Conexus Bioma Pampa-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/projetos/pesquisa/conexus-biomapampa PROGRAMA CONEXUS - SISTEMAS BIODIVERSOS PARA INCLUSÃO SOCIAL E QUALIDADE AMBIENTAL NO BIOMA PAMPA: CONEXÕES ENTRE A ABORDAGEM NEXUS E O PROGRAMA QUINTAIS SUSTENTÁVEIS Tue, 05 Oct 2021 17:49:15 +0000 pt-BR hourly 1 http://wordpress.org/?v=6.9 /app/themes/ufsm/images/icons/favicon.ico Conexus Bioma Pampa-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/projetos/pesquisa/conexus-biomapampa 32 32 Conexus Bioma Pampa-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/projetos/pesquisa/conexus-biomapampa/2021/10/05/programa-conexus-entrega-a-cartilha-agua-alimento-e-energia-para-as-familias-assistidas Tue, 05 Oct 2021 17:30:38 +0000 http://www.55bet-pro.com/projetos/pesquisa/conexus-biomapampa/?p=586

          O Programa Conexus Bioma Pampa realizou, de agosto a setembro, a entrega da Cartilha “Água-Alimento-Energia: Práticas testadas pelo Programa Conexus Bioma Pampa”. A publicação tem como finalidade a popularização do conhecimento e o fortalecimento das seguranças hídrica, alimentar e energética junto as famílias assentadas da reforma agrária assistidas pelo Conexus.
          Na mesma ocasião, também foi entregue o resultado dos laudos de análise química do solo dos quintais agroflorestais, para avaliar a qualidade do solo e o manejo realizado. As famílias adoraram os materiais e foi um importante momento de socialização das práticas coletivas realizadas e de compartilhar os resultados obtidos até o momento.
          O Programa Conexus Bioma Pampa é desenvolvido pelo Núcleo de Estudos em Agricultura Familiar (NESAF) e o Núcleo de Estudos e Pesquisas em Recuperação de Áreas Degradadas (NEPRADE) da UFSM, com apoio financeiro do CNPq.

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A edição de número 112 da revista Página 22, especializada em temas ambientais, foi toda dedicada à restauração ecológica, ressaltando os grupos e iniciativas que desenvolvem a prática restauradora nos biomas brasileiros. Pelo bioma Pampa, a entrevistada foi a professora Ana Paula Rovedder, que desenvolve restauração ecológica nos biomas Pampa e Mata Atlântica no RS e há 10 anos é coordenadora do NEPRADE.
A Página 22 é pioneira no Brasil e referência no mercado editorial sobre temas da sustentabilidade. A edição especial de restauração ecológica teve o apoio da WWF.
Você pode baixar o documento desta edição clicando aqui.

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A doutoranda da UFSM Jéssica Puhl Croda participou da reportagem da revista National Geographic intitulada “These farmers show that agriculture in the Amazon doesn’t have to be destructive”. A reportagem conta a história do Projeto Reca (Reflorestamento Econômico Consorciado e Adensado), instituição na qual a pesquisadora desenvolveu sua pesquisa de mestrado pelo Programa de Pós-Graduação em Engenharia Agrícola da UFSM, sob orientação da professora Ana Paula Rovedder. Jéssica avaliou indicadores ecológicos, sociais e econômicos dos sistemas agroflorestais praticados no Reca, na Amazônia brasileira.

“O Reca é uma cooperativa inovadora, exemplo de como cultivar de forma sustentável, protegendo a biodiversidade e mantendo a floresta em pé, ainda mais em um importante momento em que a Amazônia vem sendo devastada a um ritmo alarmante”, ressalta Jéssica, que continua seus estudos com agroflorestas em sua tese de doutorado pelo PPG em Engenharia Florestal da UFSM. Dessa vez, a pesquisadora avalia quintais agroflorestais em assentamentos da reforma agrária pelo Programa Conexus Bioma Pampa, desenvolvido em parceria entre o Núcleo de Estudos em Agricultura Familiar (Nesaf) e o Núcleo de Estudos em Recuperação em Áreas Degradadas (Neprade), com apoio científico do CNPq.

A reportagem completa da National Geographic está disponível no site.

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Na próxima quinta-feira (24) a professora Ana Paula, coordenadora substituta do Programa Conexus Bioma Pampa, irá ministrar uma palestra na Semana do Meio Ambiente organizada pelo programa Mulheres nas Engenharias em parceria com o grupo Bio&Energia, da Universidade Federal do Pampa – 55BET Pro Alegrete. Será uma conversa sobre a Restauração Ecológica de Ecossistemas, assunto relacionado ao tema do evento, que dá enfoque para a restauração de ecossistemas na região da Campanha.  

 

Para além dessa temática, o encontro tem a proposta de dar visibilidade feminina, como forma de incentivo às meninas e jovens mulheres para trilharem os caminhos da ciência.

A palestra inicia às 9h, acompanhe aqui, pelo Facebook da Bio&Energia UniPampa.

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Água, Alimento e Energia: Práticas testadas pelo Programa Conexus Bioma Pampa” é a recente publicação do Programa Conexus Bioma Pampa. Fruto da experiência junto aos assentamentos da reforma agrária no bioma Pampa, a obra foi idealizada para popularizar informações técnicas de manejo dos quintais agroflorestais a partir da abordagem Nexus da FAO, que objetiva o fortalecimento das seguranças hídrica, alimentar e energética.
Publicada pela Editora CRV, a obra é toda ilustrada com imagens das ações do Programa Conexus e apresenta práticas aplicadas durante suas atividades nos assentamentos. As informações foram construídas coletivamente entre a equipe técnica, as famílias agricultoras e os profissionais das instituições parceiras, onde se destaca a participação da Emater.
O Programa Conexus Bioma Pampa é desenvolvido pelo Núcleo de Estudos em Agricultura Familiar (NESAF) e o Núcleo de Estudos e Pesquisas em Recuperação de Áreas Degradadas (NEPRADE) da UFSM, com apoio financeiro do CNPq.

O acesso à obra é gratuito clicando aqui

Também pode ser visualizado via aplicativo da Editora CRV.

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A integrante do NEPRADE Gabriele Faverzani fez um vídeo para contar sobre os aprendizados que teve no decorrer do projeto “Valorizar a biodiversidade é valorizar a humanidade: tecnologias sociais para valorização da biodiversidade e do componente humano do corredor ecológico da Quarta Colônia”, desenvolvido com o apoio do CNPq.

Ela é acadêmica do curso de engenharia florestal da UFSM, e vem analisando os sistemas agroflorestais biodiversos sob v´ários aspectos no contexto das famílias agricultoras da Quarta Colônia de Imigração Italiana, região inserida  somando os aprendizados que o em um corredor ecológico de Mata Atlântica. No vídeo, a Gabriele sintetiza muitas percepções também compartilhadas pela equipe do Programa CONEXUS no Bioma Pampa.

Assista 
aqui.

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Nesta data foi efetivada a Rede Sul de Restauração Ecológica, iniciativa da sociedade civil que reúne profissionais vinculados às temáticas da conservação e restauração de ecossistemas no Sul do Brasil.

Na esteira do que acontece em outros estados e biomas brasileiros, onde Redes de restauração já são uma realidade, a iniciativa tem por missão “reunir esforços em prol da restauração e integrá-los entre os atores da restauração ecológica no sul do Brasil; comunicar à sociedade em geral a importância de conservar remanescentes de vegetação natural e de recuperar áreas degradadas; divulgar e incentivar estudos associados a diferentes setores da restauração ecológica no sul do Brasil.”  

O RS é o único estado da federação onde ocorre o bioma Pampa e ainda possui áreas expressivas do bioma Mata Atlântica. É preocupante o contexto de contínuas perdas de áreas devido à conversão de remanescentes, associado ao atraso na instituição de políticas ambientais em prol da restauração ecológica de ecossistemas degradados. 

Participam da idealização da REDE profissionais ligados a universidades públicas, analistas ambientais, professores, estudantes de pós-graduação, extensionistas, organizações não governamentais, setor empresarial e profissionais liberais. Novos atores podem se integrar à REDE, como por exemplo, produtores rurais e representantes de diferentes organizações sociais. 

Na Década da Restauração de Ecossistemas (instituída pela ONU), e no Dia da Terra, a sociedade gaúcha recebe a REDE SUL DE RESTAURAÇÃO ECOLÓGICA!

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Neste episódio do podcast da revista Arco, a professora Ana Paula Rovedder, coordenadora substituta do Programa Conexus e Jerônimo Siqueira Tybusch, pró-reitor de Graduação da UFSM, discutem sobre como a negligência em relação à legislação ambiental contribui cada vez mais para a degradação dos principais biomas brasileiros, Pantanal, Amazônia, Mata Atlântica e Cerrado. Também são discutidos quais os papéis do governo federal para reverter esta situação. 

Ouça agora o episódio, clicando aqui.

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A doutoranda Jéssica Croda foi entrevistada para a página “Bolsista em Destaque” da CAPES, apresentando seu trabalho de tese desenvolvido no Programa Conexus Bioma Pampa. Jéssica falou sobre os motivos que a levaram a trabalhar com os Sistemas Agroflorestais e os Assentamentos da Reforma Agrária no Pampa, e reforçou o papel desses sistemas na melhoraria da segurança alimentar e promoção da restauração ecológica, onde as próprias famílias são os principais agentes multiplicadores. 

Apaixonada pela agrofloresta e pelo potencial de transformação ambiental, social e econômico que ela proporciona na vida das famílias, a pesquisadora enfatizou ainda que com a pesquisa busca obter um conjunto de indicadores socioeconômicos e ambientais para o monitoramento, a curto e médio prazo, do desempenho dos sistemas agroflorestais na melhoria da qualidade dos serviços ambientais.  

Confira a notícia na íntegra acessando o portal CAPES aqui.

O Programa Conexus Bioma Pampa é desenvolvido pelo Núcleo de Estudos e Pesquisas em Recuperação de Áreas Degradadas (NEPRADE) e Núcleo de Estudos em Agricultura Familiar (NESAF) com apoio financeiro do CNPq.

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O Dia Internacional da Mulher é um dia de luta pelos direitos das mulheres e pela visibilização do seu papel na sociedade. A UFSM, atualmente, conta com 1055 alunas no doutorado, o equivalente a 61%. Nesta semana, trazemos três doutorandas da UFSM que contam um pouco da sua trajetória na ciência e da pesquisa que desenvolvem na Universidade.

Hoje, entrevistamos a pesquisadora Jéssica Croda, engenheira florestal e agrofloresteira, formada pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), campus de Frederico Westphalen, mestra em Engenharia Agrícola pelo Programa de Pós-graduação em Engenharia Agrícola (PPGEA) e doutoranda em Engenharia Florestal pelo Programa de Pós-graduação em Engenharia Florestal (PPGEF), ambos na UFSM.

O que lhe despertou a vontade de ser pesquisadora?

Com certeza, a vontade de transformar a realidade social e ambiental que vivemos, a ânsia de realizar pesquisas que proporcionem de fato uma melhoria na vida das pessoas e no meio ambiente. Pesquisas que possam ser aplicadas e replicadas e, para além disso, pesquisas que possam ser realizadas junto com a comunidade, voltadas para a sociedade e a sua realidade local. Pesquisas que te proporcionem a troca de saberes, onde o pesquisador e a pesquisadora não são apenas um coletor e coletora de dados e informações, mas acima de tudo, são agentes de transformação, que ensinam, mas que aprendem muito também, que respeitam e trabalham em conjunto com a comunidade, que a sua maior recompensa é chegar de um dia de trabalho a campo, cansada, mas feliz porque ao sair da propriedade de cada agricultor e agricultora, um sorriso no rosto foi deixado e o sentimento de dever cumprido prevalece. 

Sou apaixonada pela floresta e seus povos, por isso dediquei e dedico a minha trajetória de estudos em trabalhos voltados para a Agroecologia e a Extensão Rural, com destaque para os Sistemas Agroflorestais – caracterizados como um sistema de produção que respeita a biodiversidade local e valoriza a agricultura familiar e seus saberes tradicionais – temática que trabalhei desde a graduação até a atual pesquisa de doutoramento. 

Sempre busquei expandir meus conhecimentos e conhecer novas realidades e experiências. Durante a graduação, fiz Mobilidade Acadêmica Nacional para a Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ) e o estágio obrigatório de conclusão de curso na Embrapa Agrobiologia em Seropédica-RJ, onde tive a oportunidade de trabalhar no projeto de Sistematização participativa de experiências e intercâmbio de conhecimentos em sistemas agroflorestais voltados à agricultura familiar em regiões da Mata Atlântica no sul e sudeste do Brasil (SEISAF). Fui bolsista do Programa de Educação Tutorial – PET Engenharia Florestal na UFSM – envolvendo atividades de ensino, pesquisa e extensão. Boa parte da minha formação profissional e pessoal, eu dedico à minha inserção no movimento estudantil, principalmente como representante estudantil no Diretório Acadêmico (DA) da Engenharia Florestal e como membra da Associação Brasileira de Estudantes de Engenharia Florestal (ABEEF), que me proporcionou o entendimento do nosso papel perante a sociedade e o envolvimento em pesquisas voltadas para melhoria da realidade local.

Fiz Residência Agroflorestal na Universidade Federal de Rondônia (UNIR), campus Rolim de Moura-RO, trabalhando com a agricultura familiar e os sistemas agroflorestais da Amazônia brasileira, onde concomitante realizei a minha pesquisa de mestrado na Instituição denominada de Projeto Reflorestamento Econômico Consorciado e Adensado (RECA). Atualmente, trabalho com os quintais agroflorestais nos Assentamentos da Reforma Agrária no bioma Pampa. 

Faz parte de algum grupo de pesquisa ou recebe bolsa? Se sim, qual(quais)?

Sim, faço parte do Núcleo de Estudos e Pesquisas em Recuperação de Áreas Degradadas (Neprade/UFSM), criado em 2011, vinculado ao Departamento de Ciências Florestais da Universidade Federal de Santa Maria e integra o Diretório de Grupos de Pesquisa do CNPq. O grupo tem por objetivo promover a pesquisa em restauração ecológica e recuperação de áreas degradadas em suas diversas dimensões, com foco nos diferentes ecossistemas do Rio Grande do Sul. Congrega profissionais e acadêmicos de diversas áreas ligadas à pesquisa em restauração/recuperação ambiental, tais como restauração ecológica de ecossistemas naturais, bioindicadores de qualidade ambiental, efeitos da fragmentação florestal, invasão biológica, usos múltiplos de espécies nativas e sistemas agroflorestais, sob a coordenação da Profa. Dra. Ana Paula Moreira Rovedder

Sou bolsista Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior), em nível de doutorado. 

Poderia contar sobre sua pesquisa? Por que é relevante realizar este estudo? 

Minha pesquisa de doutorado está sendo realizada nos Sistemas Agroflorestais (SAF) nos Assentamentos da Reforma Agrária no bioma Pampa.

A qual pergunta busca responder? Com qual objetivo?

A pesquisa tem como hipóteses: 

  1. a) Os SAFs melhoram a qualidade dos serviços ambientais (qualidade do solo, recarga hídrica, conservação da biodiversidade, serviços de provisão);  
  2. b) Os SAFs diversificam a produção na pequena propriedade familiar, gerando excedente para comercialização e fortalecimento da segurança alimentar.

O objetivo é avaliar o desempenho dos Sistemas Agroflorestais em promover e fortalecer os serviços ambientais no contexto socioeconômico e ambiental, na pequena produção familiar no Rio Grande do Sul. Como objetivos específicos, a pesquisa busca: Analisar a estrutura e composição de espécies dos diferentes arranjos agroflorestais; Avaliar a eficiência de indicadores ambientais e socioeconômicos em sistemas agroflorestais; Fornecer embasamento técnico científico para o fortalecimento de políticas públicas voltadas à pequena produção familiar.

Com a pesquisa busca-se obter um conjunto de indicadores socioeconômicos e ambientais essenciais para monitorar, a curto e médio prazos, o desempenho de SAFs na melhoria da qualidade dos serviços ambientais.  Além disso, elaborar um protocolo de recomendações de arranjos agroflorestais e indicadores de avaliação, que servirão como suporte técnico científico para políticas públicas de fortalecimento da agricultura familiar. 

A pesquisa faz parte do Programa Conexus – Sistemas Biodiversos para Inclusão Social e Qualidade Ambiental no bioma Pampa: Conexões entre a Abordagem Nexus e o Programa Quintais Sustentáveis, desenvolvido pelo Núcleo de Estudos e Pesquisas em Recuperação de Áreas Degradadas (Neprade) e pelo Núcleo de Estudos em Agricultura Familiar (Nesaf), com apoio financeiro do CNPq. 

Já apresenta resultados?
A pesquisa está na fase de coleta e análise de dados.

Há mais mulheres na sua área de atuação? A presença de mulheres na sua área de pesquisa é expressiva? 

A presença de mulheres na área florestal vem aumentando nos últimos anos. A predominância histórica masculina, principalmente nas Ciências Agrárias, vem sendo superada, apesar de ainda existir muito machismo que precisa ser enfrentado diariamente. As mulheres estão conquistando cada vez mais o seu espaço na pesquisa e na extensão. No Grupo de Pesquisa que faço parte, por exemplo, as mulheres já são a maioria e no trabalho com a agricultura familiar, muitas agricultoras são as gestoras e tomadoras de decisão da propriedade. Frente a isso, também é nosso papel fortalecer e incentivar essas mulheres cada vez mais!  

Você teve professoras ou outras pesquisadoras/extensionistas que te apoiaram e te inspiraram nessa trajetória?

Sim, com certeza, muitas mulheres são meus exemplos e minha motivação diária. Minha orientadora, Profa. Dra. Ana Paula Moreira Rovedder, é uma grande inspiração profissional, trabalhando com a restauração ecológica e os aspectos sociais e o mais importante, sempre apoiou e incentivou a realização da pesquisa de uma forma horizontal, dialógica e construída coletivamente. A Dra. Fabiana Peneireiro, uma grande referência na área da minha pesquisa, possui uma ampla experiência com sistemas agroflorestais, uma das fundadoras da ONG Mutirão Agroflorestal, junto com a Patrícia Vaz e a Denise Amador, que mostraram e continuam mostrando o papel da mulher na Agrofloresta, desde o plantio até o manejo agroflorestal. Essas mulheres comprovaram que a mulher pode e consegue manejar uma roçadeira, um facão, um trator, uma motosserra, um trado, enfim, todas as práticas historicamente masculinizadas, e que nós mulheres possuímos as mesmas habilidades, o que faltava eram referências mulheres e incentivo. Além disso, a Fabiana Peneireiro publicou, em 1999, uma das pesquisas com sistemas agroflorestais mais importantes da época e continua sendo referência até hoje. Com certeza, elas possuíram um papel essencial para que mais mulheres se tornassem pesquisadoras e aplicassem seus conhecimentos na e para a comunidade, encorajando muitas jovens, assim como eu, a seguir com a trajetória de estudos. 

Além dessas professoras e pesquisadoras, uma grande fonte de inspiração e motivação, é, com certeza, cada agricultora que tive a oportunidade de conhecer e trabalhar em conjunto. 

Quais são os maiores desafios enfrentados por mulheres na busca pela igualdade de gênero na ciência?

Acredito que um dos maiores desafios é ser respeitada e ouvida como pesquisadora! Muitas vezes nossas ideias não são ouvidas ou mesmo são levadas a dúvida, simplesmente pelo fato de sermos mulheres. Quantas vezes nossa opinião foi ignorada, mas ouvida quando falada por um homem? Várias vezes, com certeza. Ser mulher na ciência significa ter que se auto afirmar sempre, é ter inúmeras vezes a sua capacidade, seja intelectual ou física, criticada. 

Além disso, um aspecto muito importante que precisa ser destacado, é a sobrecarga de trabalho da mulher, que não se resume apenas ao ambiente de pesquisa, mas à rotina cotidiana. Nenhuma mulher é somente pesquisadora, cientista. Ela também é: filha, mãe, esposa, dona de casa, agricultora, agrofloresteira, extensionista, estudante, professora e ainda PESQUISADORA! O ambiente de trabalho de uma mulher não se resume ao tempo que ela permanece nele, seja na universidade, no laboratório ou mesmo nas atividades a campo. Essa sobrecarga de trabalho, na grande maioria das vezes, ainda recai como responsabilidade da mulher, principalmente as questões relacionadas aos filhos/as e aos cuidados de casa. Mudar esse paradigma é, sem sombra de dúvidas, um grande desafio para que exista, de fato, igualdade de gênero na ciência. 

De que forma você acredita que mais meninas poderiam ser incentivadas a se interessar pela ciência e ambicionar se tornar cientistas?

Com mais mulheres ocupando os espaços de liderança, com mais mulheres conquistando a sua vez e fazendo-se ouvir a sua voz! Com mais mulheres sendo protagonistas de pesquisas e empoderando mais mulheres a fazer o mesmo! Com mais mulheres sendo fortalecidas e valorizadas, ouvidas e respeitadas, sem ter suas falas interrompidas e opiniões ignoradas. Mas, para isso, é necessário e urgente que tenhamos igualdade de gênero em todos os espaços, seja nas coordenações, nas direções, na contratação de professores e professoras, nas diferentes áreas da pesquisa. Diante disso, para além de ter mais referências mulheres, é imprescindível dar visibilidade para as referências que estão escondidas, esquecidas e isoladas. Precisamos trabalhar juntas, mostrando o trabalho que realizamos e ressaltando sempre a importância das mulheres na Ciência. 

As outras doutorandas entrevistadas são Rosane Heck do Programa de Pós-Graduação em Tecnologia de Alimentos e Franciele Oliveira do Programa de Pós-Graduação em História.

Confira também o programa Elas na Ciência no canal do YouTube da TV 55BET Pro que entrevista professoras da UFSM.

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