OBCC-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/projetos/institucional/observatorio-crise Observatório Brasileiro de Comunicação e Crise Tue, 03 Mar 2026 23:53:07 +0000 pt-BR hourly 1 http://wordpress.org/?v=6.9 /app/themes/ufsm/images/icons/favicon.ico OBCC-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/projetos/institucional/observatorio-crise 32 32 OBCC-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/projetos/institucional/observatorio-crise/2026/03/03/lancamento-lideranca-crise-e-transformacao-digital-obra-gratuita-reune-pesquisadores-latino-americanos Tue, 03 Mar 2026 23:53:05 +0000 http://www.55bet-pro.com/projetos/institucional/observatorio-crise/?p=595 O livro “Comunicação organizacional: liderança, crise e comunicação digital” acaba de ser lançado em formato gratuito e on-line, oferecendo uma contribuição relevante para a compreensão crítica dos desafios comunicacionais em contextos organizacionais contemporâneos. Disponível para download pela PUCRS Editora, a obra coletiva reúne capítulos que exploram, sob diferentes perspectivas teóricas e empíricas, a importância da comunicação como eixo estratégico nas organizações, especialmente diante de crises e da rápida transformação digital.

A publicação abre sua coletânea com a apresentação dos organizadores — Rebeca-Illiana Arévalo-Martínez, Rosângela Florczak de Oliveira e Rogelio Del Prado-Flores — que situam a obra nos desafios contemporâneos da comunicação organizacional, conectando liderança, crise e comunicação digital.

 

Em seguida, o primeiro capítulo, assinado por Rogelio Del Prado-Flores e Rebeca-Illiana Arévalo-Martínez, aborda os desafios éticos nas crises de comunicação organizacional em contextos de trabalho à distância; logo depois, os mesmos organizadores com o pesquisador exploram a caracterização da comunicação organizacional digital em diferentes tipos de organizações e instituições. O terceiro capítulo, de Carolina Frazon Terra (membro do OBCC), discute crises geradas por recursos de inteligência artificial e seus impactos na comunicação organizacional, trazendo casos exemplares. Na sequência, Cleusa Maria Andrade Scroferneker reflete sobre as contradições da comunicação digital nas universidades brasileiras; Guillermo García Mayo apresenta disputas de poder nos mercados ligados à indústria da mobilidade; Márcia Pillon Christofoli e Cleusa Scroferneker tratam das interfaces entre comunicação, discurso e cultura organizacional para uma liderança sensível; Juremir Machado da Silva discute direitos humanos como fundamento da humanidade nas organizações; Fernando Carara Lemos e Luciana Buksztejn Gomes abordam a educação e treinamento em comunicação para lideranças; Luciana Silva Corrêa e Maria Aparecida Ferrari analisam liderança e etarismo digital nas organizações; e Angélica De la Veja apresenta um capítulo sobre liderança transformacional e storytelling em crises organizacionais, entre outros temas que ampliam o escopo da obra.

A publicação, fruto de uma parceria entre instituições acadêmicas latino-americanas, fortalece o diálogo entre teoria e prática, reunindo reflexões que podem servir de referência para pesquisadores, docentes, estudantes e profissionais da comunicação. O fato de estar disponível gratuitamente em formato digital reforça o compromisso com a democratização do conhecimento na área e com a disseminação de repertório crítico sobre liderança, crise e inovação comunicacional em tempos de disrupção tecnológica.

 

Serviço

Comunicação organizacional: liderança, crise e comunicação digital

Organizadores: Rebeca-Illiana Arévalo-Martínez; Rosângela Florczak de Oliveira; Rogelio Del Prado Flores

Editora: PUCRS

Ano: 2026

Páginas: 263

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OBCC-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/projetos/institucional/observatorio-crise/2026/02/12/fique-atento-falhas-na-comunicacao-de-alerta-sobre-a-depressao-kristin Thu, 12 Feb 2026 13:14:45 +0000 http://www.55bet-pro.com/projetos/institucional/observatorio-crise/?p=593 Por Bianca Persici Toniolo (Doutora em Ciências da Comunicação)

 

A passagem da depressão Kristin expôs de forma evidente fragilidades estruturais na comunicação de emergência em Portugal. As mortes, os danos materiais e o impacto psicológico nas populações afetadas levantam uma questão central que não pode ser ignorada: a forma como o risco foi comunicado contribuiu para a incapacidade de muitos cidadãos adotarem medidas de autoproteção eficazes?

Importa sublinhar um dado incontornável: o número de vítimas mortais apenas não foi mais elevado porque o fenómeno ocorreu durante a noite. Caso o pico de intensidade se tivesse verificado em período diurno, com maior mobilidade populacional, o desfecho poderia ter sido significativamente mais grave. Este facto, por si só, reforça a importância da comunicação de emergência como instrumento de mitigação de danos.

A mensagem de alerta transmitida às populações resumiu-se a um SMS genérico sobre vento de até 140 km/h de intensidade, acompanhado da expressão “fique atento” e da recomendação para seguir orientações das autoridades. Mas quais orientações? Como os resultados da passagem da depressão Kristin por Portugal, infelizmente, comprovaram, esta comunicação foi insuficiente para promover a perceção adequada do risco e para orientar comportamentos preventivos concretos.

 

 

Informar não é sinónimo de comunicar. A transmissão de dados isolados, desprovidos de contextualização, não ajuda os cidadãos a compreenderem o significado real do perigo nem a traduzirem esse conhecimento em ações protetoras.

Uma escalonada no tempo, com reforços sucessivos à medida que a ameaça se tornava mais próxima, poderia ter promovido uma perceção de risco progressiva e a ativação atempada de medidas de autoproteção. Ao mesmo tempo, a articulação entre autoridades meteorológicas, proteção civil, poder local e meios de comunicação social teria permitido uma mensagem mais consistente e contextualizada ao nível do território.

A comunicação de emergência é um estágio crítico dentro de um continuum comunicacional que se inicia na comunicação de risco e evolui para a comunicação de crise diante da iminência de um desastre. Este período de transição, quando um risco está prestes a materializar-se ou acaba de se manifestar, constitui uma janela decisiva para reduzir impactos humanos, materiais e ambientais.

A literatura sobre comunicação de risco e crise sublinha que, na fase de alerta — que marca a transição entre risco e crise — as mensagens devem ir além da simples notificação da ameaça. Devem convocar a ação imediata, fornecer orientações claras e acionáveis, manter um fluxo permanente de informação, indicar recursos disponíveis e reforçar a capacidade dos cidadãos para se protegerem de forma autónoma e coordenada. Quando esta comunicação falha, instala-se a incerteza, reduz-se a adesão às recomendações institucionais e aumenta-se a vulnerabilidade coletiva.

No caso da depressão Kristin, a ausência de instruções explícitas sobre comportamentos seguros — como a permanência em casa, a limitação de deslocações, o afastamento de estruturas frágeis ou a proteção de bens e animais — comprometeu a capacidade de resposta das populações. A mensagem transmitida não refletiu a gravidade potencial do fenómeno nem traduziu a linguagem técnica em implicações concretas para o quotidiano das pessoas. O resultado foi uma comunicação que alertou, mas não preparou; informou, mas não protegeu.

Quando a crise se concretiza, entra-se na fase de socorro, na qual a comunicação deve concentrar-se na proteção imediata da população, no reforço da perceção de risco, na divulgação de instruções práticas de autoproteção e na atualização constante da informação disponível. Esta fase exige mensagens acessíveis, inclusivas e adaptadas à diversidade social, etária e funcional da população. No entanto, a eficácia desta resposta depende, em grande medida, da qualidade da comunicação estabelecida na fase anterior, bem como da resiliência dos próprios sistemas de comunicação utilizados.

A degradação de infraestruturas essenciais, nomeadamente fornecimento de eletricidade e acesso à internet, limitou a capacidade de difusão de informação em tempo útil e expôs a fragilidade de estratégias excessivamente dependentes de canais digitais no caso em questão. Em emergências, é fundamental que os mecanismos de comunicação não dependam exclusivamente de tecnologias vulneráveis à própria crise, devendo ser assegurada a existência de recursos alternativos e redundantes capazes de alcançar as populações mesmo em cenários de falha sistémica.

O impacto da comunicação deficiente não se mede apenas em danos materiais. Mede-se também na erosão da confiança institucional e na sensação de abandono sentida por muitas comunidades. Quando a última mensagem recebida antes de um evento extremo é vaga e genérica, o que se instala é a perceção de que a proteção individual foi deixada ao acaso.

A fase de recuperação, que se segue ao socorro, não deve limitar-se à reconstrução física. Deve incluir uma reflexão crítica sobre os processos comunicacionais adotados, com vista ao fortalecimento da resiliência social e institucional. Recuperar implica aprender, corrigir falhas e reconstruir a confiança entre autoridades e cidadãos. Implica reconhecer que a comunicação é, ela própria, uma forma de intervenção.

Diante da intensificação dos fenómenos meteorológicos extremos, a questão central não é se eventos semelhantes voltarão a ocorrer, mas quando irão decorrer. Quando isso acontecer, a eficácia da resposta não dependerá apenas dos meios técnicos disponíveis, mas também da capacidade de comunicar o risco de forma clara, compreensível e orientada para a ação. Um simples “fique atento” não é suficiente para salvar vidas. Comunicação de emergência exige clareza, responsabilidade e compromisso com a proteção efetiva das populações.

 

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Artigos assinados expressam a opinião de seus autores.

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OBCC-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/projetos/institucional/observatorio-crise/2026/02/02/gestao-de-crise-com-influenciadores-pode-isso-arnaldo Mon, 02 Feb 2026 12:25:34 +0000 http://www.55bet-pro.com/projetos/institucional/observatorio-crise/?p=590 Por Carolina Frazon Terra (Doutora em Ciências da Comunicação, Professora na USP)

 

Na verdade, pode, né. Agora, pagar influenciadores para participar de um almoço de esclarecimento já colocando os termos dessa participação em um e-mail que solicita valores e posturas dos influs, soa estranho e antiético.

O e-mail foi disparado, supostamente, pela agência responsável pelo Banco BRB para convidar influenciadores do campo das finanças (os finfluencers) para um almoço. A presença desses influenciadores seria PAGA, com stories e 1 reels resumo. Ou seja, a ação não era de relacionamento, nem de esclarecimento, nem de gestão de crise. Era publi pura.

 

Fonte: montagem a partir de postagem do perfil de Instagram da finfluencer Nathalia Arcuri.

 

Em uma outra ocasião, Issaaf Karhawi e eu publicamos um artigo falando justamente de crises organizacionais que usaram influenciadores para tentar mitigar o problema. Falamos de quando a Loccitane usou o Rodrigo Goes para assumir um erro de campanha, de quando a Enel pagou o Felipe Titto para falar dos apagões em São Paulo – e só tomou porrada – e de quando iFood contratou a Astrid para conscientizar o povo a descer quando o entregador chega.

 

A linha entre isso dar certo ou não é tênue, pois:

  • as pessoas encaram que esse dinheiro gasto deveria estar indo para a solução da crise e não para promover a empresa.
  • um influenciador tem fãs e haters. Os detratores vão cair matando.
  • uma crise é sempre um problema para uma organização. Alguns pensam se realmente é hora de investir em promoção de imagem.

 

No caso dos “exposeds” feitos pelos influenciadores contatados pela Flap, estes “(…) entenderam que foi uma busca orçamentária inadequada, diante do escândalo do banco Master, da liquidação do banco e do impedimento, decretado pelo BC, de o BRB comprar o Master” (Camila Bonfim**, G1, 29 jan. 2026).

 

Fonte: montagem a partir de postagem do perfil de Instagram da finfluencer Nathalia Arcuri.

 

A agência responsável pela ação foi obrigada soltou um comunicado dizendo que foi uma sondagem feita sem o conhecimento do banco BRB. Pessoalmente, achei simplista jogar a culpa na agência, mas…é só achismo meu mesmo.

 

Dá para usar influenciadores em gestão de crises? Depende.

  • Depende se esse influenciador tem conexão com a sua marca e já a defendeu ou a usa.
  • Depende se você está pagando ou não.
  • Depende da gravidade do caso.
  • Depende da reputação da sua organização e a do influenciador (ou influenciadores) em questão.
  • E depende se isso vai ser encarado como um pagamento para um “cala-boca” (um silenciamento) ou não.

 

Tô pensando em mandar o Glossário de Crises: uma perspectiva comunicacional para a agência e para o Banco. Será que eles leriam?

 

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Artigos assinados expressam a opinião de seus autores.

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OBCC-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/projetos/institucional/observatorio-crise/2026/02/01/lancamento-de-livro-as-primeiras-24hs-de-uma-crise-no-ambiente-hospitalar Mon, 02 Feb 2026 00:47:07 +0000 http://www.55bet-pro.com/projetos/institucional/observatorio-crise/?p=588 Obra apresenta estratégias de gestão de imagem e reputação para hospitais diante de cenários críticos

A plataforma Clube de Autores acaba de lançar o livro “As Primeiras 24hs de uma Crise no Ambiente Hospitalar – Gestão de Imagem e de Reputação”, um guia abrangente e atual sobre como instituições de saúde devem se preparar, reagir e se posicionar nos momentos mais delicados de uma crise.

Voltado a profissionais de comunicação, marketing, gestores hospitalares e estudantes da área da saúde, a obra parte de um ponto decisivo: as primeiras 24 horas de uma crise são determinantes para a preservação – ou a perda – da credibilidade institucional. “Decisões tomadas nesse intervalo crítico impactam diretamente a confiança de pacientes, familiares, colaboradores, imprensa, órgãos reguladores e da opinião pública”, explica o autor, o jornalista João Fortunato.

O livro apresenta estratégias práticas de Gestão de Crise de Imagem e Reputação, com foco em comunicação assertiva, elaboração de planos de contingência, definição de porta-vozes, relacionamento com a mídia e gestão das redes sociais em situações de alta exposição. Também aborda métodos eficazes para a reconstrução da confiança pública após episódios críticos.

Além da resposta imediata, a obra oferece insights valiosos sobre prevenção e antecipação de riscos, destacando a importância do preparo institucional, da integração entre áreas estratégicas e da cultura de gestão de crise no ambiente hospitalar. Em um cenário midiático cada vez mais veloz, sensível e amplificado pelas redes sociais, o livro reforça que improviso não é uma opção.

Com uma abordagem clara, aplicada e alinhada às transformações do setor da saúde, a publicação é leitura essencial para quem busca proteger, fortalecer e sustentar a imagem e a reputação de instituições de saúde, mesmo diante de situações adversas.

 

Sinopse

Este livro abrangente oferece um guia indispensável sobre Gestão de Crise de Imagem e Reputação especificamente voltado para hospitais e instituições de saúde. Desenvolvido para profissionais de comunicação, marketing, gestores hospitalares e estudantes da área da saúde, o conteúdo apresenta estratégias eficazes para lidar com situações críticas que podem afetar a imagem e a reputação de estabelecimentos de saúde. O material explora técnicas de comunicação assertiva, planos de contingência, gestão de mídias sociais em momentos de crise e métodos para reconstrução da confiança pública. Além disso, o livro oferece insights valiosos para a prevenção e o manejo de crises. Com uma abordagem prática e atual, este recurso é essencial para quem busca proteger e fortalecer a imagem de instituições de saúde em um cenário midiático cada vez mais desafiador. Aprenda a antecipar riscos, gerenciar eficientemente situações de emergência e manter a credibilidade da sua instituição mesmo em momentos de adversidade.

 

Sobre o autor

João Fortunato é jornalista profissional, produtor audiovisual e professor universitário. Trabalhou em diversos jornais e revistas de São Paulo. Após iniciou-se em Comunicação Corporativa e exerceu a atividade no Brasil e Exterior. É especialista em Gestão da Comunicação em Situações de Crise e Treinamentos de Mídia para executivos. Nos últimos tempos tem se dedicado a aprender as nuances das novas mídias do universo virtual. É graduado em Comunicação Social, habilitação em jornalismo, e em Produção Audiovisual, pós-graduado em Comunicação Corporativa e mestre em Comunicação e Cultura Mediática. É professor universitário.

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Com informações do Clube de Autores.

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OBCC-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/projetos/institucional/observatorio-crise/2026/01/27/quando-a-mentira-aprende-a-lavagem-de-informacao-na-era-da-ia Tue, 27 Jan 2026 14:34:40 +0000 http://www.55bet-pro.com/projetos/institucional/observatorio-crise/?p=587 Por Elsa Lemos (Especialista em Comunicação de Crise e Mestre em Guerra de Informação)

 

A expressão Information Laundering — lavagem de informação — não é ainda de uso comum fora de círculos especializados, mas descreve um fenómeno que já está plenamente instalado no espaço público. Ouvi de novo o termo recentemente e fiquei com a sensação clara de que estamos a subestimar o seu alcance. Talvez porque, ao contrário da desinformação clássica, esta prática não se apresenta somente como mentira. Pelo contrário: é silenciosa, opera de forma discreta, cumulativa e com um impacto que só se percebe quando já está instalado.

 

Nas crises contemporâneas, a manipulação informativa deixou de ser apenas um subproduto do caos. Tornou-se uma ferramenta estratégica para desestabilizar, descredibilizar e influenciar pessoas, organizações e Estados. O caso da guerra na Ucrânia é paradigmático, mas não é excecional. Hoje sabemos que campanhas coordenadas de desinformação russa estão a infiltrar-se no próprio ecossistema da inteligência artificial generativa. Não porque a IA ‘mente’, mas porque é treinada num ecossistema digital que pode ser intencionalmente contaminado.

 

Quando um verdadeiro exército de sites é criado para disseminar narrativas falsas ou enviesadas — muitas vezes escritas para serem bem indexadas por motores de busca — o efeito não se limita ao público humano. Esses conteúdos passam a fazer parte do tecido informacional da Internet. À medida que se tornam predominantes, modelos de IA como o ChatGPT, Claude, Gemini, Grok ou Perplexity podem incorporá-los nos seus processos ou considerá-los fontes “potencialmente válidas”. O resultado é simples e inquietante: respostas que repetem, normalizam ou amplificam propaganda. É isto a que chamamos de Lavagem de Informação.

 

Tal como na lavagem de dinheiro, a lógica é a da legitimação progressiva. Uma informação falsa ou manipulada percorre diferentes canais, muda de contexto, ganha novas “assinaturas” e, ao fim de algum tempo, parece limpa. Credível. Aceitável. Mas isto não é apenas desinformação, eu chamaria de engenharia reputacional aplicada à mentira.

 

Se deslocarmos o foco da geopolítica para a escala organizacional ou individual, o mecanismo mantém-se. Onde há Estados, há adversários; onde há empresas, há concorrentes; onde há líderes, CEO’s ou figuras públicas, há críticos organizados, haters ou campanhas coordenadas. Conteúdos repetitivos, ataques subtis à reputação, narrativas insinuadas como “dúvidas legítimas”. A escala pode variar, mas o impacto é real. Entramos aqui no domínio da guerra cognitiva, ainda pouco discutida, exceto nos meios militares.

 

Neste processo, as narrativas não se limitam a redes sociais. Espalham-se por múltiplos sites que aparentam ser meios independentes, blogs especializados ou plataformas de opinião. Frequentemente, esta técnica é combinada com outra: a inundação informativa. Grandes volumes de conteúdo são lançados para ocupar o espaço mediático, abafar vozes críticas e diluir factos verificados. Não é um fenómeno novo — grupos extremistas como a Al Qaeda já o faziam — mas a tecnologia atual deu-lhe uma escala sem precedentes. O mecanismo é tecnicamente simples, mas com efeitos profundos: a falsidade percorre uma cadeia de validações até adquirir aparência de credibilidade. E se já desconfiávamos das redes sociais como veículos de desinformação, a integração da IA neste ecossistema elevou o problema a outro patamar. Não se trata de alarmismo. Trata-se de realismo estratégico.

 

Num cenário de crise contínua — aquilo a que hoje se chama permacrise — este fenómeno encontra terreno fértil. As pessoas estão emocionalmente vulneráveis, à procura de orientação, de segurança, de algo em que acreditar. Públicos internos, clientes, cidadãos e decisores tornam-se mais suscetíveis a conteúdos emocionais, imagens chocantes, rumores dramatizados e narrativas que alimentam o pânico. A ciência ajuda-nos a perceber porquê. Estudos em neurociência e psicologia cognitiva mostram que a desinformação prospera porque explora vulnerabilidades que todos partilhamos. Em contexto de stress, as emoções ganham primazia sobre a avaliação racional. Procuramos respostas rápidas. Confiamos em quem comunica com segurança. E, ironicamente, estes mesmos mecanismos afetam também quem comunica oficialmente.

 

Na comunicação de crise, o fator humano é frequentemente o elo mais frágil. Viéses cognitivos entram em ação sem que nos apercebamos. O viés da simpatia, por exemplo, surge quando queremos ser prestáveis. Em plena crise, um colaborador pode achar que está a ajudar um cliente ansioso ou um jornalista insistente e acaba por partilhar informação que ainda não devia ser pública. Pequenos detalhes “inofensivos” transformam-se em ruído, confusão ou risco reputacional.

 

Já o viés da autoridade leva-nos a confiar automaticamente em quem parece ocupar uma posição legítima. Um email que aparenta vir da liderança, de uma entidade oficial ou de um “especialista” pode desencadear a partilha de dados sensíveis sem verificação adequada. Em contextos de pressão, estes atalhos mentais tornam-se perigosos.

 

Perante este cenário, a resposta não pode ser improvisada. A transparência — em crise e fora dela — continua a ser um pilar central, porque a opacidade alimenta o espaço da manipulação. Porta-vozes e lideranças treinadas reduzem o risco de mensagens contraditórias ou emocionalmente reativas. Protocolos definidos antes da crise evitam que o rumor corra mais depressa do que a organização. Processos internos de verificação ajudam a distinguir o real do fabricado antes que a narrativa se consolide. E, sobretudo, verificar e desmentir deixa de ser opcional.

 

Mas nada disto funciona de forma isolada. A resposta à desinformação exige uma estratégia integrada, que envolva media, stakeholders internos, sociedade civil e, quando aplicável, entidades públicas. A narrativa só se sustenta quando é construída com consistência e legitimidade.


A pergunta final é desconfortável, mas necessária: se amanhã alguém lançar uma campanha de lavagem de informação sobre si ou sobre a sua organização — com imagens fabricadas, perfis falsos, “fontes credíveis” e mensagens repetidas em volume — estaria preparado para responder? Estaria disposto a priorizar a transparência, mesmo que isso implique admitir vulnerabilidades ou limites? Se a resposta for “não tenho a certeza”, então este é o momento certo para agir. A credibilidade não se constrói no dia da crise! Constrói-se muito antes, com treino, protocolos, capacidade de verificação e consciência de que, hoje, a batalha não é apenas pelos factos, mas pela forma como estes são percebidos, legitimados e recordados.

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Artigos assinados expressam a opinião de seus autores. 

*artigo publicado originalmente no Blog Elsa Lemos Crisis Communication e na newsletter Crisis News.

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AÇÃO PARA A PREVENÇÃO DE TRAGÉDIAS

O coletivo “Kiss: Que Não Se Repita”, formado por amigos e familiares de vítimas e por sobreviventes da tragédia, lança hoje o Canal de Denúncias “Alerta Kiss – informação que salva”, voltado a receber relatos anônimos sobre segurança em casas noturnas no Estado do Rio Grande do Sul.

O objetivo é prevenir para evitar novas tragédias, tendo em vista que antes e após o acontecimento em Santa Maria, ocorreram outros incêndios com características e causas semelhantes em bares e boates ao redor do mundo. O último caso, em 2026, foi o incêndio no Bar Le Constellation, em Crans-Montana, na Suíça, que deixou 40 mortos e mais de 100 feridos, evidenciando fatores já conhecidos que levam a tragédias deste tipo, a saber, superlotação, uso de fogos de artifício em locais fechados, problemas com rotas de fuga e saídas de emergência.

Tais fatores somados a problemas com extintores, materiais inflamáveis e problemas com alvarás, entre outros, foram apontados como as causas da tragédia de Santa Maria. Nessa direção, pela recorrência de acontecimentos com as mesmas causas, estes riscos estão agora no radar do canal de denúncias que receberá e analisará as mensagens antes de repassar às autoridades.

 

MEMÓRIA E RESPEITO

Já no âmbito da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), instituição na qual estudava a maioria das vítimas da tragédia, foi instituído neste ano o dia 27 de janeiro como o Dia de Memória às Vítimas do Incêndio da Boate Kiss.

A iniciativa considerou o profundo impacto humano, social e institucional do referido evento sobre a comunidade universitária e a sociedade santa-mariense, a importância da preservação da memória coletiva, do respeito às vítimas e a seus familiares, bem como do compromisso institucional com a reflexão, a solidariedade e a promoção de uma cultura de cuidado, prevenção e valorização da vida.

No dia 27 de janeiro, portanto, ficam suspensas as atividades acadêmicas e administrativas na UFSM, ao mesmo tempo que as unidades acadêmicas e administrativas poderão, respeitada sua autonomia, promover atividades de caráter memorial, educativo, reflexivo ou cultural, voltadas à preservação da memória das vítimas, à promoção da segurança coletiva e à valorização da vida. 

 

Em Santa Maria, desde 2023, uma lei municipal (6.839/2023) instituiu a Semana em Memória às Vítimas da Tragédia da Boate Kiss, sendo parte do Calendário Oficial da cidade. Desde lá, entre 21 e 27 de janeiro de todos os anos ocorre a semana “Lembrar para não se repetir”, fomentando ações de conscientização, ensino e prevenção de incêndios.

 

Confira a programação completa dos eventos de homenagens e debates

13 anos de saudade: programação completa

 

Mais sobre a tragédia da Boate Kiss

Boate Kiss: a tragédia de Santa Maria em e-books, documentários e artigos

Boate Kiss: memorial virtual

 

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Fontes

Portaria Normativa UFSM N. 104/2026

Coletivo “Kiss: que não se repita”

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“Fenda” (Memorial Brumadinho)

 

Em 2023, um termo de compromisso intermediado pelo Ministério Público criou o Memorial Brumadinho, construído no local onde a tragédia ocorreu e fruto da mobilização da Associação dos Familiares de Vítimas e Atingidos pelo Rompimento da Barragem Mina Córrego do Feijão em Brumadinho (Avabrum). Aberto ao público há um ano e constituindo um marco de memória e luta por justiça, a iniciativa busca preservar a memória dos trabalhadores, turistas e moradores da comunidade, cujas vidas foram interrompidas naquele dia. Mais do que somente um espaço de memórias e lembranças, o Memorial promove iniciativas de reflexão (como exposições, ações educativas e culturais) sobre uma das maiores tragédias humanitárias do país. No Monumento tudo comunica: informação, arquitetura e geografia se unem em um propósito de memória viva, apresentada pela perspectiva daqueles diretamente atingidos pela tragédia. Uma verdadeira lição sobre a importância da participação desse público na governança do Memorial.

 

Espelho d’água, Sala Memória e Mirante (Memorial Brumadinho)

 

O aprendizado central de um fato tão devastador deve estar na importância da prevenção de crises e na mitigação de danos, caso elas sejam inevitáveis. Para isso, uma boa gestão de risco baseia-se em informações confiáveis, claras e tempestivas. Para sua efetividade, é essencial uma comunicação multissetorial que seja não apenas contínua e dinâmica, mas também humanizada e personalizada para cada contexto. Com ações responsáveis é possível transformar alertas técnicos em prevenção real. O caso Brumadinho impõe que a gestão de risco e crise jamais seja vista como um simples protocolo, mas como um compromisso ético constante.

 

Infelizmente, no exato dia em que se recordam os sete anos da tragédia de Brumadinho, um reservatório da Vale transbordou, no limite entre Congonhas e Ouro Preto, na Região Central de Minas Gerais, e provocou o alagamento de áreas da CSN Mineração. Sem registro de danos diretos à população, o episódio reacende o alerta sobre os riscos da mineração e sobre a importância da gestão de riscos. 

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OBCC-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/projetos/institucional/observatorio-crise/2026/01/21/obcc-completa-3-anos-e-reforca-o-papel-da-comunicacao-na-gestao-de-riscos-e-de-crises-no-brasil Wed, 21 Jan 2026 12:30:01 +0000 http://www.55bet-pro.com/projetos/institucional/observatorio-crise/?p=573 Os últimos 3 anos no Brasil foram marcados por dezenas de eventos críticos e de crises importantes. Algumas delas se repetem, principalmente relacionadas a eventos climáticos extremos, a ameaças e ataques a instituições de ensino, a acidentes, à falta de ética e à má-gestão por parte de governos e empresas. 

Apesar de avanços nos esforços de gestão de crises – e isso inclui a comunicação -, a cada novo evento crítico ainda se evidencia uma cultura voltada para o contingenciamento pontual das situações, o que demonstra fragilidades nos processos de prevenção e de preparação, bem como a limitação na capacidade de resposta das organizações.

Nesse contexto, o Observatório Brasileiro de Comunicação e Crise tem o papel não apenas de registrar os acontecimentos críticos. Por meio de notícias, artigos, entrevistas, catalogação de produção científica e de orientações, pretende informar e orientar a população e as organizações, inspirar ações, hábitos e comportamentos relacionados a situações de risco e de crise, apoiar e suscitar pesquisas acadêmicas, além de provocar a criação de políticas públicas.

De forma mais abrangente, em sua atuação nestes 3 anos, o OBCC conseguiu gerar discussões e reflexões em todos os âmbitos, desde pequenas comunidades, passando pelas universidades, resultando em ações concretas pelas organizações e pelo Poder Público.

Para esta missão, o projeto dispõe de uma equipe formada por pesquisadores e professores de cinco instituições: UFSM, UFRGS, USP, Fiocruz e PUCRS. Além disso, conta com um Conselho Consultivo formado por especialistas sêniores de universidades do Brasil e de Portugal, e também, com colaboradores eventuais que atuam nas áreas de comunicação, risco e crise.

 

O OBCC em números

 

Nestes 3 anos, o OBCC buscou diversificar o formato dos conteúdos disponibilizados ao público no portal: de sugestões de filmes e séries, passando por uma biblioteca virtual de livros, capítulos de livro, artigos científicos, teses e dissertações, a links de relatórios internacionais. Confira em números a atuação do Observatório a partir da realização de entrevistas, da publicação de notícias e de artigos de opinião entre outros:

 

 

E-books lançados pelo OBCC

 

Um dos principais objetivos do Observatório é construir e fazer circular o conhecimento, contribuindo para a geração de novos saberes. Nessa direção, ao longo destes 3 anos, lançamos dois e-books gratuitos disponíveis para download:

 

Risco e Crise no contexto da comunicação organizacional (2024)

Este e-book é composto pelos principais conteúdos publicados no portal do Observatório entre os anos de 2023 e 2024. Trata-se de entrevistas e artigos de opinião de especialistas, incluindo professores universitários, pesquisadores, consultores em gestão de crise e gestores de empresas de comunicação. Dentre os temas abordados pelos autores e entrevistados estão inteligência artificial, cobertura midiática, media training, reputação, diversidade, visibilidade, entre outras interfaces relacionadas aos assuntos-chave do Observatório: risco, crise e comunicação. A obra conta com o prefácio da Profª Drª Andréia Silveira Athaydes (UFSM), Coordenadora do Latin American Communication Monitor no Brasil. Segundo ela, “Para os que já atuam na temática, a obra propicia a reflexão sobre o seu fazer a fim de qualificar e aprofundar o conhecimento sobre o tema. Afinal, a crise é excelente para nos transformarmos em pessoas e organizações melhores”.

 

Glossário de Crise – uma perspectiva comunicacional (2025)

Fruto da construção coletiva e colaborativa de dezenas de pesquisadores, professores e profissionais de mercado, o e-book tem como objetivo tornar mais acessíveis conceitos, termos técnicos e expressões relacionadas a risco e crise no contexto das organizações e da sociedade. A perspectiva da obra é a comunicacional, contribuindo para uma maior familiaridade com os conceitos, para a popularização da ciência e para o fortalecimento do pensamento da área sobre o tema. Com prefácio de João José Forni – um dos primeiros consultores na área de gestão de crises e comunicação no Brasil – a obra é composta por 60 verbetes, a exemplo dos termos matriz de risco, hora de ouro, percepção de risco, policrises e prontidão. Para sua elaboração contribuíram 47 convidados de seis países (Brasil, Espanha, Estados Unidos, Inglaterra, Japão e Portugal), incluindo W. Timothy Coombs, referência mundial em comunicação de crise.

 

O Observatório nos espaços de debate

 

Em 2024, o OBCC participou da mesa-redonda “Comunicação de Riscos e Engajamento Social para a efetividade do primeiro Plano Nacional de Proteção e Defesa Civil”, a convite do Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR). O foco do evento foi promover a discussão e o levantamento de proposições voltadas à concepção de orientações, protocolos, mecanismos, iniciativas, programas e ações para a ampla divulgação do Plano Nacional, visando à adoção e à aplicação bem-sucedida de suas diretrizes para a gestão de riscos e desastres no Brasil. A contribuição do Observatório se deu a partir da sugestão de estratégias de comunicação de risco e crise para a divulgação e a efetividade das ações do Plano.

Já em 2025, durante o XIX Congresso Abrapcorp “Comunicação na/para a Sociedade de Risco”, pesquisadores do Observatório atuaram em diversos espaços a fim de colaborar nas reflexões e propor alternativas e orientações para a construção de uma cultura de prevenção de crises e de gestão de riscos e de crises. As participações ocorreram em colóquio de ensino, pesquisa e extensão; mesa sobre práticas profissionais; painel-debate de grupos de pesquisa sobre as perspectivas na área; e sessões temáticas, totalizando onze apresentações no congresso.

 

O portal do OBCC  

 

Além de página no Linkedin com conteúdos extras, o portal do Observatório é o principal ponto de contato com o público. É a partir dele que são divulgados lançamentos e relatórios, disponibilizados materiais para consulta e compartilhados artigos de opinião e notícias relevantes para a área. Nos últimos 3 anos, tivemos 73 mil visualizações de páginas, período em que 68,3 mil sessões foram iniciadas e 48,1 mil visitantes únicos acessaram o portal. Confira as seções, os casos, as notícias e os artigos mais acessados e os países de origem de mais acessos nesse período:

 

Seções mais acessadas

  1. Casos de crise
  2. Artigos
  3. Notícias
 

Casos de crise mais lidos

  1. Trabalhadores em situação análoga à escravidão nas vinícolas Aurora, Garibaldi e Salton
  2. Ataque à Democracia brasileira: a invasão aos Três Poderes em 8 de janeiro de 2023
  3. Fraude contábil gera rombo bilionário e deflagra crise na Americanas
 

Artigos mais lidos

  1. 40 anos depois, maior crime industrial da história continua impune
  2. Caso de racismo contra bolsista em escola de elite de SP expõe falhas no combate à violência no ambiente escolar
  3. Braskem: omissão leva a desastre ambiental e humanitário
 

Notícias mais acessadas

  1. Vale em Brumadinho: 5 anos da maior tragédia ambiental e humanitária do Brasil
  2. Retrospectiva: as 10 crises que marcaram o ano de 2024 no Brasil
  3. Retrospectiva: 10 crises que marcaram o ano de 2023 no Brasil
 

Países que mais acessaram o portal

  1. Brasil
  2. Portugal
  3. Estados Unidos

 

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OBCC-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/projetos/institucional/observatorio-crise/2026/01/16/global-risks-report-2026-alerta-para-fragmentacao-estrutural-e-colapso-da-cooperacao-global Fri, 16 Jan 2026 12:55:32 +0000 http://www.55bet-pro.com/projetos/institucional/observatorio-crise/?p=570

O Global Risks Report 2026, divulgado pelo Fórum Econômico Mundial (WEF) nesta semana, alerta que o planeta entra em uma “era de competição” marcada pela erosão do multilateralismo, tensões geoeconômicas e crescente desconfiança entre governos, empresas e cidadãos. A pesquisa, que reúne mais de 1.300 especialistas e 11.000 líderes empresariais de 116 países, indica que 57% dos entrevistados projetam um cenário “turbulento ou tempestuoso” para os próximos dez anos.

O documento identifica o confronto geoeconômico como o risco mais crítico até 2028, refletindo a intensificação de políticas protecionistas, sanções e disputas por influência tecnológica. Essa multipolaridade sem multilateralismo está desafiando a ordem internacional e minando as bases da cooperação global. A desinformação e a polarização social completam o topo dos riscos de curto prazo, seguidas por eventos climáticos extremos e ciberinsegurança.

Em uma perspectiva de dez anos, o centro de gravidade das ameaças desloca-se para o meio ambiente: eventos climáticos extremos, perda de biodiversidade e mudanças críticas nos sistemas da Terra são apontados como os maiores riscos globais. Paralelamente, a inteligência artificial desponta como um risco emergente de rápida ascensão, com potenciais impactos sobre empregos, segurança informacional e desigualdade digital.

O relatório também alerta para uma crise de confiança global. A desigualdade é destacada por interligar riscos econômicos, tecnológicos e sociais, gerando um ponto de fratura que ameaça a coesão social e alimenta a propagação de desinformação e extremismos digitais.

Do ponto de vista da comunicação de risco e crise, o WEF chama atenção para o papel decisivo da informação confiável. A desinformação e a manipulação informacional, segundo o relatório, estão se tornando riscos estruturais, capazes de amplificar crises econômicas, políticas e ambientais. O documento observa que a comunicação pública ineficaz pode acelerar o colapso da confiança institucional, tornando governos e empresas mais vulneráveis a pânicos, boatos e narrativas polarizadoras.

Os alertas impõem novas estratégias de transparência, coordenação e verificação de dados, especialmente em situações de crise climática, tecnológica ou social. O Relatório recomenda fortalecer a educação midiática, desenvolver protocolos de resposta comunicacional integrados e promover cooperação entre atores públicos, privados e da sociedade civil para conter a escalada de desinformação e restaurar a credibilidade nas mensagens oficiais.

Também entre as recomendações, o Global Risks Report 2026 propõe fortalecer a cooperação regional e global, investir em infraestrutura resiliente, desenvolver uma governança ética da Inteligência Artificial e aprimorar a educação midiática. Também defende o reequilíbrio entre crescimento econômico e inclusão social, ressaltando que reconstruir a confiança é essencial para evitar uma década de fragmentação e instabilidade estrutural.

relatório completo está disponível no site oficial do Fórum Econômico Mundial.

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OBCC-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/projetos/institucional/observatorio-crise/2026/01/12/protocolo-meteorologico-da-ufrgs-norteia-gestao-de-alertas-para-eventos-climaticos Mon, 12 Jan 2026 13:40:21 +0000 http://www.55bet-pro.com/projetos/institucional/observatorio-crise/?p=568 Informativos sobre as decisões serão divulgados no turno anterior ao período de validade do alerta.

Em busca de maior previsibilidade, segurança e transparência diante de eventos meteorológicos – como chuvas intensas, alagamentos, ventos fortes e inundações – e suas possíveis consequências – falta de energia elétrica, problema grave de mobilidade, danos em prédios –, a Universidade Federal do Rio Grande do Sul definiu um protocolo para guiar a realização de atividades nessas situações.

A partir do alerta da Defesa Civil, o Comitê de Assessoramento Técnico para Eventos Climáticos de imediato é acionado para avaliar a previsão quanto a dimensão, localização e horário, classificando o evento em: regular, extremo ou catastrófico, resultando em comunicados em horários programados sobre a manutenção, flexibilização ou suspensão das aulas e das atividades administrativas. Informativos sobre as decisões serão divulgados no turno anterior ao período de validade do alerta: até as 11h, até as 16h e até as 23h, para as atividades da tarde, noturnas e da manhã do dia seguinte, respectivamente.

 

Comitê de Assessoramento Técnico para Eventos Climáticos

De acordo com o assessor estratégico do Gabinete da Reitoria, Marcelo Cortimiglia, a construção do protocolo envolveu docentes, técnicos e discentes do Diretório Central de Estudantes. Participaram especialistas da área de meteorologia e hidrologia do Instituto de Pesquisas Hidráulicas (IPH) e do Instituto de Geociências (Igeo), bem como integrantes da Pró-Reitoria de Planejamento e Controladoria, da Pró-Reitoria de Graduação, da Pró-Reitoria de Pós-Graduação, da Pró-Reitoria de Gestão de Pessoas, da Pró-Reitoria de Assuntos Estudantis, da Superintendência de Infraestrutura e da Secretaria de Comunicação. Cortimiglia detalha que o Comitê de Assessoramento Técnico para Eventos Climáticos da UFRGS (Portaria 3868/2025) é composto por  três docentes do IPH e uma docente do Igeo (Alfonso RissoFernando Mainardi, Fernando Dornelles e Rita Alves), um técnico administrativo meteorologista (Gabriel Bonow Munchow) e meteorologistas e pesquisadores de doutorado e pós-doutorado do Centro Estadual de Pesquisas em Sensoriamento Remoto e Meteorologia (CEPSRM) da UFRGS (Portaria 3903/2025).

 

Critérios para tomada de decisões

“Desenvolvemos uma ferramenta ágil, que contempla inúmeros fatores para análise e tomada de decisão sobre a realização de aulas e atividades administrativas presenciais quando ocorrerem eventos climáticos. Os critérios a serem considerados para a tomada de decisão são: operação do transporte público, condições de acesso, infraestrutura, energia elétrica, internet e abastecimento de água nos campi da UFRGS, considerando a especificidade do campus, onde cada item é rapidamente avaliado e recebe um valor para que resulte em uma recomendação concreta, como manutenção, flexibilização ou suspensão das atividades”, resume Cortimiglia. Ele explica que, em razão do tamanho da UFRGS e da descentralização dos prédios, foi criada uma rede interna que será acionada a qualquer tempo para coletar as informações necessárias para o protocolo.

 

Entenda o fluxo do protocolo

Ainda que cada unidade da instituição tenha autonomia para decidir como proceder, o Comitê de Assessoramento avaliará o alerta da Defesa Civil quanto à localização geográfica do evento meteorológico previsto. Se houver previsão de um evento meteorológico catastrófico atingir um dos campi da UFRGS, será emitida uma determinação de suspensão de atividades presenciais. Caso ocorra entendimento de evento meteorológico regular, ou seja, chuva rotineira, por exemplo, haverá indicativo de manutenção de atividades normais. Para evento meteorológico extremo, pode ocorrer flexibilização, com uma diretriz de que não haja penalização de estudantes e servidores que não puderem comparecer na UFRGS. No entanto, considerando a estrutura da Universidade, não está descartada a segmentação geográfica. Por exemplo, suspensão de atividades no 55BET Pro Centro, manutenção no 55BET Pro Vale e flexibilização no 55BET Pro Litoral Norte. A determinação de manutenção, flexibilização ou suspensão de atividades pode ser alterada nos turnos subsequentes a partir da avaliação dos danos causados na Universidade.

 

O que significa manutenção, flexibilização e suspensão

Manutenção:  Todas as  atividades presenciais serão mantidas.

Flexibilização: Atividades acadêmicas e administrativas presenciais mantidas, com a diretriz que estudantes e servidores não sejam prejudicados na impossibilidade de comparecimento presencial. Confira a diretriz para discentes de graduaçãodiscentes de pós-graduação, docentestécnicos e terceirizados.

Suspensão: Não haverá atividades acadêmicas e administrativas presenciais (com reposição obrigatória).

 

Assista à matéria da UFRGS TV sobre o protocolo meteorológico para eventos climáticos

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Fonte: UFRGS

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