CAPPA-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/unidades-universitarias/ccne/cappa Centro de Apoio à Pesquisa Paleontológica da Quarta Colônia Thu, 07 Aug 2025 17:23:05 +0000 pt-BR hourly 1 http://wordpress.org/?v=6.9 /app/themes/ufsm/images/icons/favicon.ico CAPPA-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/unidades-universitarias/ccne/cappa 32 32 CAPPA-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/unidades-universitarias/ccne/cappa/2025/08/07/descoberto-o-primeiro-allokotossauro-da-america-do-sul Thu, 07 Aug 2025 17:23:05 +0000 http://www.55bet-pro.com/unidades-universitarias/ccne/cappa/?p=385

Um novo fóssil encontrado no sítio fossilífero Niemeyer, em Agudo (RS), representa o primeiro registro de um grupo de répteis de pescoço alongado na América do Sul.

Fragmento encontrado no sítio Niemeyer

Trata-se dos allokotossauros, animais de dieta variada cujos parentes mais próximos são conhecidos a partir de afloramentos nos Estados Unidos e na Índia.

Reconstrução do animal em vida, por Caetano Soares

Comparações entre a fauna do Triássico do sul do Brasil e da Índia reforçam as semelhanças entre os registros fósseis dessas regiões. Isso se deve, em grande parte, à antiga conexão geográfica entre os continentes durante o início da Era Mesozoica, quando ainda compunham o supercontinente Pangeia. Essa configuração favorecia uma ampla distribuição das espécies, possibilitada por eventos migratórios.

A descoberta também contribui com novas informações sobre os ecossistemas que presenciaram o surgimento dos primeiros dinossauros. Há cerca de 228 milhões de anos, esses animais coexistiam com allokotossauros, rincossauros, os ancestrais dos crocodilos e os primeiros representantes da linhagem dos mamíferos.

O estudo foi conduzido pela mestranda Vitória Zanchett Dalle Laste, sob orientação do Dr. Rodrigo Temp Müller. Também participaram do artigo o doutorando Maurício Silva Garcia e o Dr. Leonardo Kerber, ambos do CAPPA, além dos Drs. Tito Aureliano e Aline Ghilardi, da Universidade Federal do Rio Grande do Norte. O trabalho foi publicado na revista Zoological Journal of the Linnean Society.

Crédito da Paleoarte: Caetano Soares.

Acesse o artigo completo aqui.

 

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CAPPA-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/unidades-universitarias/ccne/cappa/2024/10/15/descoberta-nova-especie-de-tatu-extinto-no-parana Tue, 15 Oct 2024 16:35:14 +0000 http://www.55bet-pro.com/unidades-universitarias/ccne/cappa/?p=381 Os tatus são mamíferos fascinantes, conhecidos por sua armadura natural: uma carapaça dura e articulada que cobre boa parte de seu corpo, funcionando como uma defesa eficaz contra predadores. Eles vivem principalmente nas Américas, com a maior concentração de espécies na América do Sul. No entanto, sua diversidade era muito maior no passado, como demonstram os fósseis encontrados em várias regiões do continente. O Brasil é um dos principais locais de descobertas desses fósseis, incluindo alguns dos registros mais antigos de tatus.
Recentemente, a pesquisadora Tabata Klimeck, da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), junto com seus colegas Martin Ciancio (Museo de La Plata, Argentina), Fernando Sedor (Museu de Ciências Naturais, UFPR) e Leonardo Kerber (CAPPA/UFSM), descreveu uma nova espécie de tatu extinto, chamada Parutaetus oliveirai.

Reconstrução artística de Parutaetus oliveirai, por Márcio L. Castro

Os fósseis dessa nova espécie, compostos por osteodermos (as placas que formam a carapaça), foram encontrados na Formação Guabirotuba, em Curitiba, Paraná. Após uma análise minuciosa, utilizando microtomografia computadorizada, os cientistas identificaram essa nova espécie com base em características únicas desses osteodermos, e descobriram que ela é relacionada aos Euphractinae, um grupo que inclui o tatu-peludo ou tatu-peba, muito comum no Brasil.
Além disso, a equipe observou que esses osteodermos apresentavam um número maior de forames, onde pelos se inseriam. Essa característica indica que a espécie possuía uma cobertura de pelos mais densa em comparação com outras formas próximas. Essa característica se alinha com um período mais frio ocorrido no final do Eoceno. A pesquisa faz parte da dissertação de mestrado de Tabata Klimeck e representa uma importante contribuição para o estudo da evolução e adaptação dos tatus no passado e ajuda a entender a origem da biodiversidade do nosso país.

Osteodermos de Parutaetus oliveirai


Link para o artigo:
http://www.tandfonline.com/doi/full/10.1080/02724634.2024.2403581#abstract

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CAPPA-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/unidades-universitarias/ccne/cappa/2024/08/06/novos-fosseis-ajudam-a-estabelecer-a-idade-de-uma-localidade-fossilifera-enigmatica-do-rs Tue, 06 Aug 2024 16:31:52 +0000 http://www.55bet-pro.com/unidades-universitarias/ccne/cappa/?p=374 Foi publicado no Journal of South American Earth Sciences um artigo de Mariana Doering, Martín D. Ezcurra, Jeung Hee Schiefelbein, Maurício S. Garcia e Rodrigo T. Müller descrevendo fósseis de grupos inéditos para uma das localidades mais enigmáticas do Triássico do Rio Grande do Sul. O estudo é parte da Dissertação de Mestrado da Mariana Doering pelo PPGBA/UFSM.

Ilustração da paleofauna do sítio Niemeyer por Caetano Soares

 

Sítio Niemeyer. Agudo/RS

O sítio Niemeyer, localizado no município de Agudo-RS, é conhecido por conter uma paleofauna diferente de outras localidades típicas do Triássico do Rio Grande do Sul, como aquelas de Santa Maria ou São João do Polêsine. Neste novo trabalho, são apresentados novos fósseis de répteis arcossauromorfos para esta localidade.

Pesquisadora Mariana Doering junto aos fragmentos

Os novos materiais consistem em um fêmur de um dinossauro saurísquio, um úmero de um silessaurídeo e um rincossauro parcial. Os rincossauros são comumente encontrados em rochas triássicas do RS, mas até então estavam completamente ausentes do sítio Niemeyer. Foi possível identificar o espécime como pertencente a 𝘛𝘦𝘺𝘶𝘮𝘣𝘢𝘪𝘵𝘢 𝘴𝘶𝘭𝘤𝘰𝘨𝘯𝘢𝘵𝘩𝘶𝘴, uma das últimas espécies de rincossauros a viver no mundo antes de sua extinção ainda no Período Triássico, cerca de 225 milhões de anos atrás.

Os novos fósseis permitiram, pela primeira vez, estabelecer correlações bioestratigráficas com outros sítios localizados além dos arredores do município de Agudo. Comparações com outras localidades reforçaram a ideia de que o sítio Niemeyer abriga uma paleofauna mais recente do que àquela encontrada em localidades típicas da Zona de Associação de Hyperodapedon, o que indica uma idade próxima ao início do Noriano.

O estudo recebeu apoio do CNPq, CAPES e Agencia Nacional de Promoción Científica y Tecnologica

Ilustração da paleofauna do sítio Niemeyer por Caetano Soares; fotografias por Rodrigo Temp Müller.

Link do estudo

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Hyperodapedon sanjuanensis, por Johnny Pauly “Mingau” Vieira

Foi publicado, no periódico Palaeoworld, um artigo de Jeung Hee Schiefelbein, Maurício S. Garcia, Sérgio F. Cabreira, Lúcio R. da Silva e Rodrigo Temp Müller que apresenta um novo crânio de rincossauro. O artigo é intitulado Craniomandibular osteology and the first record of theocular skeleton in a South American rhynchosaur (Archosauromorpha, Hyperodapedontinae).

 Os rincossauros foram répteis herbívoros abundantes e que viveram exclusivamente durante o Período Triássico da Era Mesozoica. Diversas espécies são conhecidas no mundo todo e este número no Brasil chega a cinco. São caracterizados por um bico na região do rostro e uma boca dotada de diversas fileiras de dentes pequenos. São encontrados em vários municípios da região central do RS. O novo exemplar, composto por um crânio parcial com as mandíbulas em oclusão, foi encontrado em Restinga Sêca no sítio fossilífero Pivetta. 

Crânio Hyperodapedon sanjuanensis. Foto: Maurício Garcia

As camadas rochosas que preservaram o novo exemplar têm cerca de 230 milhões de anos (Período Triássico). Com base em uma análise minuciosa das feições preservadas no fóssil, foi possível identificar sua espécie como sendo 𝘏𝘺𝘱𝘦𝘳𝘰𝘥𝘢𝘱𝘦𝘥𝘰𝘯 𝘴𝘢𝘯𝘫𝘶𝘢𝘯𝘦𝘯𝘴𝘪𝘴, que ocorre tanto no Brasil como na Argentina. Esta é a primeira vez que um indivíduo desta espécie, dentre os que foram encontrados no Brasil, é descrito em detalhes, apesar de já haver muitos registros. 

Algo interessante deste indivíduo em específico foi a preservação de pequenos ossículos que compunham o chamado anel esclerótico. Esta estrutura forma um anel ósseo que fica posicionado na órbita e que tem função de auxiliar na visão, movimento e foco do olho. Hoje em dia o anel esclerótico pode ser encontrado no esqueleto de aves e répteis. Este é o primeiro registro de anel esclerótico para um rincossauro da América do Sul e o anel esclerótico mais bem preservado do mundo, dentre os rincossauros. 

 

 

Pesquisadora Jeung Hee Schiefelbein segurando o crânio de Hyperodapedon sanjuanensis. Foto por Mauricio Garcia

O estudo recebeu apoio do CNPq e CAPES. 

Fotos e imagens por Maurício Garcia (@mauriciog96) e Janaína Brand Dillmann (@proxj). Ilustração do rincossauro em vida por Johnny Pauly “Mingau” Vieira (@_themingau). 

Link do estudo:  http://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S1871174X24000751 

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Resgate de fóssil em São João do Polêsine. Foto por Janaína Dillmann

Com prospecção realizada após as fortes chuvas do mês de maio no RS, que aceleraram os processos erosivos nos sítios fossilíferos, equipe liderada pelo paleontólogo do CAPPA/UFSM, Rodrigo Temp Müller, identificou um fóssil parcialmente exposto em um sítio fossilífero localizado no município de São João do Polêsine. Os fósseis desse sítio têm aproximadamente 233 milhões de anos e pertencem ao Período Triássico.Depois de cerca de 4 dias de escavações, o grupo de pesquisadores conseguiu transportar até o CAPPA/UFSM um bloco de rocha contendo o exemplar.

Em laboratório, após dezenas de horas de preparação, foi possível constatar que se tratava de um dinossauro quase completo.

Trabalho de preparação em laboratório. Foto: Rodrigo T. Müller

As características de alguns ossos fossilizados revelam que o material pertence a um dinossauro carnívoro do grupo chamado de Herrerasauridae (conhecidos no Brasil e Argentina).
Pelo que se pode observar, o espécime representa o segundo herrerassaurídeo mais completo do mundo já descoberto. O tamanho dos ossos revela que ele teria alcançado cerca de 2,5 metros de comprimento.

Após a finalização do trabalho de laboratório, serão realizadas investigações para que se descubra se o fóssil pertence a uma espécie já conhecida ou se ele representa um novo dinossauro.

Essas etapas ainda devem levar alguns meses, uma vez que o trabalho de preparação deve ser minucioso para que o fóssil não seja danificado.

 

Elementos fósseis de dinossauro de São João do Polêsine. Foto: Rodrigo T. Müller

Como as chuvas facilitam a descoberta de novos fósseis?

O processo natural de intemperismo é responsável por revelar novos fósseis todos os anos na região central do Rio Grande do Sul. Porém, o excesso de chuvas acelerou os processos erosivos nos sítios fossilíferos, fazendo com que novos fósseis surgissem em meio às rochas.
O mesmo processo de erosão que revela os novos fósseis, também acaba por destruí-los caso não venham a ser resgatados a tempo. Conforme os exemplares tornam-se expostos, também ficam à mercê das intempéries. Os fósseis de menor tamanho são os mais prejudicados, muitas vezes podendo ser revelados e destruídos durante um único episódio de chuvas.

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Ilustração dos dinossauros em vida por Márcio L. Castro e Matheus Fernandes Gadelha.

Foi publicado, no periódico Journal of Systematic Palaeontology, um artigo dos membros do CAPPA/UFSM André O. Fonseca, Maurício S. Garcia, Rodrigo T. Müller em parcerias com colaboradores do Canadá e Austrália revisando a evolução dos dinossauros ornitísquios.

Os ornitísquios são um grupo diverso de dinossauros contendo formas carismáticas como o Triceratops, Stegosaurus e Iguanodon. Esse grupo é muito raro no Brasil, com a primeira espécie inequívoca do grupo sendo batizada esse ano. Contudo, de acordo com algumas pesquisas recentes, os silessaurídeos –um grupo tradicionalmente tratado como precursores dos dinossauros– poderiam ser os primeiros dinossauros ornitísquios ao invés de um grupo posicionado fora da árvore evolutiva dos dinossauros.

O novo estudo fornece apoio para essa hipótese através de análises empregando a maior matriz de dados de dinossauros ornitísquios já construída. Além de uma série de outras implicações evolutivas para os dinossauros, o resultado ajuda a preencher a lacuna no registro fóssil de ornitísquios triássicos. Ainda, ao reconhecer os silessaurídeos como ornitísquios, o número de espécies deste grupo para o Triássico passa de zero para mais de dez.

O estudo recebeu apoio do CNPq e CAPES.

Link do estudo: http://doi.org/10.1080/14772019.2024.2346577

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Parvosuchus aurelioi. Ilustração: Matheus F. Gadelha

descrevendo uma nova espécie de réptil fóssil oriundo do município de Paraíso do Sul. A descoberta revela o primeiro registro brasileiro de um grupo chamado de Gracilisuchidae, o qual era conhecido apenas na Argentina e China. 

O fóssil recebeu o nome de Parvosuchus aurelioi, onde o primeiro nome significa “crocodilo pequeno”, já que o fóssil pertenceu a um animal que teria atingido apenas 1 metro de comprimento, enquanto que “aurelioi” presta homenagem ao senhor Pedro Lucas Porcela Aurélio, pela sua paixão pela paleontologia e prospecção, a qual levou a descoberta do fóssil em questão. A localidade fossilífera de Paraíso do Sul que produziu os fósseis é composta por rochas com aproximadamente 237 milhões de anos, uma idade que representa a transição entre o Triássico Médio e o Triássico Superior.

Crânio de Parvosuchus aurelioi durante preparação. Foto: Janaína B. Dillmann

 

Com base na forma dos dentes, é possível determinar que o Parvosuchus aurelioi se alimentava de outros animais. Além disso, a constituição leve do esqueleto revela que ele foi um animal veloz. Porém, com apenas 1 metro de comprimento, o Parvosuchus aurelioi não foi capaz de caçar os grandes herbívoros que existiram 237 milhões de anos atrás no Rio Grande do Sul. Essas grandes presas faziam parte da dieta de outros predadores muito maiores, como o Prestosuchus chiniquensis, que chegava a atingir até 7 metros de comprimento. Essa descoberta é particularmente interessante porque até o momento não havia fósseis tão pequenos de membros da linhagem que deu origem aos crocodilos em camadas com essa idade no Brasil.

O estudo recebeu apoio do CNPq.
Para saber mais sobre a pesquisa, acesse o link do artigo publicado no periódico
científico aqui.

Paleontólogo Rodrigo T. Müller segurando fóssil de Parvosuchus aurelioi. Foto: Janaína B. Dillmann
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Reconstrução artística de Prestosuchus chiniquensis, em arte de Márcio L. Castro

Foi publicado na última semana, no periódico científico The Anatomical Record (dos EUA), um estudo apresentando detalhes do esqueleto de um predador de cerca de 240 milhões de anos. A equipe liderada pela paleontóloga Bianca Mastrantonio, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs), descreveu o esqueleto mais completo de Prestosuchus chiniquensis já encontrado até o momento. Coletado em rochas do município de Dona Francisca, o fóssil foi estudado por uma equipe de pesquisadores de quatro instituições e dois países. O estudo contou com a colaboração de paleontólogos do Centro de Apoio à Pesquisa Paleontológica (Cappa) da UFSM.

Prestosuchus é um animal icônico”, pontua Bianca. “Foi o maior predador que já habitou nosso estado, e na época em que viveu estava entre os maiores predadores do mundo.”

Acima, foto do bloco original. Abaixo, desenho esquemático dos ossos preservados. Os elementos do crânio foram marcados em cinza e os ossos pós-cranianos, em branco (arte gráfica: Téo Veiga de Oliveira)

A espécie foi descoberta há quase um século, em uma expedição empreendida pela Universidade de Tubinga (da Alemanha) no ano de 1928, na região de Chiniquá, no município de São Pedro do Sul. Contudo, era conhecida principalmente por esqueletos incompletos e fragmentados. “Isso sempre foi um problema”, explica o professor Cesar Schultz, da Ufrgs, coautor do estudo. “Para que possamos atribuir vários fósseis a uma mesma espécie, precisamos que eles preservem os mesmos ossos. E no caso de Prestosuchus, muitos dos fósseis conhecidos eram de diferentes partes do esqueleto, sem sobreposição de elementos”.

“Essa é a beleza deste esqueleto”, comemora a paleontóloga argentina Julia Desojo, da Universidade Nacional de La Plata, que também participou do estudo. “Temos quase todos os ossos do crânio preservados, e a maior parte do esqueleto pós-craniano. Esse nosso espécime será um dos principais materiais de referência para a espécie.”

“Essa é uma das conclusões do estudo” explica o pesquisador Marcel Lacerda, do Museu Nacional. “Por sua completude, o novo material agora permite comparar espécimes fragmentários, e confirmar que a maior parte deles, coletados no último século, são todos da mesma espécie.”

Prestosuchus foi um animal quadrúpede e carnívoro. “Evolutivamente falando, ele está na raiz de uma linhagem chamada Loricata, que viria a dar origem aos atuais jacarés e crocodilos”, avalia a paleontóloga Letícia Rezende de Oliveira, do Cappa/UFSM.

Parte da equipe de autores do estudo, durante trabalho desenvolvido com o espécime, em 2023. Da esq. para a dir.: Flávio Pretto e Letícia Rezende, ambos do Cappa/UFSM, e Bianca Mastrantonio, da Ufrgs, que liderou a equipe. Na foto, a pesquisadora está segurando um dos fêmures (osso da coxa). Por esse osso, que mede quase meio metro de comprimento, pode-se ter uma noção da escala do animal

A equipe ainda levou um fragmento do úmero do animal até o Museu Nacional, vinculado à Universidade Federal do Rio de Janeiro, onde aspectos de sua biologia foram inferidos a partir de análises histológicas. “Analisando os ossos microscopicamente, pudemos identificar que o animal estava crescendo de forma lenta, além de apresentar várias linhas de crescimento, que sugerem que esse animal já fosse um adulto”, aponta o paleontólogo Brodsky Farias, da Ufrgs. “E provavelmente o animal ainda estava em fase de crescimento.”

“Isso não surpreende”, aponta o paleontólogo Flávio Pretto, do Cappa/UFSM. “O indivíduo que estudamos nesse trabalho teria um pouco mais de quatro metros de comprimento. Mas conhecemos outros fósseis do animal que eram pelo menos duas vezes maiores.”

O fóssil descrito pelo grupo de pesquisadores faz parte do acervo tombado da Ufrgs. O público pode encontrar uma réplica dele (uma cópia feita por Flávio Pretto) em São João do Polêsine, na mostra permanente do Cappa. Em seu acervo, o Cappa conta com outro fósseis de Prestosuchus, que estão sendo estudados no momento, com o objetivo de completar o esqueleto da espécie.

A pesquisadora Bianca Mastrantonio ressalta que, mesmo com quase cem anos desde a descoberta dos primeiros fósseis, ainda há segredos a desvendar sobre a biologia de Prestosuchus, e conclui: “Ainda temos trabalho pela frente”.

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Ilustração por Johnny Pauly Vieira

Por muitos anos, o Lagerpeton foi considerado um precursor dos dinossauros. Entretanto, recentes interpretações indicaram que ele foi um precursor dos pterossauros, os “répteis voadores da Era Mesozoica”.

Essa nova visão sobre esse pequeno réptil levantou questões sobre sua biologia e comportamento. Acreditava-se que ele tivesse os membros posicionados diretamente
abaixo do corpo, assim como os dinossauros. Contudo, no novo estudo, análises osteológicas da região de contato entre o fêmur e a cintura pélvica –acetábulo– indicaram que essa interpretação estava equivocada. Na verdade, a investigação indicou que ele teria os membros posteriores posicionados ao lado do corpo, assim como os lagartos.

A diferente postura pode ter sido vantajosa para um hábito de vida arborícola, facilitando a movimentação rente aos troncos de árvores. Análises envolvendo outros precursores dos pterossauros ainda deverão ser conduzidas, mas ao que tudo indica, é provável que essa postura também tivesse sido adotada por outras formas aparentadas.

A nova interpretação reforça a ideia de que os ornitodiros basais –répteis precursores dos dinossauros e pterossauros– foram muito diversos eco- e morfologicamente.

• Para saber mais sobre a pesquisa acesse aqui o artigo publicado no periódico científico.

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Isso não impediu uma equipe de pesquisadores gaúchos de investigar a fundo os hábitos alimentares de um animal extinto há mais de 230 milhões de anos. Usando tecnologias avançadas e a criatividade, especialistas da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) e da Universidade Federal do Pampa (Unipampa) reconstruíram o hábito alimentar da espécie Proterochampsa nodosa, um réptil que viveu no Rio Grande do Sul há cerca de 230 milhões de anos. Descoberto há mais de 40 anosno município de Candelária, esta é a primeira vez que o animal é submetido a análises biomecânicas, em um estudo inédito.

Uma mordida impressionante: cientistas da UFSM recriam o hábito de caça de um predador extinto há mais de 230 milhões de anos
Simulação da mordida de “Proterochampsa nodosa”. À esquerda, distribuição dos esforços na mandíbula do animal. As cores mais claras indicam os locais onde os esforços mecânicos se concentravam, quando o animal desferia sua mordida com força máxima. À direita, reconstrução artística do animal em vida, por Márcio L. Castro

– Os proterocâmpsios são animais curiosos, porque seu crânio lembra muito o dos atuais jacarés e crocodilos, apesar de não terem nenhum tipo de parentesco evolutivo. O interessante, contudo, é que eles adquiriram essa morfologia antes de os primeiros crocodilos aparecerem em nosso planeta ​– explica Daniel Simão de Oliveira, do Programa de Pós-Graduação em Biodiversidade Animal da UFSM, que liderou o estudo. 

Na reconstrução de Márcio L. Castro, uma dupla de Proterochampsa às margens de um rio, há 230 milhões de anos.

Foi essa aparente semelhança que inspirou o estudo publicado no periódico norte-americano The Anatomical RecordNo trabalho, os cientistas reconstruíram a morfologia do crânio e da mandíbula do animal, e identificaram os pontos onde a musculatura se alojava. Isso permitiu que eles estimassem, músculo a músculo, a força com a qual o animal era capaz de morder suas presas.

– Foi um processo longo. O primeiro passo envolveu tomografar os ossos do crânio do animal, e isolar os elementos digitalmente, para criar um modelo virtual do crânio. Foi a partir desse modelo que pudemos então reconstruir a musculatura do animal

A partir dos modelos gerados, os pesquisadores estudaram a mordida do animal utilizando softwares de simulação virtual. Com base em tecnologias empregadas na Engenharia Mecânica, os cientistas puderam, pela primeira vez, analisar como a ação dos músculos impactava o crânio da espécie.

– Foi realizada uma análise biomecânica do crânio, usando técnicas numéricas. Aplicando virtualmente as forças dos músculos sobre os ossos da mandíbula, fomos capazes de estimar os esforços mecânicos experimentados pela estrutura óssea do animal, em diversos cenários de mordida – ” explica o professor Tiago dos Santos, do Departamento de Engenharia Mecânica da UFSM, que participou do estudo. 

Entre as descobertas, os cientistas desvendaram que o animal era capaz de desferir mordidas poderosas, comparáveis a dos aligátores modernos. 

– Esse olhar multidisciplinar é um aspecto interessante do nosso trabalho. Unindo especialistas de diferentes áreas, da Biologia à Engenharia, conseguimos ver o Proterochampsa de uma forma que ninguém havia visto antes. Em uma época em que os dinossauros estavam recém surgindo em nosso planeta, já tínhamos um animal capaz de subjugar suas presas com uma mordida impressionante ” – avalia o paleontólogo Flávio Pretto, do Centro de Apoio à Pesquisa Paleontológica (Cappa) da UFSM. 

Comparando os modelos a animais viventes com morfologias similares, como o aligátor americano e o gavial-da-malásia, os pesquisadores compararam a performance de suas mordidas.

– A evolução por vezes gera animais com morfologias similares. É um fenômeno que conhecemos como Convergência Evolutiva, que frequentemente vemos no registro fóssil. A pergunta por trás disso é: será que por terem a mesma forma, esses animais se comportavam de maneira similar? – Questiona o professor Felipe Pinheiro, do Laboratório de Paleobiologia da Unipampa.

resposta é que, ainda que fossem capazes de gerar forças de mordida poderosas, os proterocâmpsios sobrecarregavam sua mandíbula com esforços mecânicos consideráveis – muito maior que o sofrido por animais viventes – o que aponta que talvez esse não fosse um hábito usual daqueles animais.

– Talvez o Proterochampsa guardasse sua mordida poderosa para ocasiões especiais, de modo a poupar sua estrutura de eventuais lesões. Provavelmente fosse um animal generalista, e caçasse desde presas pequenas, até animais maiores, da mesma forma que fazem os jacarés atuais – conclui Daniel.

Na simulação abaixo, os pesquisadores reconstruíram a distribuição de esforços mecânicos (áreas com cores quentes), e a deformação sofrida pela mandíbula de Proterochampsa nodosa. No estudo, os pesquisadores simularam diferentes tipos de mordida, testando a performance do animal em vários cenários hipotéticos.

– Essa é a beleza e a dor-de-cabeça da Paleontologia. Enquanto os zoólogos podem observar o comportamento dos animais que estudam diretamente na natureza, na Paleontologia, precisamos dar uma volta um pouquinho mais longa, e usar da ciência e da criatividade que temos à disposição para tentar reconstruir o passado remoto da melhor maneira possível. É um desafio definitivamente instigante – afirma Flávio.

 

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