia dessa operação ‘Tabajara’, quando o então presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, “apareceu no BC com seu plano de compra, os técnicos da instituição se assustaram. “Tudo era muito amador”, disseram. O balanço do BRB era uma bagunça”, disse um analista do BC, que pediu para não ser identificado, à jornalista Consuelo Dieguez, da revista Piauí.

A entrada do BRB nesse redemoinho ocorreu um pouco antes. O BRB começou a comprar carteiras do Master em meados de 2024. Só entre janeiro e junho de 2025, o banco comprou do Master R$ 12,2 bilhões de créditos inexistentes, segundo a Polícia Federal. Alvos da PF, em 18 de novembro de 2025, o ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa, também indicado por Ibaneis, foi afastado do cargo pela PF; e o dono do Master foi preso. (6)

Até a Câmara Legislativa de Brasília, onde Ibaneis tem maioria, caiu no canto de sereia do governador, do banqueiro e seus ‘advogados’. Em agosto de 2025, aprovou em regime de urgência proposta para o BRB adquirir 49% das ações ordinárias e 100% das preferenciais do capital social do Banco Master. A turma da base do governo acabou entrando no redemoinho do Governador. O Conselho de administração do banco, imediatamente, também aprovou. Agora se sabe que no conselho estava um membro que havia comprado ações do BRB pouco tempo antes, sendo ele ligado ao governador do DF. A transação BRB-Master só não foi concluída, porque houve uma forte reação do mercado e da população de Brasília. Mas a pá de cal foi dada pelo Banco Central, que barrou a compra em setembro de 2025, por identificar riscos elevados e inconsistências nos ativos do Master, incompatíveis com o perfil do BRB.

O Banco Central salvou o paciente, mas mesmo assim este não saiu ileso da investida. A compra do Master não foi concretizada porque o Banco Central liquidou o Master, pouco antes do acordo, em novembro de 2025. Mas, o que não se soube na época é que o BRB havia comprado de cerca de R$ 12,2 bilhões em carteiras de crédito do Master, com ativos superfaturados ou inexistentes. Isso só se descobriu depois do estouro do escândalo, o que colaborou para a demissão do presidente do BRB, Paulo H. Costa, como se ele tivesse tomado essa decisão à revelia da diretoria, do Conselho de administração e do próprio governador. Rombo que, agora, Ibaneis quer cobrir com patrimônio imobiliário do DF, provocando forte reação da oposição e de ambientalistas. Por incluir uma área de 12 mil hectares, na chamada Serrinha do Paranoá, apontada pelos ambientalistas como uma importante manancial hídrico da capital e da região Centro-Oeste.

 

Contrato milionário leva escândalo para o STF

Como hoje nada fica escondido muito tempo, na hora em que se abriu o balaio de crises do Master, apareceu um contrato com um escritório de advocacia de Brasília. O contrato talvez não tivesse caído nos holofotes, a não ser pelo fato de ter sido realizado com escritório de advocacia da esposa de um ministro do STF e pelo valor exorbitante dos honorários advocatícios.

No meio jurídico, há um consenso de que o contrato do banco Master com o escritório Barci de Moraes Sociedade de Advogados, pelo valor de R$129 milhões, por três anos, ou seja, R$ 3,5 milhões mensais, ultrapassa todos os parâmetros de consultoria de advogados no Brasil.

O detalhe é que esse escritório pertence à esposa do ministro do STF, Alexandre de Moraes, advogada Viviane Barci de Moraes. Informação que veio à tona depois da liquidação do banco. A polêmica não se limitou ao surpreendente valor do contrato, mas sobre o papel do escritório no episódio da liquidação e como atuou na assessoria e na defesa do banqueiro Daniel Vorcaro. Principalmente pela proximidade da titular com um ministro do STF, onde o processo também transita. Como tudo que diz respeito ao banco Master passou a ser olhado com lupa pela mídia, por políticos da oposição e pelo mercado financeiro, são naturais os questionamentos sobre esse contrato. Se o clima no STF já estava tenso, por causa das relações de irmãos do ministro Dias Toffoli com sócios de um empreendimento no Paraná, a notícia do contrato colocou mais lenha na fogueira.

Quase quatro meses passados da liquidação do Master, e diante da pressão sobre os ministros do STF, o escritório de advocacia divulgou uma nota à imprensa, em 7 de março, dando detalhes do contrato. (7) “A explicação, porém, tem lacunas e incongruências, segundo advogados experientes e acadêmicos do Direito ouvidos pela BBC News Brasil. Para os entrevistados, as tarefas executadas no atendimento ao Master, segundo a nota do escritório, não condizem com os altos valores divulgados sobre o contrato.” (8).

 

O maior escândalo bancário

Até a liquidação do banco Master, em função de o banco ter entrado no “modo crise”, pouco se sabia sobre as aventuras do dono do banco, Daniel Vorcaro. Ele era figura famosa não apenas na Faria Lima, em S. Paulo, a rua que administra boa parte do PIB financeiro do Brasil, mas principalmente pela influência que tinha com banqueiros, políticos e famosos “influenciadores”. Basta dizer que o próprio Vorcaro contratou “desinfluenciadores” para atacar a reputação do Banco Central, por ter decretado a liquidação do Master. Tentativa meio desesperada de salvar o banco. Ficou claro para o mercado que essa tentativa de desconstrução do Banco Central já era uma ação meio desesperada de salvar o banco. O que o mercado descobriu depois é que a autoridade monetária poderia ter intervindo bem antes no Master, reduzindo o prejuízo de bilhões de reais ao FGC e aos investidores..

O escândalo do Master, à medida que as investigações avançam e os segredos do celular do banqueiro vão sendo desvendados já se consagra como o maior escândalo da indústria bancaria brasileira. Mesmo quando cotejado com o passado, quando vários bancos foram liquidados, num período de crise econômica, antes e depois da implantação da do Real, como moeda nacional. Naquele período, ficaram pelo caminho marcas fortes do mercado financeiro: Bamerindus, Banco Econômico, Banco Nacional; Cruzeiro do Sul; Banorte; Banco Santos, para citar alguns.

Essa crise está longe de terminar. E pode comprometer figuras públicas nos poderes da República. Pesquisa recente da empresa Meio/Ideia sobre a percepção pública do caso Master mostra que o Supremo Tribunal Superior, o Congresso e o governo federal, além do governador do DF, de certo modo estão com a credibilidade abalada pelo episódio. Como diz a jornalista Vera Magalhaes, em artigo sobre a percepção do escândalo, apurada em pesquisa: “Crises institucionais prolongadas e generalizadas raramente produzem vencedores claros. Em geral, deixam como saldo o enfraquecimento difuso das instituições, exatamente o cenário de que o país menos precisa às vésperas de uma disputa presidencial.”

 

À guisa de Conclusão

Cabe perguntar por que o Bacen relutou tanto em intervir ou liquidar o banco Master? Por que a CVM, a quem compete fiscalizar o mercado de ações, ficou omissa nesse tremendo imbróglio, mesmo envolvendo um banco com ações no mercado? Chegou a hora de a mídia também fazer um mea culpa por ter deixado esse monstro criar corpo, avançar sobre milhares de pessoas, com expectativas de ganho fácil; sob o beneplácito de muitos bancos que também estavam faturando alto com as aplicações. O que falta descobrir é como se chegou a esse nível, em que um aventureiro fica ostentando riqueza com o dinheiro dos investidores, sem que ninguém tenha intervindo ou pelo menos alertado que estávamos na iminência de uma tempestade perfeita.

 

Notas

(1) “A Contaminação. O Banco Master e a desmoralização da República”. Revista Piauí 233, fevereiro de 2026, pag. 14.
(2) O Fundo Garantidor de Créditos (FGC) é uma instituição privada e sem fins lucrativos que protege depositantes e investidores, devolvendo até R$ 250 mil por CPF/CNPJ e por instituição financeira em caso de falência ou intervenção do banco. Ele garante produtos de renda fixa como poupança, CDB, LCI e LCA.
(3) “A Contaminação. O Banco Master e a desmoralização da República, Revista Piauí 233, fevereiro de 2026, pág. 14.
(4) Banco Master: a reconstrução completa de como uma fraude capturou a República. Agência Pública.
(5) A Contaminação. O Banco Master e a desmoralização da República, Revista Piauí 233, fevereiro de 2026, pág. 16.
(6) Não bastassem os desvarios cometidos pelo ex-presidente do BRB, Paulo H. Costa, o BRB divulgou que ele deixou uma dívida não paga no banco, no valor de R$ 799 mil. Muito estranho, quando se sabe que funcionários dos bancos têm linhas de crédito especiais e sempre os empréstimos são descontados na conta corrente, no dia do pagamento.
(7) Veja a nota do escritório Barci de Moraes Sociedade de Advogados.                                                                                                         
(8) BBC News: Explicação de esposa de Moraes sobre contrato com Banco Master tem lacunas e incongruências.

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Artigos assinados expressam a opinião de seus autores.

 

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O livro “Comunicação organizacional: liderança, crise e comunicação digital” acaba de ser lançado em formato gratuito e on-line, oferecendo uma contribuição relevante para a compreensão crítica dos desafios comunicacionais em contextos organizacionais contemporâneos. Disponível para download pela PUCRS Editora, a obra coletiva reúne capítulos que exploram, sob diferentes perspectivas teóricas e empíricas, a importância da comunicação como eixo estratégico nas organizações, especialmente diante de crises e da rápida transformação digital.

A publicação abre sua coletânea com a apresentação dos organizadores — Rebeca-Illiana Arévalo-Martínez, Rosângela Florczak de Oliveira e Rogelio Del Prado-Flores — que situam a obra nos desafios contemporâneos da comunicação organizacional, conectando liderança, crise e comunicação digital.

 

Em seguida, o primeiro capítulo, assinado por Rogelio Del Prado-Flores e Rebeca-Illiana Arévalo-Martínez, aborda os desafios éticos nas crises de comunicação organizacional em contextos de trabalho à distância; logo depois, os mesmos organizadores com o pesquisador exploram a caracterização da comunicação organizacional digital em diferentes tipos de organizações e instituições. O terceiro capítulo, de Carolina Frazon Terra (membro do OBCC), discute crises geradas por recursos de inteligência artificial e seus impactos na comunicação organizacional, trazendo casos exemplares. Na sequência, Cleusa Maria Andrade Scroferneker reflete sobre as contradições da comunicação digital nas universidades brasileiras; Guillermo García Mayo apresenta disputas de poder nos mercados ligados à indústria da mobilidade; Márcia Pillon Christofoli e Cleusa Scroferneker tratam das interfaces entre comunicação, discurso e cultura organizacional para uma liderança sensível; Juremir Machado da Silva discute direitos humanos como fundamento da humanidade nas organizações; Fernando Carara Lemos e Luciana Buksztejn Gomes abordam a educação e treinamento em comunicação para lideranças; Luciana Silva Corrêa e Maria Aparecida Ferrari analisam liderança e etarismo digital nas organizações; e Angélica De la Veja apresenta um capítulo sobre liderança transformacional e storytelling em crises organizacionais, entre outros temas que ampliam o escopo da obra.

A publicação, fruto de uma parceria entre instituições acadêmicas latino-americanas, fortalece o diálogo entre teoria e prática, reunindo reflexões que podem servir de referência para pesquisadores, docentes, estudantes e profissionais da comunicação. O fato de estar disponível gratuitamente em formato digital reforça o compromisso com a democratização do conhecimento na área e com a disseminação de repertório crítico sobre liderança, crise e inovação comunicacional em tempos de disrupção tecnológica.

 

Serviço

Comunicação organizacional: liderança, crise e comunicação digital

Organizadores: Rebeca-Illiana Arévalo-Martínez; Rosângela Florczak de Oliveira; Rogelio Del Prado Flores

Editora: PUCRS

Ano: 2026

Páginas: 263

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Por Bianca Persici Toniolo (Doutora em Ciências da Comunicação)

 

A passagem da depressão Kristin expôs de forma evidente fragilidades estruturais na comunicação de emergência em Portugal. As mortes, os danos materiais e o impacto psicológico nas populações afetadas levantam uma questão central que não pode ser ignorada: a forma como o risco foi comunicado contribuiu para a incapacidade de muitos cidadãos adotarem medidas de autoproteção eficazes?

Importa sublinhar um dado incontornável: o número de vítimas mortais apenas não foi mais elevado porque o fenómeno ocorreu durante a noite. Caso o pico de intensidade se tivesse verificado em período diurno, com maior mobilidade populacional, o desfecho poderia ter sido significativamente mais grave. Este facto, por si só, reforça a importância da comunicação de emergência como instrumento de mitigação de danos.

A mensagem de alerta transmitida às populações resumiu-se a um SMS genérico sobre vento de até 140 km/h de intensidade, acompanhado da expressão “fique atento” e da recomendação para seguir orientações das autoridades. Mas quais orientações? Como os resultados da passagem da depressão Kristin por Portugal, infelizmente, comprovaram, esta comunicação foi insuficiente para promover a perceção adequada do risco e para orientar comportamentos preventivos concretos.

 

 

Informar não é sinónimo de comunicar. A transmissão de dados isolados, desprovidos de contextualização, não ajuda os cidadãos a compreenderem o significado real do perigo nem a traduzirem esse conhecimento em ações protetoras.

Uma escalonada no tempo, com reforços sucessivos à medida que a ameaça se tornava mais próxima, poderia ter promovido uma perceção de risco progressiva e a ativação atempada de medidas de autoproteção. Ao mesmo tempo, a articulação entre autoridades meteorológicas, proteção civil, poder local e meios de comunicação social teria permitido uma mensagem mais consistente e contextualizada ao nível do território.

A comunicação de emergência é um estágio crítico dentro de um continuum comunicacional que se inicia na comunicação de risco e evolui para a comunicação de crise diante da iminência de um desastre. Este período de transição, quando um risco está prestes a materializar-se ou acaba de se manifestar, constitui uma janela decisiva para reduzir impactos humanos, materiais e ambientais.

A literatura sobre comunicação de risco e crise sublinha que, na fase de alerta — que marca a transição entre risco e crise — as mensagens devem ir além da simples notificação da ameaça. Devem convocar a ação imediata, fornecer orientações claras e acionáveis, manter um fluxo permanente de informação, indicar recursos disponíveis e reforçar a capacidade dos cidadãos para se protegerem de forma autónoma e coordenada. Quando esta comunicação falha, instala-se a incerteza, reduz-se a adesão às recomendações institucionais e aumenta-se a vulnerabilidade coletiva.

No caso da depressão Kristin, a ausência de instruções explícitas sobre comportamentos seguros — como a permanência em casa, a limitação de deslocações, o afastamento de estruturas frágeis ou a proteção de bens e animais — comprometeu a capacidade de resposta das populações. A mensagem transmitida não refletiu a gravidade potencial do fenómeno nem traduziu a linguagem técnica em implicações concretas para o quotidiano das pessoas. O resultado foi uma comunicação que alertou, mas não preparou; informou, mas não protegeu.

Quando a crise se concretiza, entra-se na fase de socorro, na qual a comunicação deve concentrar-se na proteção imediata da população, no reforço da perceção de risco, na divulgação de instruções práticas de autoproteção e na atualização constante da informação disponível. Esta fase exige mensagens acessíveis, inclusivas e adaptadas à diversidade social, etária e funcional da população. No entanto, a eficácia desta resposta depende, em grande medida, da qualidade da comunicação estabelecida na fase anterior, bem como da resiliência dos próprios sistemas de comunicação utilizados.

A degradação de infraestruturas essenciais, nomeadamente fornecimento de eletricidade e acesso à internet, limitou a capacidade de difusão de informação em tempo útil e expôs a fragilidade de estratégias excessivamente dependentes de canais digitais no caso em questão. Em emergências, é fundamental que os mecanismos de comunicação não dependam exclusivamente de tecnologias vulneráveis à própria crise, devendo ser assegurada a existência de recursos alternativos e redundantes capazes de alcançar as populações mesmo em cenários de falha sistémica.

O impacto da comunicação deficiente não se mede apenas em danos materiais. Mede-se também na erosão da confiança institucional e na sensação de abandono sentida por muitas comunidades. Quando a última mensagem recebida antes de um evento extremo é vaga e genérica, o que se instala é a perceção de que a proteção individual foi deixada ao acaso.

A fase de recuperação, que se segue ao socorro, não deve limitar-se à reconstrução física. Deve incluir uma reflexão crítica sobre os processos comunicacionais adotados, com vista ao fortalecimento da resiliência social e institucional. Recuperar implica aprender, corrigir falhas e reconstruir a confiança entre autoridades e cidadãos. Implica reconhecer que a comunicação é, ela própria, uma forma de intervenção.

Diante da intensificação dos fenómenos meteorológicos extremos, a questão central não é se eventos semelhantes voltarão a ocorrer, mas quando irão decorrer. Quando isso acontecer, a eficácia da resposta não dependerá apenas dos meios técnicos disponíveis, mas também da capacidade de comunicar o risco de forma clara, compreensível e orientada para a ação. Um simples “fique atento” não é suficiente para salvar vidas. Comunicação de emergência exige clareza, responsabilidade e compromisso com a proteção efetiva das populações.

 

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Artigos assinados expressam a opinião de seus autores.

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Por Carolina Frazon Terra (Doutora em Ciências da Comunicação, Professora na USP)

 

Na verdade, pode, né. Agora, pagar influenciadores para participar de um almoço de esclarecimento já colocando os termos dessa participação em um e-mail que solicita valores e posturas dos influs, soa estranho e antiético.

O e-mail foi disparado, supostamente, pela agência responsável pelo Banco BRB para convidar influenciadores do campo das finanças (os finfluencers) para um almoço. A presença desses influenciadores seria PAGA, com stories e 1 reels resumo. Ou seja, a ação não era de relacionamento, nem de esclarecimento, nem de gestão de crise. Era publi pura.

 

[caption id="attachment_591" align="aligncenter" width="1024"] Fonte: montagem a partir de postagem do perfil de Instagram da finfluencer Nathalia Arcuri.[/caption]

 

Em uma outra ocasião, Issaaf Karhawi e eu publicamos um artigo falando justamente de crises organizacionais que usaram influenciadores para tentar mitigar o problema. Falamos de quando a Loccitane usou o Rodrigo Goes para assumir um erro de campanha, de quando a Enel pagou o Felipe Titto para falar dos apagões em São Paulo - e só tomou porrada - e de quando iFood contratou a Astrid para conscientizar o povo a descer quando o entregador chega.

 

A linha entre isso dar certo ou não é tênue, pois:

  • as pessoas encaram que esse dinheiro gasto deveria estar indo para a solução da crise e não para promover a empresa.
  • um influenciador tem fãs e haters. Os detratores vão cair matando.
  • uma crise é sempre um problema para uma organização. Alguns pensam se realmente é hora de investir em promoção de imagem.

 

No caso dos “exposeds” feitos pelos influenciadores contatados pela Flap, estes “(...) entenderam que foi uma busca orçamentária inadequada, diante do escândalo do banco Master, da liquidação do banco e do impedimento, decretado pelo BC, de o BRB comprar o Master” (Camila Bonfim**, G1, 29 jan. 2026).

 

[caption id="attachment_592" align="aligncenter" width="1024"] Fonte: montagem a partir de postagem do perfil de Instagram da finfluencer Nathalia Arcuri.[/caption]

 

A agência responsável pela ação foi obrigada soltou um comunicado dizendo que foi uma sondagem feita sem o conhecimento do banco BRB. Pessoalmente, achei simplista jogar a culpa na agência, mas...é só achismo meu mesmo.

 

Dá para usar influenciadores em gestão de crises? Depende.

  • Depende se esse influenciador tem conexão com a sua marca e já a defendeu ou a usa.
  • Depende se você está pagando ou não.
  • Depende da gravidade do caso.
  • Depende da reputação da sua organização e a do influenciador (ou influenciadores) em questão.
  • E depende se isso vai ser encarado como um pagamento para um “cala-boca” (um silenciamento) ou não.

 

Tô pensando em mandar o Glossário de Crises: uma perspectiva comunicacional para a agência e para o Banco. Será que eles leriam?

 

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Artigos assinados expressam a opinião de seus autores.

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Obra apresenta estratégias de gestão de imagem e reputação para hospitais diante de cenários críticos

A plataforma Clube de Autores acaba de lançar o livro “As Primeiras 24hs de uma Crise no Ambiente Hospitalar – Gestão de Imagem e de Reputação”, um guia abrangente e atual sobre como instituições de saúde devem se preparar, reagir e se posicionar nos momentos mais delicados de uma crise.

Voltado a profissionais de comunicação, marketing, gestores hospitalares e estudantes da área da saúde, a obra parte de um ponto decisivo: as primeiras 24 horas de uma crise são determinantes para a preservação - ou a perda - da credibilidade institucional. “Decisões tomadas nesse intervalo crítico impactam diretamente a confiança de pacientes, familiares, colaboradores, imprensa, órgãos reguladores e da opinião pública”, explica o autor, o jornalista João Fortunato.

O livro apresenta estratégias práticas de Gestão de Crise de Imagem e Reputação, com foco em comunicação assertiva, elaboração de planos de contingência, definição de porta-vozes, relacionamento com a mídia e gestão das redes sociais em situações de alta exposição. Também aborda métodos eficazes para a reconstrução da confiança pública após episódios críticos.

Além da resposta imediata, a obra oferece insights valiosos sobre prevenção e antecipação de riscos, destacando a importância do preparo institucional, da integração entre áreas estratégicas e da cultura de gestão de crise no ambiente hospitalar. Em um cenário midiático cada vez mais veloz, sensível e amplificado pelas redes sociais, o livro reforça que improviso não é uma opção.

Com uma abordagem clara, aplicada e alinhada às transformações do setor da saúde, a publicação é leitura essencial para quem busca proteger, fortalecer e sustentar a imagem e a reputação de instituições de saúde, mesmo diante de situações adversas.

 

Sinopse

Este livro abrangente oferece um guia indispensável sobre Gestão de Crise de Imagem e Reputação especificamente voltado para hospitais e instituições de saúde. Desenvolvido para profissionais de comunicação, marketing, gestores hospitalares e estudantes da área da saúde, o conteúdo apresenta estratégias eficazes para lidar com situações críticas que podem afetar a imagem e a reputação de estabelecimentos de saúde. O material explora técnicas de comunicação assertiva, planos de contingência, gestão de mídias sociais em momentos de crise e métodos para reconstrução da confiança pública. Além disso, o livro oferece insights valiosos para a prevenção e o manejo de crises. Com uma abordagem prática e atual, este recurso é essencial para quem busca proteger e fortalecer a imagem de instituições de saúde em um cenário midiático cada vez mais desafiador. Aprenda a antecipar riscos, gerenciar eficientemente situações de emergência e manter a credibilidade da sua instituição mesmo em momentos de adversidade.

 

Sobre o autor

João Fortunato é jornalista profissional, produtor audiovisual e professor universitário. Trabalhou em diversos jornais e revistas de São Paulo. Após iniciou-se em Comunicação Corporativa e exerceu a atividade no Brasil e Exterior. É especialista em Gestão da Comunicação em Situações de Crise e Treinamentos de Mídia para executivos. Nos últimos tempos tem se dedicado a aprender as nuances das novas mídias do universo virtual. É graduado em Comunicação Social, habilitação em jornalismo, e em Produção Audiovisual, pós-graduado em Comunicação Corporativa e mestre em Comunicação e Cultura Mediática. É professor universitário.

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Com informações do Clube de Autores.

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Por Elsa Lemos (Especialista em Comunicação de Crise e Mestre em Guerra de Informação)

 

A expressão Information Laundering — lavagem de informação — não é ainda de uso comum fora de círculos especializados, mas descreve um fenómeno que já está plenamente instalado no espaço público. Ouvi de novo o termo recentemente e fiquei com a sensação clara de que estamos a subestimar o seu alcance. Talvez porque, ao contrário da desinformação clássica, esta prática não se apresenta somente como mentira. Pelo contrário: é silenciosa, opera de forma discreta, cumulativa e com um impacto que só se percebe quando já está instalado.

 

Nas crises contemporâneas, a manipulação informativa deixou de ser apenas um subproduto do caos. Tornou-se uma ferramenta estratégica para desestabilizar, descredibilizar e influenciar pessoas, organizações e Estados. O caso da guerra na Ucrânia é paradigmático, mas não é excecional. Hoje sabemos que campanhas coordenadas de desinformação russa estão a infiltrar-se no próprio ecossistema da inteligência artificial generativa. Não porque a IA ‘mente’, mas porque é treinada num ecossistema digital que pode ser intencionalmente contaminado.

 

Quando um verdadeiro exército de sites é criado para disseminar narrativas falsas ou enviesadas — muitas vezes escritas para serem bem indexadas por motores de busca — o efeito não se limita ao público humano. Esses conteúdos passam a fazer parte do tecido informacional da Internet. À medida que se tornam predominantes, modelos de IA como o ChatGPT, Claude, Gemini, Grok ou Perplexity podem incorporá-los nos seus processos ou considerá-los fontes “potencialmente válidas”. O resultado é simples e inquietante: respostas que repetem, normalizam ou amplificam propaganda. É isto a que chamamos de Lavagem de Informação.

 

Tal como na lavagem de dinheiro, a lógica é a da legitimação progressiva. Uma informação falsa ou manipulada percorre diferentes canais, muda de contexto, ganha novas “assinaturas” e, ao fim de algum tempo, parece limpa. Credível. Aceitável. Mas isto não é apenas desinformação, eu chamaria de engenharia reputacional aplicada à mentira.

 

Se deslocarmos o foco da geopolítica para a escala organizacional ou individual, o mecanismo mantém-se. Onde há Estados, há adversários; onde há empresas, há concorrentes; onde há líderes, CEO’s ou figuras públicas, há críticos organizados, haters ou campanhas coordenadas. Conteúdos repetitivos, ataques subtis à reputação, narrativas insinuadas como “dúvidas legítimas”. A escala pode variar, mas o impacto é real. Entramos aqui no domínio da guerra cognitiva, ainda pouco discutida, exceto nos meios militares.

 

Neste processo, as narrativas não se limitam a redes sociais. Espalham-se por múltiplos sites que aparentam ser meios independentes, blogs especializados ou plataformas de opinião. Frequentemente, esta técnica é combinada com outra: a inundação informativa. Grandes volumes de conteúdo são lançados para ocupar o espaço mediático, abafar vozes críticas e diluir factos verificados. Não é um fenómeno novo — grupos extremistas como a Al Qaeda já o faziam — mas a tecnologia atual deu-lhe uma escala sem precedentes. O mecanismo é tecnicamente simples, mas com efeitos profundos: a falsidade percorre uma cadeia de validações até adquirir aparência de credibilidade. E se já desconfiávamos das redes sociais como veículos de desinformação, a integração da IA neste ecossistema elevou o problema a outro patamar. Não se trata de alarmismo. Trata-se de realismo estratégico.

 

Num cenário de crise contínua — aquilo a que hoje se chama permacrise — este fenómeno encontra terreno fértil. As pessoas estão emocionalmente vulneráveis, à procura de orientação, de segurança, de algo em que acreditar. Públicos internos, clientes, cidadãos e decisores tornam-se mais suscetíveis a conteúdos emocionais, imagens chocantes, rumores dramatizados e narrativas que alimentam o pânico. A ciência ajuda-nos a perceber porquê. Estudos em neurociência e psicologia cognitiva mostram que a desinformação prospera porque explora vulnerabilidades que todos partilhamos. Em contexto de stress, as emoções ganham primazia sobre a avaliação racional. Procuramos respostas rápidas. Confiamos em quem comunica com segurança. E, ironicamente, estes mesmos mecanismos afetam também quem comunica oficialmente.

 

Na comunicação de crise, o fator humano é frequentemente o elo mais frágil. Viéses cognitivos entram em ação sem que nos apercebamos. O viés da simpatia, por exemplo, surge quando queremos ser prestáveis. Em plena crise, um colaborador pode achar que está a ajudar um cliente ansioso ou um jornalista insistente e acaba por partilhar informação que ainda não devia ser pública. Pequenos detalhes “inofensivos” transformam-se em ruído, confusão ou risco reputacional.

 

Já o viés da autoridade leva-nos a confiar automaticamente em quem parece ocupar uma posição legítima. Um email que aparenta vir da liderança, de uma entidade oficial ou de um “especialista” pode desencadear a partilha de dados sensíveis sem verificação adequada. Em contextos de pressão, estes atalhos mentais tornam-se perigosos.

 

Perante este cenário, a resposta não pode ser improvisada. A transparência — em crise e fora dela — continua a ser um pilar central, porque a opacidade alimenta o espaço da manipulação. Porta-vozes e lideranças treinadas reduzem o risco de mensagens contraditórias ou emocionalmente reativas. Protocolos definidos antes da crise evitam que o rumor corra mais depressa do que a organização. Processos internos de verificação ajudam a distinguir o real do fabricado antes que a narrativa se consolide. E, sobretudo, verificar e desmentir deixa de ser opcional.

 

Mas nada disto funciona de forma isolada. A resposta à desinformação exige uma estratégia integrada, que envolva media, stakeholders internos, sociedade civil e, quando aplicável, entidades públicas. A narrativa só se sustenta quando é construída com consistência e legitimidade.


A pergunta final é desconfortável, mas necessária: se amanhã alguém lançar uma campanha de lavagem de informação sobre si ou sobre a sua organização — com imagens fabricadas, perfis falsos, “fontes credíveis” e mensagens repetidas em volume — estaria preparado para responder? Estaria disposto a priorizar a transparência, mesmo que isso implique admitir vulnerabilidades ou limites? Se a resposta for “não tenho a certeza”, então este é o momento certo para agir. A credibilidade não se constrói no dia da crise! Constrói-se muito antes, com treino, protocolos, capacidade de verificação e consciência de que, hoje, a batalha não é apenas pelos factos, mas pela forma como estes são percebidos, legitimados e recordados.

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Artigos assinados expressam a opinião de seus autores. 

*artigo publicado originalmente no Blog Elsa Lemos Crisis Communication e na newsletter Crisis News.

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Na data que marca os 13 anos da tragédia da Boate Kiss, ocorrida em 27 de janeiro de 2013 em Santa Maria (RS), além de debates públicos e homenagens às 242 vítimas, aos mais de 600 sobreviventes e familiares, duas iniciativas de memória e prevenção são lançadas na cidade: o Canal de Denúncias “Alerta Kiss – informação que salva” e o Dia de Memória às Vítimas do Incêndio da Boate Kiss.

 

AÇÃO PARA A PREVENÇÃO DE TRAGÉDIAS

O coletivo “Kiss: Que Não Se Repita”, formado por amigos e familiares de vítimas e por sobreviventes da tragédia, lança hoje o Canal de Denúncias “Alerta Kiss – informação que salva”, voltado a receber relatos anônimos sobre segurança em casas noturnas no Estado do Rio Grande do Sul.

O objetivo é prevenir para evitar novas tragédias, tendo em vista que antes e após o acontecimento em Santa Maria, ocorreram outros incêndios com características e causas semelhantes em bares e boates ao redor do mundo. O último caso, em 2026, foi o incêndio no Bar Le Constellation, em Crans-Montana, na Suíça, que deixou 40 mortos e mais de 100 feridos, evidenciando fatores já conhecidos que levam a tragédias deste tipo, a saber, superlotação, uso de fogos de artifício em locais fechados, problemas com rotas de fuga e saídas de emergência.

Tais fatores somados a problemas com extintores, materiais inflamáveis e problemas com alvarás, entre outros, foram apontados como as causas da tragédia de Santa Maria. Nessa direção, pela recorrência de acontecimentos com as mesmas causas, estes riscos estão agora no radar do canal de denúncias que receberá e analisará as mensagens antes de repassar às autoridades.

 

MEMÓRIA E RESPEITO

Já no âmbito da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), instituição na qual estudava a maioria das vítimas da tragédia, foi instituído neste ano o dia 27 de janeiro como o Dia de Memória às Vítimas do Incêndio da Boate Kiss.

A iniciativa considerou o profundo impacto humano, social e institucional do referido evento sobre a comunidade universitária e a sociedade santa-mariense, a importância da preservação da memória coletiva, do respeito às vítimas e a seus familiares, bem como do compromisso institucional com a reflexão, a solidariedade e a promoção de uma cultura de cuidado, prevenção e valorização da vida.

No dia 27 de janeiro, portanto, ficam suspensas as atividades acadêmicas e administrativas na UFSM, ao mesmo tempo que as unidades acadêmicas e administrativas poderão, respeitada sua autonomia, promover atividades de caráter memorial, educativo, reflexivo ou cultural, voltadas à preservação da memória das vítimas, à promoção da segurança coletiva e à valorização da vida. 

 

Em Santa Maria, desde 2023, uma lei municipal (6.839/2023) instituiu a Semana em Memória às Vítimas da Tragédia da Boate Kiss, sendo parte do Calendário Oficial da cidade. Desde lá, entre 21 e 27 de janeiro de todos os anos ocorre a semana “Lembrar para não se repetir”, fomentando ações de conscientização, ensino e prevenção de incêndios.

 

Confira a programação completa dos eventos de homenagens e debates

13 anos de saudade: programação completa

 

Mais sobre a tragédia da Boate Kiss

Boate Kiss: a tragédia de Santa Maria em e-books, documentários e artigos

Boate Kiss: memorial virtual

 

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Fontes

Portaria Normativa UFSM N. 104/2026

Coletivo “Kiss: que não se repita”

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Há sete anos, precisamente no dia 25 de janeiro de 2019, o Brasil vivenciou um dos maiores desastres ambientais da mineração do país, o rompimento da barragem  em Brumadinho (MG), controlada pela Vale S.A. A gravidade do acontecimento fica explícita diante da recente notícia do portal G1 de que apenas agora o Corpo de Bombeiros de Minas Gerais encerrou seu trabalho de buscas por vítimas da tragédia - após 2.558 dias, mais de 10 milhões de metros cúbicos de rejeitos de mineração vistoriados e 268 corpos encontrados -, consolidando a maior operação de buscas da história do Brasil. Para além das mortes, a cidade sofreu grandes impactos ambientais e até hoje a população precisa beber água mineral, fornecida pela Vale. Em relatório recente, o MAB (Movimento dos Atingidos por Barragens) aponta para a lentidão nas obras e projetos de recuperação, a exemplo da taxa de apenas 38% da reparação socioambiental concluída.

 

[caption id="attachment_580" align="aligncenter" width="1024"] "Fenda" (Memorial Brumadinho)[/caption]

 

Em 2023, um termo de compromisso intermediado pelo Ministério Público criou o Memorial Brumadinho, construído no local onde a tragédia ocorreu e fruto da mobilização da Associação dos Familiares de Vítimas e Atingidos pelo Rompimento da Barragem Mina Córrego do Feijão em Brumadinho (Avabrum). Aberto ao público há um ano e constituindo um marco de memória e luta por justiça, a iniciativa busca preservar a memória dos trabalhadores, turistas e moradores da comunidade, cujas vidas foram interrompidas naquele dia. Mais do que somente um espaço de memórias e lembranças, o Memorial promove iniciativas de reflexão (como exposições, ações educativas e culturais) sobre uma das maiores tragédias humanitárias do país. No Monumento tudo comunica: informação, arquitetura e geografia se unem em um propósito de memória viva, apresentada pela perspectiva daqueles diretamente atingidos pela tragédia. Uma verdadeira lição sobre a importância da participação desse público na governança do Memorial.

 

[caption id="attachment_584" align="aligncenter" width="1024"] Espelho d'água, Sala Memória e Mirante (Memorial Brumadinho)[/caption]

 

O aprendizado central de um fato tão devastador deve estar na importância da prevenção de crises e na mitigação de danos, caso elas sejam inevitáveis. Para isso, uma boa gestão de risco baseia-se em informações confiáveis, claras e tempestivas. Para sua efetividade, é essencial uma comunicação multissetorial que seja não apenas contínua e dinâmica, mas também humanizada e personalizada para cada contexto. Com ações responsáveis é possível transformar alertas técnicos em prevenção real. O caso Brumadinho impõe que a gestão de risco e crise jamais seja vista como um simples protocolo, mas como um compromisso ético constante.

 

Infelizmente, no exato dia em que se recordam os sete anos da tragédia de Brumadinho, um reservatório da Vale transbordou, no limite entre Congonhas e Ouro Preto, na Região Central de Minas Gerais, e provocou o alagamento de áreas da CSN Mineração. Sem registro de danos diretos à população, o episódio reacende o alerta sobre os riscos da mineração e sobre a importância da gestão de riscos. 

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Os últimos 3 anos no Brasil foram marcados por dezenas de eventos críticos e de crises importantes. Algumas delas se repetem, principalmente relacionadas a eventos climáticos extremos, a ameaças e ataques a instituições de ensino, a acidentes, à falta de ética e à má-gestão por parte de governos e empresas. 

Apesar de avanços nos esforços de gestão de crises - e isso inclui a comunicação -, a cada novo evento crítico ainda se evidencia uma cultura voltada para o contingenciamento pontual das situações, o que demonstra fragilidades nos processos de prevenção e de preparação, bem como a limitação na capacidade de resposta das organizações.

Nesse contexto, o Observatório Brasileiro de Comunicação e Crise tem o papel não apenas de registrar os acontecimentos críticos. Por meio de notícias, artigos, entrevistas, catalogação de produção científica e de orientações, pretende informar e orientar a população e as organizações, inspirar ações, hábitos e comportamentos relacionados a situações de risco e de crise, apoiar e suscitar pesquisas acadêmicas, além de provocar a criação de políticas públicas.

De forma mais abrangente, em sua atuação nestes 3 anos, o OBCC conseguiu gerar discussões e reflexões em todos os âmbitos, desde pequenas comunidades, passando pelas universidades, resultando em ações concretas pelas organizações e pelo Poder Público.

Para esta missão, o projeto dispõe de uma equipe formada por pesquisadores e professores de cinco instituições: UFSM, UFRGS, USP, Fiocruz e PUCRS. Além disso, conta com um Conselho Consultivo formado por especialistas sêniores de universidades do Brasil e de Portugal, e também, com colaboradores eventuais que atuam nas áreas de comunicação, risco e crise.

 

O OBCC em números

 

Nestes 3 anos, o OBCC buscou diversificar o formato dos conteúdos disponibilizados ao público no portal: de sugestões de filmes e séries, passando por uma biblioteca virtual de livros, capítulos de livro, artigos científicos, teses e dissertações, a links de relatórios internacionais. Confira em números a atuação do Observatório a partir da realização de entrevistas, da publicação de notícias e de artigos de opinião entre outros:

 

 

E-books lançados pelo OBCC

 

Um dos principais objetivos do Observatório é construir e fazer circular o conhecimento, contribuindo para a geração de novos saberes. Nessa direção, ao longo destes 3 anos, lançamos dois e-books gratuitos disponíveis para download:

 

Risco e Crise no contexto da comunicação organizacional (2024)

Este e-book é composto pelos principais conteúdos publicados no portal do Observatório entre os anos de 2023 e 2024. Trata-se de entrevistas e artigos de opinião de especialistas, incluindo professores universitários, pesquisadores, consultores em gestão de crise e gestores de empresas de comunicação. Dentre os temas abordados pelos autores e entrevistados estão inteligência artificial, cobertura midiática, media training, reputação, diversidade, visibilidade, entre outras interfaces relacionadas aos assuntos-chave do Observatório: risco, crise e comunicação. A obra conta com o prefácio da Profª Drª Andréia Silveira Athaydes (UFSM), Coordenadora do Latin American Communication Monitor no Brasil. Segundo ela, “Para os que já atuam na temática, a obra propicia a reflexão sobre o seu fazer a fim de qualificar e aprofundar o conhecimento sobre o tema. Afinal, a crise é excelente para nos transformarmos em pessoas e organizações melhores”.

 

Glossário de Crise – uma perspectiva comunicacional (2025)

Fruto da construção coletiva e colaborativa de dezenas de pesquisadores, professores e profissionais de mercado, o e-book tem como objetivo tornar mais acessíveis conceitos, termos técnicos e expressões relacionadas a risco e crise no contexto das organizações e da sociedade. A perspectiva da obra é a comunicacional, contribuindo para uma maior familiaridade com os conceitos, para a popularização da ciência e para o fortalecimento do pensamento da área sobre o tema. Com prefácio de João José Forni – um dos primeiros consultores na área de gestão de crises e comunicação no Brasil – a obra é composta por 60 verbetes, a exemplo dos termos matriz de risco, hora de ouro, percepção de risco, policrises e prontidão. Para sua elaboração contribuíram 47 convidados de seis países (Brasil, Espanha, Estados Unidos, Inglaterra, Japão e Portugal), incluindo W. Timothy Coombs, referência mundial em comunicação de crise.

 

O Observatório nos espaços de debate

 

Em 2024, o OBCC participou da mesa-redonda “Comunicação de Riscos e Engajamento Social para a efetividade do primeiro Plano Nacional de Proteção e Defesa Civil”, a convite do Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR). O foco do evento foi promover a discussão e o levantamento de proposições voltadas à concepção de orientações, protocolos, mecanismos, iniciativas, programas e ações para a ampla divulgação do Plano Nacional, visando à adoção e à aplicação bem-sucedida de suas diretrizes para a gestão de riscos e desastres no Brasil. A contribuição do Observatório se deu a partir da sugestão de estratégias de comunicação de risco e crise para a divulgação e a efetividade das ações do Plano.

Já em 2025, durante o XIX Congresso Abrapcorp “Comunicação na/para a Sociedade de Risco”, pesquisadores do Observatório atuaram em diversos espaços a fim de colaborar nas reflexões e propor alternativas e orientações para a construção de uma cultura de prevenção de crises e de gestão de riscos e de crises. As participações ocorreram em colóquio de ensino, pesquisa e extensão; mesa sobre práticas profissionais; painel-debate de grupos de pesquisa sobre as perspectivas na área; e sessões temáticas, totalizando onze apresentações no congresso.

 

O portal do OBCC  

 

Além de página no Linkedin com conteúdos extras, o portal do Observatório é o principal ponto de contato com o público. É a partir dele que são divulgados lançamentos e relatórios, disponibilizados materiais para consulta e compartilhados artigos de opinião e notícias relevantes para a área. Nos últimos 3 anos, tivemos 73 mil visualizações de páginas, período em que 68,3 mil sessões foram iniciadas e 48,1 mil visitantes únicos acessaram o portal. Confira as seções, os casos, as notícias e os artigos mais acessados e os países de origem de mais acessos nesse período:

 

Seções mais acessadas

  1. Casos de crise
  2. Artigos
  3. Notícias
 

Casos de crise mais lidos

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Artigos mais lidos

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Notícias mais acessadas

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  2. Retrospectiva: as 10 crises que marcaram o ano de 2024 no Brasil
  3. Retrospectiva: 10 crises que marcaram o ano de 2023 no Brasil
 

Países que mais acessaram o portal

  1. Brasil
  2. Portugal
  3. Estados Unidos

 

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OBCC - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/projetos/institucional/observatorio-crise/2026/01/16/global-risks-report-2026-alerta-para-fragmentacao-estrutural-e-colapso-da-cooperacao-global Fri, 16 Jan 2026 12:55:32 +0000 http://www.55bet-pro.com/projetos/institucional/observatorio-crise/?p=570 O Global Risks Report 2026, divulgado pelo Fórum Econômico Mundial (WEF) nesta semana, alerta que o planeta entra em uma “era de competição” marcada pela erosão do multilateralismo, tensões geoeconômicas e crescente desconfiança entre governos, empresas e cidadãos. A pesquisa, que reúne mais de 1.300 especialistas e 11.000 líderes empresariais de 116 países, indica que 57% dos entrevistados projetam um cenário “turbulento ou tempestuoso” para os próximos dez anos.

O documento identifica o confronto geoeconômico como o risco mais crítico até 2028, refletindo a intensificação de políticas protecionistas, sanções e disputas por influência tecnológica. Essa multipolaridade sem multilateralismo está desafiando a ordem internacional e minando as bases da cooperação global. A desinformação e a polarização social completam o topo dos riscos de curto prazo, seguidas por eventos climáticos extremos e ciberinsegurança.

Em uma perspectiva de dez anos, o centro de gravidade das ameaças desloca-se para o meio ambiente: eventos climáticos extremos, perda de biodiversidade e mudanças críticas nos sistemas da Terra são apontados como os maiores riscos globais. Paralelamente, a inteligência artificial desponta como um risco emergente de rápida ascensão, com potenciais impactos sobre empregos, segurança informacional e desigualdade digital.

O relatório também alerta para uma crise de confiança global. A desigualdade é destacada por interligar riscos econômicos, tecnológicos e sociais, gerando um ponto de fratura que ameaça a coesão social e alimenta a propagação de desinformação e extremismos digitais.

Do ponto de vista da comunicação de risco e crise, o WEF chama atenção para o papel decisivo da informação confiável. A desinformação e a manipulação informacional, segundo o relatório, estão se tornando riscos estruturais, capazes de amplificar crises econômicas, políticas e ambientais. O documento observa que a comunicação pública ineficaz pode acelerar o colapso da confiança institucional, tornando governos e empresas mais vulneráveis a pânicos, boatos e narrativas polarizadoras.

Os alertas impõem novas estratégias de transparência, coordenação e verificação de dados, especialmente em situações de crise climática, tecnológica ou social. O Relatório recomenda fortalecer a educação midiática, desenvolver protocolos de resposta comunicacional integrados e promover cooperação entre atores públicos, privados e da sociedade civil para conter a escalada de desinformação e restaurar a credibilidade nas mensagens oficiais.

Também entre as recomendações, o Global Risks Report 2026 propõe fortalecer a cooperação regional e global, investir em infraestrutura resiliente, desenvolver uma governança ética da Inteligência Artificial e aprimorar a educação midiática. Também defende o reequilíbrio entre crescimento econômico e inclusão social, ressaltando que reconstruir a confiança é essencial para evitar uma década de fragmentação e instabilidade estrutural.

relatório completo está disponível no site oficial do Fórum Econômico Mundial.

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OBCC - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/projetos/institucional/observatorio-crise/2026/01/12/protocolo-meteorologico-da-ufrgs-norteia-gestao-de-alertas-para-eventos-climaticos Mon, 12 Jan 2026 13:40:21 +0000 http://www.55bet-pro.com/projetos/institucional/observatorio-crise/?p=568

Informativos sobre as decisões serão divulgados no turno anterior ao período de validade do alerta.

Em busca de maior previsibilidade, segurança e transparência diante de eventos meteorológicos – como chuvas intensas, alagamentos, ventos fortes e inundações – e suas possíveis consequências – falta de energia elétrica, problema grave de mobilidade, danos em prédios –, a Universidade Federal do Rio Grande do Sul definiu um protocolo para guiar a realização de atividades nessas situações.

A partir do alerta da Defesa Civil, o Comitê de Assessoramento Técnico para Eventos Climáticos de imediato é acionado para avaliar a previsão quanto a dimensão, localização e horário, classificando o evento em: regular, extremo ou catastrófico, resultando em comunicados em horários programados sobre a manutenção, flexibilização ou suspensão das aulas e das atividades administrativas. Informativos sobre as decisões serão divulgados no turno anterior ao período de validade do alerta: até as 11h, até as 16h e até as 23h, para as atividades da tarde, noturnas e da manhã do dia seguinte, respectivamente.

 

Comitê de Assessoramento Técnico para Eventos Climáticos

De acordo com o assessor estratégico do Gabinete da Reitoria, Marcelo Cortimiglia, a construção do protocolo envolveu docentes, técnicos e discentes do Diretório Central de Estudantes. Participaram especialistas da área de meteorologia e hidrologia do Instituto de Pesquisas Hidráulicas (IPH) e do Instituto de Geociências (Igeo), bem como integrantes da Pró-Reitoria de Planejamento e Controladoria, da Pró-Reitoria de Graduação, da Pró-Reitoria de Pós-Graduação, da Pró-Reitoria de Gestão de Pessoas, da Pró-Reitoria de Assuntos Estudantis, da Superintendência de Infraestrutura e da Secretaria de Comunicação. Cortimiglia detalha que o Comitê de Assessoramento Técnico para Eventos Climáticos da UFRGS (Portaria 3868/2025) é composto por  três docentes do IPH e uma docente do Igeo (Alfonso RissoFernando Mainardi, Fernando Dornelles e Rita Alves), um técnico administrativo meteorologista (Gabriel Bonow Munchow) e meteorologistas e pesquisadores de doutorado e pós-doutorado do Centro Estadual de Pesquisas em Sensoriamento Remoto e Meteorologia (CEPSRM) da UFRGS (Portaria 3903/2025).

 

Critérios para tomada de decisões

“Desenvolvemos uma ferramenta ágil, que contempla inúmeros fatores para análise e tomada de decisão sobre a realização de aulas e atividades administrativas presenciais quando ocorrerem eventos climáticos. Os critérios a serem considerados para a tomada de decisão são: operação do transporte público, condições de acesso, infraestrutura, energia elétrica, internet e abastecimento de água nos campi da UFRGS, considerando a especificidade do campus, onde cada item é rapidamente avaliado e recebe um valor para que resulte em uma recomendação concreta, como manutenção, flexibilização ou suspensão das atividades”, resume Cortimiglia. Ele explica que, em razão do tamanho da UFRGS e da descentralização dos prédios, foi criada uma rede interna que será acionada a qualquer tempo para coletar as informações necessárias para o protocolo.

 

Entenda o fluxo do protocolo

Ainda que cada unidade da instituição tenha autonomia para decidir como proceder, o Comitê de Assessoramento avaliará o alerta da Defesa Civil quanto à localização geográfica do evento meteorológico previsto. Se houver previsão de um evento meteorológico catastrófico atingir um dos campi da UFRGS, será emitida uma determinação de suspensão de atividades presenciais. Caso ocorra entendimento de evento meteorológico regular, ou seja, chuva rotineira, por exemplo, haverá indicativo de manutenção de atividades normais. Para evento meteorológico extremo, pode ocorrer flexibilização, com uma diretriz de que não haja penalização de estudantes e servidores que não puderem comparecer na UFRGS. No entanto, considerando a estrutura da Universidade, não está descartada a segmentação geográfica. Por exemplo, suspensão de atividades no 55BET Pro Centro, manutenção no 55BET Pro Vale e flexibilização no 55BET Pro Litoral Norte. A determinação de manutenção, flexibilização ou suspensão de atividades pode ser alterada nos turnos subsequentes a partir da avaliação dos danos causados na Universidade.

 

O que significa manutenção, flexibilização e suspensão

Manutenção:  Todas as  atividades presenciais serão mantidas.

Flexibilização: Atividades acadêmicas e administrativas presenciais mantidas, com a diretriz que estudantes e servidores não sejam prejudicados na impossibilidade de comparecimento presencial. Confira a diretriz para discentes de graduaçãodiscentes de pós-graduação, docentestécnicos e terceirizados.

Suspensão: Não haverá atividades acadêmicas e administrativas presenciais (com reposição obrigatória).

 

Assista à matéria da UFRGS TV sobre o protocolo meteorológico para eventos climáticos

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Fonte: UFRGS

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OBCC - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/projetos/institucional/observatorio-crise/2026/01/09/venezuela-o-tabuleiro-e-o-microfone Fri, 09 Jan 2026 18:47:23 +0000 http://www.55bet-pro.com/projetos/institucional/observatorio-crise/?p=567

Por Lorena Nogaroli (Especialista em Gestão de Riscos e Crises pela LSE. Fundadora e Diretora da Central Press)

 

A importância da construção de sentido na comunicação de crise.

Nos últimos dias, a captura de Nicolás Maduro por forças dos EUA — seguida da transferência do ditador venezuelano para os Estados Unidos — reabriu uma discussão que quase sempre descamba para dois atalhos igualmente pobres: o moralismo simplificador (“bem contra mal”) ou o cinismo resignado (“é tudo interesse”). O episódio é grave, sobretudo porque suscita questões de soberania e de legalidade internacional que não se resolvem com indignação performática nem com celebrações apressadas. 

O sistema internacional continua a funcionar, em grande medida, sob a lógica da necessidade estratégica: gestão de vulnerabilidades, riscos, assimetrias e da competição entre blocos. Em jogos de poder, muitas ações não buscam ganhos imediatos; buscam limitar opções futuras de outros atores, reposicionar dissuasões, testar limites, redefinir “linhas vermelhas”. Isso é recorrência estrutural, não novidade histórica.

Ainda assim, tomar o contexto como única lente também é perigoso. Ignorá-lo conduz a leituras ingênuas; absolutizá-lo conduz ao cinismo — e o cinismo, no fim, é apenas outra forma de cegueira. A maturidade está no meio do caminho: menos torcida, mais discernimento; menos julgamento instantâneo, mais compreensão do tabuleiro.

É justamente por isso que a comunicação oficial não é um detalhe, mas parte do próprio jogo. Numa crise internacional com informação incompleta, cada palavra é um movimento: cria expectativas, compromete margens de manobra, aciona aliados, inflama opositores e deixa um rastro reputacional. Foi nesse ponto que duas reações europeias chamaram a atenção, não apenas pelo conteúdo, mas também pela disciplina — ou pela falta dela.

No Reino Unido, Keir Starmer optou, de início, por uma postura cautelosa: afirmou que o país não participou da operação e insistiu na importância de respeitar o direito internacional, dizendo que queria “estabelecer os fatos” antes de ir além.  A decisão é clássica na comunicação de crise: antes de preencher o vazio, constrói-se sentido (sensemaking). Não se fala para parecer forte; fala-se para reduzir incerteza com responsabilidade. Ao limitar o discurso ao que podia sustentar — princípios, recortes e próximos passos — o premiê preservou credibilidade e flexibilidade num cenário volátil. 

Depois, com mais elementos, Starmer elevou o tom político ao declarar que o Reino Unido via Maduro como “ilegítimo” e que não derramava “lágrimas” pelo fim do seu regime — sem, porém, assumir envolvimento britânico na ação militar.  É uma estratégia conhecida: separar a posição de valores (o que se defende) da atribuição de responsabilidade operacional (o que se fez), reduzindo o risco de coautoria e mantendo espaço para ajustes conforme novas evidências ou pressões diplomáticas surgirem.

Na França, Emmanuel Macron seguiu outro caminho: a reação inicial foi interpretada como triunfalista — com uma formulação segundo a qual o povo venezuelano “só poderia se alegrar” com a queda da ditadura — e gerou reação imediata de adversários e críticas no debate doméstico.  Em seguida, o governo francês precisou fazer correções públicas, enfatizando que o “método” utilizado pelos EUA não era apoiado ou aprovado por Paris e reafirmando a narrativa na necessidade de respeito ao direito internacional. 

Não é apenas uma disputa de estilo: é uma lição sobre como a pressa de “fechar a história” pode virar um bumerangue. Quando um líder celebra antes de o quadro estar minimamente estabilizado, cria duas armadilhas: (1) fica refém do enredo que ele mesmo ajudou a fabricar; (2) se expõe a revisões constrangedoras — o “passo atrás” que, no ambiente digital, costuma ser lido como contradição, não como prudência. O resultado é ruído — e ruído, em diplomacia, custa caro.

Há ainda um aspecto mais profundo: numa crise geopolítica, a comunicação não serve só para “explicar” — ela serve para administrar legitimidade. E a legitimidade, aqui, passa inevitavelmente pelo debate jurídico. Especialistas e instituições têm apontado dificuldades em enquadrar a operação nas justificativas usuais do uso da força, lembrando o princípio da soberania e as restrições impostas pela Carta da ONU.  Esse ponto importa porque, goste-se ou não do regime, normalizar atalhos fora do direito internacional abre precedentes que serão utilizados por outros — inclusive por atores cujos objetivos o Ocidente costuma condenar.

A combinação do realismo de contexto com a disciplina comunicacional sugere um caminho mais útil para quem tenta interpretar — e para quem precisa decidir. A pergunta central não é “o que se diz”, mas “o que o contexto torna necessário fazer”. Mas, na mesma medida, a pergunta não pode ser apenas “o que se torna necessário”: é preciso perguntar “a que custo”, “com que precedente” e “com que lastro de legitimidade”. Sem isso, caímos no maniqueísmo ou na apatia.

Para líderes públicos (e, sim, para líderes corporativos), a lição é prática:

  1. Separe princípios de fatos. Declare valores e objetivos, mas não “feche” conclusões sem evidência suficiente.

  2. Evite triunfalismo em cenários instáveis. Celebrar desfechos antes da consolidação costuma gerar correções humilhantes — e erosão reputacional.

  3. Comunique o processo. Dizer “estamos apurando, falando com aliados, avaliando impactos” não é fraqueza; é governança.

  4. Preserve margem de manobra. Em crises internacionais, a palavra de hoje pode virar compromisso de amanhã.

Para quem observa (e comenta), talvez a maturidade seja esta: menos julgamento instantâneo, mais leitura do tabuleiro; menos torcida, mais discernimento. Porque, em geopolítica, o microfone não é acessório — é parte da estratégia. E, na Venezuela, como tantas vezes na história, entender o contexto não é justificar tudo; é apenas recusar a análise pobre.

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Artigos assinados expressam a opinião de seus autores.

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A medida visa garantir maior acessibilidade cromática, inclusão e proteção da população daltônica do Estado.

O sistema ColorADD, também conhecido como “código das cores”, é um conjunto de símbolos que traduz as cores de forma acessível, permitindo especialmente que pessoas com algum tipo de daltonismo consigam identificá-las com facilidade. Nesse sentido, a Coordenadoria Estadual de Proteção e Defesa Civil do RS adquiriu licença para a implementação da tradução de cores na emissão de avisos e alertas. Essa medida visa garantir maior acessibilidade cromática, inclusão e proteção da população daltônica do Estado que, atualmente, é de aproximadamente 3%. Em escala mundial, este número chega a 5%.

Atualmente, a emissão de alertas e avisos da Defesa Civil gaúcha conta com uma escala de cores, que estão associadas à severidade dos eventos hidrometeorológicos no Estado. O verde é utilizado para situações de normalidade; o amarelo, para alertas moderados; o laranja, para alertas altos; o vermelho, para alertas severos e roxo para alertas de extremos de ação imediata. A partir de sexta-feira (9), os alertas e avisos publicados no site e nas redes sociais da Defesa Civil estadual contarão com os símbolos do ColorADD nos cards do carrossel, permitindo que o grau de severidade dos eventos seja facilmente compreendido por daltônicos.

Com essa iniciativa, a comunicação de risco da Defesa Civil do RS aprimora a sua capacidade de interlocução com a população, melhorando a compreensão de cenários e o planejamento por meio da acessibilidade às orientações. Compreender as necessidades e a percepção da população frente à comunicação de riscos e desastres, bem como incrementar as ações nesse sentido, fazem parte de uma estratégia de comunicação mais assertiva, integrada e acessível, alinhada às diretrizes da Política Estadual de Proteção e Defesa Civil e do Escritório das Nações Unidas para a Redução de Riscos e Desastres.

O coordenador estadual de Proteção e Defesa Civil, coronel Luciano Chaves Boeira, destacou o reforço do compromisso com a população e o pioneirismo da iniciativa. “O emprego dessa nova linguagem acessível veio a partir de uma escuta nossa das demandas da população, e materializa mais um avanço nas nossas comunicações de risco, campo esse onde que buscamos evoluir constantemente”, frisou.

Maior inclusão, maior proteção

O daltonismo é uma condição visual que impossibilita a distinção das cores, fazendo com que as pessoas daltônicas as percebam de maneira distinta da percepção comum. Cabe destacar que existem pelo menos nove variações do daltonismo e três graus de severidade, sendo estes os graus tricomático - o menos severo – o dicromático e o monocrático, que é grau mais acentuado. A cor roxa, por exemplo, é percebida pela maioria dos daltônicos como a cor azul. Já algumas pessoas podem vir a confundir as cores verde e vermelho. No Brasil, 8,25 milhões de pessoas possuem algum tipo de daltonismo. Já no RS, este número é de 422 mil pessoas.

Quando se fala na utilização de cores na emissão de avisos e alertas da comunicação de risco, pessoas com daltonismo enfrentam dificuldades para identificar as cores presentes nos mapas e aquelas associadas aos diferentes níveis de severidade dos eventos climáticos e hidrológicos. Essa limitação pode levar à subestimação da gravidade de determinadas situações. Nesse contexto, a adoção do sistema ColorADD contribui para garantir a proteção das pessoas daltônicas, ampliando suas possibilidades de prevenção em cenários severos e assegurando o acesso à informação e às orientações necessárias em situações de emergência e de desastres.

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Fonte: Defesa Civil RS

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Por João José Forni (Autor do livro “Gestão de Crises e Comunicação – O que Gestores e Profissionais de Comunicação precisam saber para enfrentar Crises Corporativas”)

Em 27 de janeiro de 2013, o Brasil foi acordado por uma das maiores tragédias do país, com o incêndio da Boate Kiss, em Santa Maria (RS), que matou 242 jovens. Ali se consumou, certamente, um dos maiores crimes cometidos no país pela irresponsabilidade e erros primários dos donos da boate e do conjunto musical Gurizada Fandangueira, que provocou o incêndio. Mas também pela omissão das autoridades e de vários órgãos públicos, incluindo prefeitura e bombeiros, que deviam ter fiscalizado, autuado e fechado aquela boate por funcionar sem as mínimas condições de segurança.

Em Santa Maria, foi exposta também, da pior forma, a omissão dos órgãos públicos em fiscalizar ambientes de grandes aglomerações, muito menos reunir cerca de mil pessoas, num ambiente fechado, sem saída de emergência e com lotação acima da capacidade. Ou seja, aquela boate era uma tragédia anunciada.

Passados 13 anos do incêndio de Santa Maria, no primeiro dia de 2026, por volta de 1h30 (pelo horário da Europa) tragédia muito semelhante ocorreu num dos países detentores de uma reputação indiscutível, por qualquer indicativo que se olhe, principalmente segurança e respeito às leis. Qual o risco de um turista ir passar férias na Suíça e ser surpreendido por uma tragédia ou acidente de grandes proporções?

A Suíça não é famosa apenas pela qualidade dos seus relógios e do chocolate. É uma das nações mais desenvolvidas e industrializadas de todo o mundo. Historicamente, sempre adotou uma visão pacífica frente aos conflitos mundiais, além de um país conhecido pelo seu respeitado sistema financeiro e bancário. Atrai turistas de todo o mundo, mas principalmente da Europa. A Suíça abriga diversas organizações internacionais, incluindo a representação das Nações Unidas.

Falta de prevenção arranha imagem do país

O bar suíço, em Crans-Montana, cidade nos Alpes suíços, onde ocorreu o incêndio que matou 40 pessoas no primeiro dia do ano, não passava por inspeções de segurança há cinco anos, reconheceram as autoridades locais. A maioria das vítimas fatais, como os 119 feridos, são jovens de diversas nacionalidades, metade com menos de 18 anos. Esse "relaxamento" na fiscalização certamente contribuiu para a extensão e gravidade da tragédia.

O prefeito de Crans-Montana, Nicolas Feraud, disse em uma coletiva de imprensa, cinco dias após o acidente, que não conseguia explicar por que o bar Le Constellation não havia sido inspecionado por tanto tempo, mas que a prefeitura estava "profundamente arrependida". Inspeções periódicas de segurança e contra incêndio não foram realizadas entre 2020 e 2025. “Lamentamos isso amargamente”, disse o prefeito. Segundo ele, os estabelecimentos deveriam ser inspecionados anualmente.

É lamentável que erros e falhas de prevenção, que ocasionam tragédias como essa, só venham à tona quando o acidente já foi consumado. Assim foi em Santa Maria, na boate Kiss; como também de forma recorrente, em hospitais, no Brasil, como o incêndio no hospital Badim, no Rio de Janeiro, em 2019, que causou a morte de 23 pessoas. E recentemente, em Hong Kong, quando um incêndio devastador num conjunto de prédios residenciais resultou na morte de pelo menos 146 pessoas. Como em tantas outras catástrofes que poderiam ser evitadas com uma eficiente gestão de riscos e a consequente prevenção. É possível ter instrumentos de prevenção, com treinamento e simulações, que evitassem tragédias como essa?

Há exatamente dois anos, em 2 de janeiro de 2024, tivemos um exemplo de uma eficiente gestão de riscos e crises, quando um avião da Japan Airlines se chocou com outro pequeno avião, que, irregularmente, taxiava na pista, no Aeroporto de Haneda, em Tóquio. No choque, em poucos segundos o Airbus 350 da JAL pegou fogo na parte dianteira e as labaredas invadiram a aeronave. Os 379 ocupantes do aparelho (12 tripulantes) conseguiram sair do avião, pelas esteiras de segurança, em 90 segundos, sem ferimentos. Naquilo que foi chamado de "O milagre de Tóquio". Pânico? Sorte? Improviso? Não. Os passageiros e tripulantes foram treinados para essa evacuação em tempo recorde. Daí o sucesso da operação.

Na Suíça, como se sabe, o incêndio começou nas primeiras horas de quinta- feira, dia 1º de janeiro, quando sinalizadores presos a garrafas de bebidas foram erguidos pelos próprios empregados do bar, muito perto do teto, segundo relatório preliminar das investigações oficiais. No mínimo, uma ação totalmente irresponsável, até porque o teto era composto de material acústico, altamente inflamável. Daí porque as chamas se espalharam rapidamente. 

Alguns jovens, sem dimensionar a extensão da catástrofe e pela inexperiência, ainda tentaram apagar as primeiras chamas. Sem sucesso. Não há registro de ações efetivas do estabelecimento para tentar apagar o incêndio. O que caracteriza a inexistência de gestão de riscos, como brigadas de incêndio e pessoal treinado para situações de emergência. Não demorou para o bar se transformar num autêntico forno incandescente, com uma estrutura apertada, sem saídas de emergência, que comportassem a evacuação de dezenas de pessoas em poucos minutos.

No desespero, alguns frequentadores conseguiram quebrar janelas e escapar. Da rua, pessoas correram para ajudar. "Pensei que meu irmãozinho estivesse lá dentro, então vim e tentei quebrar a janela para ajudar as pessoas a saírem", disse um homem à BBC. Ele viu pessoas "em chamas da cabeça aos pés, já sem as roupas", segundo o jornal britânico The Guardian.

Falhas em série, dos proprietários e das autoridades

"Embora somente em 2025 tenham sido realizadas mais de 1.400 inspeções de incêndio no município, o conselho municipal lamenta profundamente descobrir que este estabelecimento não foi submetido às inspeções periódicas entre 2020 e 2025", afirmaram fontes da prefeitura local. O que não ameniza a culpa dos proprietários do bar.

"Lamentamos isso - temos uma dívida com as famílias e assumiremos a responsabilidade", disse o prefeito da cidade suíça. Como se esse reconhecimento amenizasse a dor dos pais, parentes e amigos de mais de 150 pessoas, maioria jovens, que literalmente ficaram presos numa subsolo, com uma escada estreita, para fugirem do fogo, já que não havia saída de emergência para um ambiente que comportava 300 pessoas, quando lotado. Do ponto de vista da segurança, um verdadeiro absurdo. Houve negligência. Não há como amenizar a falha grave das autoridades fiscalizadoras.

É de se questionar – como se perguntou no incêndio da boate Kiss, em Santa Maria: nenhum político, policial, engenheiro, bombeiro, jornalista ou especialista em segurança frequentou esse bar, durante os cinco anos em que deixou de ser inspecionado? O casal dono do bar não tem o que possa amenizar sua responsabilidade, porque contribuiu para a tragédia, ao assumir o risco do incêndio, não apenas pelas instalações impróprias, com pela pirotecnia arriscada e altamente perigosa, conduzida por empregados do estabelecimento. Mas a falha tem que ser compartilhada.

O prefeito da cidade suíça acrescentou que fogos de artifício - que acredita-se terem causado o incêndio ao serem erguidos muito perto do teto - serão proibidos em estabelecimentos da região. Traduzindo, precisou um incêndio dessas proporções para reconhecerem que ‘brincar’ com fogos em ambiente fechado é sempre uma ameaça. Segundo reportagem da BBC, “as autoridades locais contratarão uma empresa externa para inspecionar e auditar todos os 128 estabelecimentos da região. O prefeito admitiu que havia uma equipe de cinco pessoas inspecionando mais de 10.000 edifícios em Crans-Montana e não soube explicar por que o bar não havia sido inspecionado desde 2019.”

Respondendo a repetidas perguntas sobre a falta de inspeção no estabelecimento, o prefeito disse: "Não tenho resposta para vocês hoje. Lamentamos profundamente o ocorrido e sei o quanto isso será difícil para as famílias. Não vou renunciar, não, e não quero", acrescentou mais tarde. Quando o incêndio ocorreu no dia de Ano Novo, o bar parecia ter muito mais pessoas do que o permitido por lei. Segundo o prefeito, a lotação seria responsabilidade dos gerentes do Le Constellation. Como assim?

A promotoria suíça abriu um inquérito criminal contra os dois gerentes do bar, identificados pela mídia local como o casal francês Jacques e Jessica Moretti. Ambos são suspeitos de homicídio culposo, lesão corporal culposa e incêndio criminoso culposo”.

As 40 pessoas que morreram no incêndio –– incluindo 21 cidadãos suíços, nove cidadãos franceses, seis italianos e uma pessoa de cada país - Bélgica, Portugal, Romênia e Turquia – foram identificadas quatro dias após a tragédia. Um país pouco acostumado a acidentes como esse tenta se recuperar, fazendo um mea culpa pelo fato de um estabelecimento como esse, num local repleto de turistas, ter violado princípios fundamentais de segurança, que levaram à tragédia. 

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Com foco no fortalecimento da saúde indígena a partir da comunicação de risco em crises sanitárias no Brasil e na Bolívia, o projeto de pesquisa “Comunicação de risco em saúde indígena: experiências e aprendizados em crises sanitárias no Brasil e na Bolívia” busca contribuir para o aprimoramento das políticas públicas interculturais na Região Amazônica, considerando as especificidades socioculturais dois países envolvidos (Brasil e Bolívia).

A proposta surge para preencher uma lacuna crítica na ciência e nas políticas públicas: a escassez de estudos sobre a efetividade da comunicação voltada aos povos tradicionais. Assim, a pesquisa articula as áreas de Comunicação e Saúde Coletiva para investigar como governos e comunidades reagiram à circulação de informações durante surtos da covid-19, dengue e zika.

O estudo, que será executado de dezembro de 2025 até novembro de 2027, concentra-se na Amazônia Legal, região que abriga mais de 51% dos indígenas do Brasil, com o objetivo de entender como a adaptação cultural das mensagens institucionais sobre saúde pode impactar diretamente essa população, protegendo vidas. 

 

Desafio da comunicação em contextos interculturais

A comunicação de risco é uma ferramenta estratégica fundamental para mitigar danos em emergências sanitárias, sobretudo quando adequada às realidades dos envolvidos. “A nossa hipótese é a de que abordagens que incorporaram saberes tradicionais, o uso de línguas nativas e a mediação com lideranças locais apresentam maior eficácia e adesão às medidas de prevenção”, explica o coordenador e pesquisador Allysson Martins.

Segundo ele, durante a pandemia de covid-19, a ausência de campanhas culturalmente adaptadas resultou em taxas de infecção e mortalidade desproporcionalmente altas entre os povos indígenas. No Brasil, embora existam os Distritos Sanitários Especiais Indígenas (DSEIs), eles ainda enfrentam desafios como o subfinanciamento e a dificuldade de integrar práticas tradicionais à medicina biomédica.

A pesquisa adota um método de estudo de caso múltiplo, comparando a realidade brasileira com o modelo da Bolívia. Na Bolívia, o Modelo Intercultural Comunitário de Saúde (SAFCI) já institucionaliza a integração entre a medicina tradicional e o sistema estatal, promovendo campanhas em idiomas nativos e o uso de ervas medicinais. “É possível que medidas como essa apresentem efeitos positivos que possam inspirar melhorias nas políticas públicas brasileiras”, afirma o pesquisador.

A investigação prevê viagens de campo no Brasil e na Bolívia. Em âmbito nacional, as visitas devem ocorrer no DSEI Alto Rio Solimões, no Amazonas, e na SESAI – Secretaria de Saúde Indígena, vinculada ao Ministério da Saúde, em Brasília. Na porção internacional da Amazônia, a pesquisa deve se centrar na região de Beni, onde o diálogo intercultural foi priorizado durante a crise da covid-19.

 

 

Resultados para a sociedade e ciência

Além de publicações científicas em periódicos de alto impacto, o projeto prevê a entrega de diretrizes práticas para gestores públicos. A pesquisa propõe produzir materiais de devolutiva para as comunidades indígenas envolvidas, como vídeos, infográficos e cartilhas bilíngues.

O objetivo é subsidiar a formulação de políticas mais inclusivas e sensíveis às realidades locais, alinhando-se aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU, especialmente na redução das desigualdades e na promoção da saúde.

 

*A pesquisa é coordenada pelo professor Allysson Martins, coordenador do MíDI – Laboratório de Mídias Digitais e Internet e docente dos Programas de Pós-Graduação em Comunicação (PPGCom) e em Desenvolvimento Regional e Meio Ambiente (PGDRA) da UNIR. A equipe é formada por mais de dez pesquisadores de diferentes instituições de ensino superior, sendo seis brasileiros e três internacionais, reforçando o caráter cooperativo do estudo.

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Projeto de pesquisa aprovado na Chamada Pública MCTI/CNPq nº 03/2025 – Pró-Amazônia

Com informações: UNIR e CNPq

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OBCC - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/projetos/institucional/observatorio-crise/2025/12/11/desastre-da-samarco-10-anos-depois-livro-lancado-pela-fgv-reune-memorias-de-moradores-atingidos Thu, 11 Dec 2025 13:52:43 +0000 http://www.55bet-pro.com/projetos/institucional/observatorio-crise/?p=553 [caption id="attachment_554" align="alignright" width="511"] Capa do livro: "É como perder um ente querido" (FGV/HUCITEC)[/caption]

O Centro de Estudos em Sustentabilidade da Fundação Getúlio Vargas (FGVces) e a Editora Hucitec realizaram em novembro o lançamento do livro "É como perder um ente querido: histórias de rio e de mar das populações atingidas pelo rompimento da barragem da Samarco".

 

A obra nasce de um extenso trabalho de campo realizado pelo FGVces no contexto de um acordo firmado em 2017 entre o Ministério Público Federal e o Ministério Público de Minas Gerais com a mineradora Samarco Mineração S/A, que operava a barragem, e com a Vale S/A e a BHP Billiton Brasil Ltda, suas sócias-controladoras. O acordo teve como propósito garantir respaldo técnico-científico para a imposição da reparação integral dos danos causados pelo desastre.

 

O livro está dividido em 10 capítulos os quais cada um traz um trecho dos relatos para contextualizar a temática da seção:

Capítulo 1 – Rompimento, “A água limpa na frente e a morte caminhando atrás”

Capítulo 2 – Risco, “Tava todo mundo com a sua vida, a gente não pensava que essa lama ia chegar arrastando tudo”

Capítulo 3 – Trauma, “Fiquei com tanto medo que não dormia. De lá pra cá teve outro rumo de vida”

Capítulo 4 – Transformação, “A gente foi nascido e criado na beira desse rio lindo e em três dias viu o rio morto. Hoje em dia a gente nem gosta de chegar perto”

Capítulo 5 – Ruína, “Eu continuo amigo do rio Doce, mas ele não é o mesmo amigo que colocava o pão na minha mesa, ele foi assassinado”

Capítulo 6 – Contaminação, “A lama não acabou ainda não, o veneno continua descendo”

Capítulo 7 – Adoecer, “Ficamos doentes junto com os peixes. Quantas pessoas estão doentes pelo contato com a água? Quantas estão doentes psicologicamente?”

Capítulo 8 – Desterritorializar, “O rio [e o mar] é nossa casa, nosso lar, nossa essência tá ali. Abandonar tudo que você ama porque não pode usufruir daquilo é terrível”

Capítulo 9 – Injustiça, “A gente acorda com esse problema do desastre, dorme com esse problema, sonha durante a noite e tem pesadelos”

Capítulo 10 – Espera, “A chegada da lama matou sonhos, matou esperanças”.

 

Acesse o livro.

 

Banco de narrativas das pessoas atingidas

 

Ao longo desse processo de identificação e mensuração dos danos socioeconômicos provocados pelo rompimento da barragem, foram coletados mais de 10 mil fragmentos narrativos sobre o maior desastre socioambiental do Brasil e um dos maiores do mundo.

Nessa direção, além do livro, também foi disponibilizado um Banco de Narrativas das Pessoas Atingidas pelo Rompimento da Barragem de Fundão. O material diz respeito a 251 interações de campo (oficinas, rodas de conversa e entrevistas) realizadas por pesquisadores do FGVces entre 2019 e 2022. Cerca de 2 mil pessoas participaram desse processo de escuta qualificada em Minas Gerais e no Espírito Santo, seguindo a premissa da centralidade da vítima para diagnosticar os danos causados pelas empresas Samarco, Vale e BHP Billiton.

 

[caption id="attachment_555" align="aligncenter" width="934"] Banco de Narrativas das Pessoas Atingidas pelo Rompimento da Barragem de Fundão. (Fonte: FGVces)[/caption]

 

Acesse o Banco de Narrativas.

 

Ficha técnica da obra

Autores: Adriana de Paula Cavalcante Fraga, Eloisa Beling Loose, José Agnello Alves Dias de Andrade, Léa Lameirinhas Malina, Marcos Dal Fabbro, Maria Letícia De Alvarenga Carvalho e Mariana Luiza Fiocco Machini

ISBN: 9788584045440

Coedição: Hucitec & Centro de Estudos em Sustentabilidade (FGVces) da Escola de Administração de Empresas de São Paulo da Fundação Getúlio Vargas (FGV EAESP).

Edição: 1. Edição

Data de publicação: 2025

Páginas: 132

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Com informações da FGVces e Hucitec Editora.

 

 

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O ano de 2025 no Brasil foi marcado por dezenas de eventos críticos e de crises importantes. Algumas delas se repetem, principalmente relacionadas a eventos climáticos extremos, a ameaças e ataques a instituições de ensino, a acidentes, à falta de ética e à má-gestão por parte de governos e empresas. Nessa direção, para fins de registro histórico e aprendizados, listamos 15 casos que consideramos representar uma amostra da diversidade de causas, tipos, desdobramentos e impactos das crises ocorridas neste ano.

 

  1. Desinformação orquestrada faz governo federal revogar norma para estancar “Crise do PIX”

No início de 2025, a Receita Federal publicou uma instrução normativa que demandava das fintechs a notificação de transações acumuladas acima de R$ 5 mil mensais para pessoas físicas, num movimento de rigor na fiscalização. Isso gerou uma repercussão negativa e uma onda de notícias falsas, dentre elas o boato de que o Pix seria taxado. O principal episódio foi a publicação de um vídeo nas redes sociais do deputado Nikolas Ferreira, que sugeriu que tal medida abriria caminho para a taxação do Pix, distorcendo o objetivo da normativa. Diante da repercussão, diversos órgãos e membros do governo se pronunciaram, como a Receita Federal, o Banco Central, o Presidente Lula, o Ministro da Fazenda, Fernando Haddad. Por fim, o governo teve de efetuar reuniões emergenciais, mudar o comando da Secretaria de Comunicação e promover uma coletiva de imprensa para comunicar a revogação da medida.

 

  1. Tânia Bulhões teve confiança quebrada após consumidora expor inconsistência da marca

Em janeiro, um vídeo de uma mulher tomando um café de R$ 5 na Tailândia em uma xícara idêntica à da marca de luxo Tania Bulhões viralizou nas redes sociais, cujo design, segundo a marca, é original. Tal fato fez com que mais relatos semelhantes surgissem e que as mesmas louças fossem encontradas à venda por um valor menor em e-commerces asiáticos. O caso causou uma crise de imagem e de reputação à empresa, fazendo com que clientes duvidassem da originalidade e exclusividade dos produtos e se decepcionassem com a marca. Em um primeiro posicionamento, a empresa afirmou que, frequentemente, seus produtos são copiados, e que o seu parceiro responsável pela confecção das peças havia descumprido acordos contratuais, vendendo sobras de produção fora do controle de qualidade. A marca decidiu por descontinuar algumas coleções, ofereceu a troca ou devolução de produtos, além de investir na produção nacional.

 

  1. Mais de mil consumidores relataram à Anvisa reações após usarem creme dental da Colgate

Em 27 de março de 2025, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) proibiu a venda do creme dental Colgate Total Prevenção Ativa Clean Mint depois que consumidores da mesma relatarem aftas, inchaço, ardência, irritações e dores na boca, bem como dificuldades para comer e falar. Até o final de maio, mais de 1,2 mil consumidores comunicaram à Anvisa reações adversas depois de terem utilizado o produto, que teve sua fabricação interrompida pela marca. Uma mudança na sua composição ocorreu em 2024, quando o fluoreto de sódio foi substituído pelo de estanho, mas a mudança ainda não é confirmada como a causa das reações. A Anvisa iniciou uma investigação para verificar quais componentes podem ter causado o problema, bem como a empresa, que também decidiu por descontinuar o produto.

 

  1. Acidente com ônibus da UFSM deixou 7 estudantes mortos em Imigrante (RS)

No dia 4 de abril, um acidente com um ônibus da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) que transportava 33 pessoas deixou sete passageiros mortos e mais de 20 feridos, depois do ônibus ter saído da pista e tombado de uma ribanceira de 52 metros de altura, capotando várias vezes. O veículo estava transportando estudantes e docentes do curso de Paisagismo, do Colégio Politécnico da UFSM, para uma visita técnica ao cactário Horst, no município gaúcho de Imigrante. O acidente aconteceu cerca de 850 metros do destino final. Três pessoas foram indiciadas pela Polícia Civil por homicídio culposo e 21 lesões corporais culposas: o motorista do ônibus, o responsável pelo núcleo de transporte da universidade e a representante da empresa responsável pela contratação dos motoristas.

 

  1. Crise no INSS expôs falhas na comunicação e na gestão do governo federal

Em 23 de abril de 2025, uma operação conjunta da Polícia Federal e da Controladoria-Geral da União (CGU), nomeada “Operação Sem Desconto”, revelou um esquema de descontos indevidos em pensões e aposentadorias do Instituto Nacional da Seguridade Social (INSS), com um prejuízo estimado de R$ 6 bilhões. O esquema compreende corretoras, associações, call centers e empresas de consultoria, que, entre 2019 e 2024, teriam aplicado descontos sem que os beneficiários permitissem. Tal episódio trouxe à tona discussões sobre falhas de comunicação do governo, que deveria comunicar tais descontos aos cidadãos, informando-os sobre seus motivos e como cancelá-los, bem como apresentando um canal acessível para dúvidas, considerando as condições e o perfil dos beneficiários.

 

  1. Estudante bolsista do Colégio Mackenzie sofreu racismo e homofobia no ambiente escolar

No dia 29 de abril de 2025, uma aluna de 15 anos, bolsista do 9º ano do Colégio Presbiteriano Mackenzie, em São Paulo, foi encontrada desacordada no banheiro da escola. De acordo com a família da menina, ela vinha sofrendo bullying, racismo e homofobia por colegas desde 2024. A família afirmou ter denunciado a situação à escola naquele mesmo ano e pedido ajuda psicológica, porém a instituição não teria tomado providências. A escola disse que, após o episódio, prestou atendimento à aluna, que acolheu a mãe da estudante e que “o contato e o apoio à família têm sido contínuos”, mas que “não é possível afirmar quais foram as causas do evento”. A família da menina e o colégio registraram boletins de ocorrência, e a Polícia Civil está investigando o caso.

 

  1. Imagem da Cacau Show sofreu abalo após relatos de franqueados e ex-franqueados

Em 2025, a Cacau Show sofreu diversas denúncias sobre sua relação com franqueados e suas supostas práticas de gestão. Tais acusações surgiram de publicações realizadas pelo portal Metrópoles, expondo a insatisfação de franqueados sobre cláusulas contratuais relacionadas a pagamentos e distribuição de produtos, bem como situações constrangedoras. Em seguida, a Folha publicou uma reportagem com franqueados afirmando práticas abusivas, ameaças veladas e cobranças de taxas. Diante das acusações, a Cacau Show realizou uma postagem no Instagram, refutando as acusações e afirmando que elas eram injustas a sua história, seus valores e àqueles que constroem sua marca. A fim de apurar as denúncias, o Ministério Público do Trabalho de São Paulo abriu um inquérito.

 

  1. Agência de publicidade DM9 teve prêmios cassados ao violar regras do Festival de Cannes

A DM9, agência de publicidade brasileira, se envolveu em uma crise após ter usado inteligência artificial para manipular imagens de uma peça publicitária. O trabalho, nomeado “Economia Eficiente de Energia”, foi desenvolvido para a Consul e premiado no Cannes Lions 2025, que solicitou que o prêmio fosse cassado após a revelação. O caso levantou discussões sobre a utilização ética da IA, bem como a criação de regulamentos e regras, e resultou na demissão de um executivo da DM9, na suspensão do contrato com a Consul e na devolução de outros prêmios da agência. Em comunicado, a DM9 informou que iria implementar um Comitê de Ética em Inteligência Artificial, a fim de “estabelecer diretrizes claras e melhores práticas para o uso responsável de IA e tecnologia em seus processos criativos”.

 

  1. Tarifaço de Trump a produtos do Brasil exigiu diplomacia das autoridades brasileiras

Em 2025, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, impôs diversas barreiras alfandegárias a países, impondo uma taxa de 10% ao Brasil. Em julho, porém, o presidente aumentou a tarifa para 50% a parte das exportações do Brasil, por conta de decisões que, para ele, prejudicariam empresas dos EUA e pelo julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro. Em novembro, Donald Trump removeu a tarifa de 10% de todos os mercados, incluindo o Brasil, e em seguida, o adicional de 40% de alguns produtos agrícolas brasileiros. A última decisão ocorreu após uma conversa entre Trump e Lula, na qual ambos concordaram em negociar. Trump afirmou que o avanço nas negociações com o Brasil, a demanda interna e recomendações da equipe do seu governo levaram à remoção do adicional.

 

  1. Explosão de fábrica da Enaex Brasil em Quatro Barras (PR) fez 9 vítimas fatais

No dia 12 de agosto, ocorreu uma explosão em uma área que armazenava material explosivo produzido por uma fábrica da Enaex Brasil, localizada em Quatro Barras, região metropolitana de Curitiba, resultando em nove pessoas mortas e sete feridas. No momento da explosão, os materiais estavam sendo preparados para serem transportados, e as vítimas estavam trabalhando. O inquérito que estava investigando as causas do ocorrido não indicou indícios de crime doloso, nem culposo, mas identificou falhas sistêmicas na gestão de riscos da organização, o que pode ter favorecido a explosão. As análises periciais apontaram que a explosão provavelmente se deu devido ao atrito entre as pás de um misturador e o pentolite parcialmente solidificado, por conta da baixa temperatura do ambiente no momento.

 

  1. Adulteração de bebidas alcoólicas causou 16 mortes por intoxicação por metanol

A partir de setembro de 2025, o Brasil registrou diversos casos de intoxicação por metanol depois do consumo de bebidas alcóolicas. Segundo um boletim do Ministério da Saúde, de 19 de novembro, as intoxicações resultaram na morte de 16 pessoas. O órgão informou haver 97 casos registrados (62 confirmados e 35 em investigação) e 772 descartados. O estado mais atingido é São Paulo, com 48 casos confirmados e nove óbitos. O fato causou medo nos consumidores, diminuindo o movimento de restaurantes e bares brasileiros, cujas vendas caíram 4,9% em setembro, segundo o Índice Abrasel-Stone, decorrente desse e de outros fatores. Segundo a empresa Neotrust, que monitora o consumo em e-commerce, no Brasil, o faturamento com a venda de bedidas online caiu 47% nos 21 dias após o ocorrido.

 

  1. Pautas impopulares desgastaram imagem da Câmara dos Deputados junto à opinião pública

Em 2025, a Câmara dos Deputados sofreu uma intensa crise de imagem por ter pautado diversas propostas controversas: a PEC da Blindagem, cuja aprovação levantou discussões sobre privilégio institucional e impunidade; o PL da Devastação, aprovado pelo órgão e visto como o maior retrocesso ambiental dos últimos 40 anos; a MP da Taxação BBB (bilionários, bets e bancos) a qual foi tirada de pauta, gerando insatisfação popular pois representava a possibilidade de distribuição de renda mais justa. E o PL da Anistia, cujo pedido de urgência foi aprovado pelo órgão, e que acarretou debates sobre privilégios e impunidade. Tais medidas foram vistas como tentativas de autoproteção política, retrocessos institucionais e ambientais e ataques a direitos civis, sem refletir as demandas da sociedade. Com isso, a instituição sofreu com o descrédito e com a queda de confiança por parte da população brasileira.

 

  1. Ameaças online e ataques violentos a instituições de ensino demandaram atenção

Na manhã do dia 25 de setembro de 2025, durante o intervalo de uma escola de ensino médio do município de Sobral, no Ceará, um ataque a tiros resultou em dois alunos da escola mortos e outros três feridos. Os estudantes baleados estavam no estacionamento da escola, quando foram atingidos por dois atiradores, que chegaram de moto em uma rua próxima, desceram da mesma e atiraram pela grade da escola. Ainda não se sabe o que motivou o crime, porém uma das hipóteses é o confronto entre facções. O caso levantou discussões sobre a segurança em instituições de ensino, desde creches até universidades. Neste mesmo ano, diversas delas sofreram ameaças online, como a Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), a Universidade de São Paulo (USP) e uma escola de Novo Hamburgo (RS).

 

  1. Evento de artes marciais e boxe patrocinado pela Spaten terminou em briga generalizada

No dia 27 de setembro, em São Paulo, os lutadores Acelino Popó Freitas e Wanderlei Silva se enfrentaram no combate principal do Spaten Fight Night 2, evento exclusivo e sofisticado que visava celebrar as artes marciais e o boxe, segundo a Spaten, patrocinadora da luta. Prevista para oito rounds, a luta terminou no quarto round, com vitória para Popó Freitas, devido a advertências que Wanderlei Silva recebeu durante o embate. Após o árbitro ter determinado o fim da luta, os membros das equipes de ambos os lutadores adentraram o ringue, iniciando uma briga generalizada, na qual Popó sofreu uma fratura na mão e Wanderlei foi golpeado no queixo e ficou desacordado. Em nota oficial, a produtora do evento lamentou o ocorrido, prometeu que iria realizar uma investigação interna e afirmou que iria revisar protocolos de segurança, a fim de evitar futuras invasões no ringue. A Spaten se posicionou afirmando que o ocorrido não representa os princípios esportivos e que continuará trabalhando para elevar os valores do esporte e das artes marciais.

 

  1. Tornado no Paraná expôs vulnerabilidade da população a eventos climáticos extremos

No dia 7 de novembro, um tornado de categoria F4 na Escala Fujita, com ventos entre 332 e 418km/h, atingiu o município paranaense de Rio Bonito do Iguaçu, deixando em torno de 90% da cidade destruída e seis mortos. De acordo com a Defesa Civil, quase 1,5 mil casas sofreram danos, mais de 11 mil pessoas foram afetadas e em torno de 1,1 mil delas ficaram desalojadas ou desabrigadas. Os municípios de Guarapuava e Turvo registraram tornados de categoria F4 e F2 respectivamente, deixando um morto nessa primeira cidade e pelo menos 835 feridos em todo o estado. No total, onze municípios foram atingidos. O episódio demandou uma série de medidas do Governo do Paraná, como o direcionamento de R$ 50 milhões do Fundo Estadual de Calamidade Pública (Fecap) para reconstruir a cidade, cobrança de luz e água suspensas e apoio financeiro emergencial e para produtores agropecuários. Da mesma forma, o Governo Federal precisou liberar R$ 25 milhões para obras emergenciais entre outras medidas.

 

RELEMBRE AS CRISES DOS ANOS ANTERIORES:

Relembre as crises que marcaram o ano de 2024

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CONHEÇA NOSSAS ORIENTAÇÕES À SOCIEDADE:

Conheça as orientações do OBCC à sociedade sobre eventos climáticos extremos

Conheça as orientações do OBCC à sociedade sobre ataques violentos a escolas

 

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E-book Risco e Crise no contexto da comunicação organizacional

E-book Glossário de Crise: uma perspectiva comunicacional

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“Cidade rachada: Como a mineração engoliu cinco bairros em Maceió e arruinou a vida de 60 mil pessoas” (Máquina de Livros, 2025) é o livro-reportagem que acaba de ser lançado por Cristina Serra, Jornalista há mais de 30 anos que cobriu a Guerra no Iraque e a Tragédia de Mariana (MG).

A obra analisa os impactos de 40 anos de mineração de sal-gema pela petroquímica Braskem, ação que destruiu cinco bairros de Maceió, capital do Estado de Alagoas. Os danos vão além de aspectos ambientais, sociais e urbanos. A partir de entrevistas realizadas para o livro, a autora revela impactos psicológicos e emocionais nas famílias que perderam tudo.

Para a TVT News, Serra compara o caso de Maceió às tragédias de Mariana (2015) e Brumadinho (2019), denuncia a impunidade e alerta para o risco da especulação imobiliária na região abandonada atualmente. Ela encerra afirmando: “Escrevo sobre isso porque acredito que contar essas histórias é uma forma de lutar contra o esquecimento. [...] Esse desastre precisa ser reparado e lembrado.”

 

Sinopse: A terra tremeu em Maceió na tarde de 3 de março de 2018. Casas, prédios e ruas racharam e cinco bairros começaram a afundar. Parecia terremoto ou cena de filme catástrofe, mas era o resultado de quatro décadas de mineração subterrânea pela petroquímica Braskem, no coração da capital alagoana. Neste livro-reportagem, a jornalista Cristina Serra investiga e denuncia uma das maiores tragédias socioambientais da história recente do Brasil, um desastre silencioso que forçou 60 mil pessoas a deixarem suas casas em troca de indenizações humilhantes. Quase todos os imóveis foram derrubados e parte do paraíso turístico se transformou em cidade fantasma. A autora revela a engrenagem de omissões e conivências que sustentou um negócio bilionário: a imposição da ditadura, a complacência de sucessivos governos e a lógica perversa do lucro acima da vida. Assim como Mariana e Brumadinho, Maceió tornou-se um marco da mineração urbana que devora pessoas e territórios. Com apresentação de André Trigueiro, um dos maiores jornalistas do país em temas ambientais, “Cidade rachada” é um relato sobre dor, resistência e a urgência em repensar o modelo de desenvolvimento que ameaça o próprio chão em que pisamos.

 

Acesse o livro: http://www.maquinadelivros.com.br/product-page/cidade-rachada

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Os resultados mais recentes da Pesquisa de Informações Básicas Municipais - MUNIC 2024, divulgados pelo IBGE, trazem evidências importantes sobre a capacidade comunicacional dos municípios do Rio Grande do Sul frente ao maior desastre climático da história do estado. Mais de 90% das 459 cidades gaúchas foram afetadas por eventos extremos em 2023 e 2024, e os dados mostram que, embora haja avanços significativos na comunicação institucional, persistem lacunas estruturais que impactam diretamente a gestão da crise.

Um dos pontos de maior destaque é o papel da comunicação de risco. Segundo o levantamento, 63% dos municípios emitiram alertas durante os eventos climáticos, um índice relevante, mas insuficiente diante da gravidade das ocorrências. O dado mais preocupante é que um em cada quatro municípios não possui sistema de alerta, evidenciando fragilidades na capacidade de avisar a população com antecedência, coordenar respostas e mitigar danos. A ausência desses sistemas compromete tanto a segurança dos cidadãos quanto a credibilidade das prefeituras na gestão do risco.

 

 

Segundo o relatório da pesquisa, “A importância desses sistemas se torna ainda mais evidente em cenários como o da tempestade de abril de 2024, no Rio Grande do Sul, onde a possibilidade de inundações e deslizamentos exige que as autoridades locais adotem estratégias proativas de comunicação e de prevenção, visando à proteção dos cidadãos e à salvaguarda das infraestruturas urbanas.”

A pesquisa também revela que a maioria dos municípios possui plano de contingência de defesa civil (84,5%), mas nem todos o executaram durante os eventos. As justificativas mais comuns, falta de treinamento técnico e escassez de recursos materiais, apontam para um problema de comunicação governamental: o descompasso entre o planejamento formal e sua operacionalização. Planos que não são ativados geram ruído na percepção pública e podem deteriorar a confiança institucional, especialmente em situações de emergência em que a comunicação precisa ser clara, rápida e coordenada.

 

 

Por outro lado, a MUNIC 2024 mostra avanços expressivos na presença digital das prefeituras. Quase todos os municípios gaúchos possuem site (98,6%) e perfil em redes sociais (95,4%), e mais da metade atualiza seus canais diariamente. Em contextos de crise, essa infraestrutura digital é um ativo estratégico: ela permite que governos municipais publiquem alertas, orientações, rotas de fuga, informações sobre abrigos e atualizações sobre danos em tempo real.

A tendência aponta para uma consolidação da comunicação pública em ambientes digitais, fortalecendo o relacionamento com a população e ampliando o alcance das mensagens oficiais, especialmente em cenários de rápida evolução, como enchentes e deslizamentos. Segundo o relatório, 381 (83,0%) municípios gaúchos atingidos pelo evento climático utilizaram ferramentas de comunicação para informar a população sobre a situação do desastre: 341 faziam uso de redes sociais (X/Twitter, Facebook, Instagram, Bluesky, TikTok, etc.); 318 utilizavam website/portal da prefeitura; 275 usavam aplicativos de mensagens e SMS (WhatsApp e Telegram por exemplo) e 262 deles recorreu à mídia local (rádio, TV e jornal).

 

 

Em crises prolongadas, em que a legitimidade das instituições é constantemente testada, mecanismos de transparência são essenciais para manter a confiança pública, sobretudo quando danos humanos e materiais atingem grandes parcelas da população. Mais de 95% dos municípios possuem estrutura de controle interno, e 59% disponibilizam informações em portais na internet.

A MUNIC 2024, portanto, oferece um panorama sobre como a comunicação - ou sua ausência - influencia a gestão de crises climáticas no Sul do país. O cenário gaúcho revela progressos importantes na comunicação digital e institucional, mas também aponta vulnerabilidades críticas em alerta precoce, capacidade operacional e integração entre planejamento e execução.

Em um contexto de eventos extremos cada vez mais frequentes, fortalecer a comunicação pública não é apenas uma estratégia de gestão: é uma necessidade vital para a segurança e a resiliência das comunidades.

 

Acesse a pesquisa completa aqui.

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Fonte: Pesquisa MUNIC 2024

Perfil dos Municípios Brasileiros: 2024 / IBGE, Coordenação de População e Indicadores Sociais. Rio de Janeiro: IBGE, 2025. 160p. Disponível em: http://biblioteca.ibge.gov.br/index.php/biblioteca-catalogo?view=detalhes&id=2102224

 

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A crise é um dos momentos mais desafiadores, seja na vida pessoal ou nas organizações. A superação das dificuldades depende de um colchão reputacional, trabalhado de forma consistente, responsável, dentro de uma cultura sólida com apoio técnico e profissional. Essas são algumas das lições trazidas pelo livro "Gerindo crises, construindo reputação", da jornalista Soraia Hanna, lançado neste sábado (15).

No livro, ela compartilha aprendizados dos seus mais de 25 anos de trajetória na comunicação do setor público e privado. "Um trabalho de comunicação eficiente é essencial para fortalecer negócios, governos e pessoas. E quem ler o livro entenderá a dimensão estratégica para mitigar riscos ou para saber enfrentar a tempestade com a serenidade necessária para seguir em frente. E, nessa jornada, um apoio profissional qualificado para auxiliar a tomada de decisões pode significar o triunfo ou a derrocada", explica Soraia. 
 
A sessão de autógrafos na Feira do Livro de Porto Alegre reuniu centenas de pessoas, entre executivos, lideranças empresariais, políticas, profissionais do mercado de comunicação e autoridades.

Natural de São Vicente do Sul (RS), a jornalista trabalhou com quatro diferentes governos no Rio Grande do Sul, além de ter atuado na Assembleia Legislativa e liderado a comunicação do Banrisul. Desde 2013, é sócia-diretora executiva da Critério - Resultado em Opinião Pública, uma das principais operações de gestão de reputação no Brasil.

O livro, publicado pela Critério Editorial e Editora AGE, não se resume à gestão de crises, fazendo uma imersão nos bastidores da comunicação em seus momentos mais desafiadores. A obra se organiza em três partes complementares, entrelaçando relatos reais, depoimentos, reflexões estratégicas e lições práticas sobre reputação, comunicação e liderança.

"Este livro deve ser visto como um parceiro de jornada, a ser consultado frequentemente por profissionais de comunicação e lideranças em geral. É do tipo de obra para se ler do início ao fim uma vez, mas para a qual voltamos inúmeras vezes, para saber o que fazer nas mais variadas situações que envolvem imagem, reputação e crises para pessoas físicas e jurídicas”, diz Mateus Colombo Mendes, sócio-diretor da Critério Editorial e editor da publicação, que pode ser adquirida pelo site da Editora AGE.
 
Confira o livro no site da editora.
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A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), o Centro de Informação das Nações Unidas para o Brasil (UNIC Rio) e a Secretaria de Comunicação do Estado do Rio Grande do Sul (SECOM/RS) lançam o Guia de Integridade da Informação no Contexto da Crise Climática no Rio Grande do Sul: Protocolos, Boas Práticas e Governança da Informação para Enfrentar a Infodemia Climática, obra que marca um novo marco para a governança da informação em emergências climáticas no país.

Estruturado sob a abordagem de Uma Só Saúde (One Health), o Guia traduz em diretrizes práticas o que a crise climática de 2024 evidenciou: sem integridade informacional, não há coordenação eficaz, confiança pública ou ação solidária duradoura.

O documento, com mais de 200 páginas, é resultado de seis meses de trabalho colaborativo, envolvendo 10 instituições autoras e 55 especialistas de universidades, órgãos públicos e centros de pesquisa.

Dentre os autores, estão dois pesquisadores do Observatório Brasileiro de Comunicação e Crise (OBCC) - Prof. Dr. Jones Machado e Profª Drª Patrícia Milano Pérsigo - os quais redigiram o capítulo "Comunicação Inclusiva e Acessível em Situações de Risco e de Crise: Mensagens Claras para Todas as Pessoas". 

O Guia representa a convergência entre ciência, comunicação pública e políticas de resiliência territorial. Ele nasce da dor de uma emergência e se transforma em um legado de prevenção e cooperação. Informação íntegra é infraestrutura crítica — sem ela, nenhuma sociedade é resiliente”, afirma Gustavo Buss, coordenador geral e editorial do Guia e assessor regional sênior da Rede Saúde Única (RSU/Fiocruz).

O lançamento oficial será realizado em solenidade de entrega ao Governo do Estado do Rio Grande do Sul, em novembro de 2025, consolidando o documento como referência técnica e metodológica para gestores públicos, comunicadores e instituições científicas.

Reconhecendo sua relevância internacional, o Guia também foi selecionado pela Organização das Nações Unidas para integrar o Mutirão Global pela Integridade da Informação sobre a Mudança do Clima, dentro da Agenda de Ação da COP30, e será apresentado no Celeiro de Soluções, em Belém do Pará. A seleção destaca o protagonismo do Brasil e do Rio Grande do Sul na construção de respostas inovadoras à desinformação climática.

O documento consolida experiências práticas e estudos de caso, como a atuação do Gabinete de Crise de Comunicação e do Núcleo de Combate à Desinformação, que se tornaram referências nacionais em governança da informação. Apresenta ainda protocolos de verificação, diretrizes operacionais, fluxos de comunicação e ações de pré-bunking e educação midiática, reafirmando a informação como pilar da saúde pública, da gestão de risco e da democracia.

O projeto é uma das entregas do Acordo de Cooperação Técnica (ACT) entre a Fiocruz e a Embrapa, que instituiu o Programa de Pesquisa e Inovação Sustentável entre as duas instituições, voltado à integração entre ciência, comunicação e políticas de resiliência climática.

O Guia de Integridade da Informação pode ser acessado e baixado gratuitamente no Portal de Publicações das Nações Unidas (ONU).

 

Instituições Realizadoras:

Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) • Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) • Centro de Informação das Nações Unidas para o Brasil (UNIC Rio) • Secretaria de Comunicação do Estado do Rio Grande do Sul (SECOM/RS).

 

Instituições Autoras:

Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS) • Universidade Federal de Pelotas (UFPEL) • Universidade Federal do Rio Grande (FURG) • Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) • Universidade Federal de São Carlos (UFSCAR) • Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA) • Universidade Feevale (FEEVALE) • Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) • Universidade do Vale do Rio dos Sinos (UNISINOS) • Secretaria de Comunicação do Estado do Rio Grande do Sul (SECOM/RS).

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Por Rosângela Florczak (Professora da PUCRS. Coordenadora do Grupo de Pesquisa Cuidar_Com – Comunicação, Crise e Cultura do Cuidado)

O mês de novembro começou, no Sul do Brasil, com uma sucessão de alertas dos serviços meteorológicos e dos órgãos de proteção e defesa civil. Um ciclone estava a caminho e prometia alto poder de destruição. Repercutidos por governos estaduais e municipais, esses comunicados traziam consigo um elemento central que caracteriza esse tipo de situação: a mais profunda incerteza.

Em um processo forçado de letramento para desastres, a população já não duvida de que o evento ocorrerá, mas se vê diante de uma infinidade de dúvidas que permeiam as conversas cotidianas e, por consequência, a construção de estratégias individuais e coletivas de gestão dos riscos.

Assim como os cidadãos, as organizações públicas, privadas e comunitárias também enfrentam a dúvida. No século da automação, da inteligência artificial e das soluções tecnológicas sofisticadas, a natureza nos coloca novamente em nosso devido lugar, revelando o quanto ainda somos incapazes de precisar informações vitais para nossa proteção: quando, onde e com que intensidade?

Os comportamentos diante da incerteza se diversificam. Há o medo e o pânico que paralisam, especialmente entre aqueles que já viveram desastres recentes, mas há também lideranças que começam, ainda que lentamente, a vencer a incredulidade. Persistem os que fazem piadas com os alertas ou preferem apostar no otimismo, mas cresce o número dos que planejam múltiplos cenários e respostas possíveis.

No âmbito governamental, prefeitos e governadores parecem ter aprendido com os eventos de 2023 e 2024 e agora se posicionam como porta-vozes legitimadores dos órgãos de defesa e proteção. Nas empresas, planos de contingência começam a ser ativados, e nas comunidades cresce a consciência de que será preciso ir além das ações do poder público para enfrentar o desespero que se renova a cada novo episódio.

Entre a inundação de 2023, no Vale do Taquari (RS), o desastre de 2024 que atingiu mais de 90% do Rio Grande do Sul e o tornado que devastou Rio Bonito do Iguaçu, no Paraná no dia 7 de novembro de 2025, muitos outros eventos menores ocorreram em poucos anos. Corpos e histórias vêm sendo recolhidos entre os destroços, testemunhando nossa vulnerabilidade. Ninguém sabe quando nem onde ocorrerão os próximos desastres, mas todos sabemos que continuarão acontecendo. É hora de encarar esse novo comum e preparar as pessoas para viver nele.

 

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Artigos assinados expressam a opinião de seus autores.

 

 

 

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A primeira edição do Colóquio Cuidar_Com Comunicação e cuidado em tempos de eventos extremos: pesquisa e prática em diálogo ocorre em 14 de novembro de 2025, das 14h às 17h30, na sala 318 da Escola de Comunicação, Artes e Design - Famecos da PUCRS. O encontro propõe articular pesquisa, prática e protagonismo comunitário para fortalecer a cultura do cuidado em contextos de eventos extremos.

 

A programação inclui abertura institucionais e apresentações de pesquisa, seguidas por um diálogo sobre comunicação de risco com foco na participação social.

 

O Cuidar_com é um grupo que articula atividades de pesquisa e extensão voltadas à comunicação em contextos de crise. A iniciativa reúne o Grupo de Pesquisa do CNPq Crise, Comunicação e Cuidado, que investiga estratégias de comunicação para prevenção e contenção de eventos críticos em áreas como saúde, educação, meio ambiente e desastres; o projeto de extensão Comunicação para a Cultura do Cuidado (Proext-PG 2024–2025), que desenvolve ações voltadas ao enfrentamento de desastres em comunidades vulneráveis de Porto Alegre; e o Laboratório de Comunicação de Risco. As atividades são desenvolvidas por pesquisadores do Programa de Pós-graduação em Comunicação da PUCRS.

 

 Confira a programação completa:

 

  • 14h - 14h45 | Abertura

Abertura com Rosângela Florczak, professora/coordenadora do Cuidar_Com, e representantes de comunidades, instituições e pesquisadores convidados.

 

  • 15h - 16h15 | Pesquisa em movimento

Apresentação de estudos conduzidos por Rafaela Redin, Luana Chinazzo, Júlia Machado, Thaíse Ribeiro de Chaves e Janis Morais.

 

  • 16h30 - 17h | Comunicação de risco: a voz das comunidades na construção da cultura do cuidado

 

O Colóquio é um convite à construção coletiva de saberes e práticas voltadas ao cuidado em situações de risco, reunindo pesquisadores, representantes comunitários e profissionais interessados em fortalecer estratégias comunicacionais e de resposta a eventos extremos.

 

Data e horário: 14 de novembro de 2025, das 14h às 17h30

Local: Famecos, prédio 7 da  PUCRS, sala 318

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