{"id":6681,"date":"2025-05-13T17:10:29","date_gmt":"2025-05-13T20:10:29","guid":{"rendered":"http:\/\/www.55bet-pro.com\/unidades-universitarias\/ct\/?p=6681"},"modified":"2025-06-17T17:42:51","modified_gmt":"2025-06-17T20:42:51","slug":"ctnareconstrucao-na-emergencia-centro-de-tecnologia-virou-fabrica-de-moveis-e-ponto-de-arrecadacao-de-utensilios-domesticos","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.55bet-pro.com\/unidades-universitarias\/ct\/2025\/05\/13\/ctnareconstrucao-na-emergencia-centro-de-tecnologia-virou-fabrica-de-moveis-e-ponto-de-arrecadacao-de-utensilios-domesticos","title":{"rendered":"#CTnaReconstru\u00e7\u00e3o: na emerg\u00eancia, Centro de Tecnologia virou f\u00e1brica de m\u00f3veis e ponto de arrecada\u00e7\u00e3o de utens\u00edlios dom\u00e9sticos"},"content":{"rendered":"\t\t
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Voc\u00ea se lembra do que estava fazendo h\u00e1 um ano atr\u00e1s, quando o Rio Grande do Sul enfrentava a maior cat\u00e1strofe clim\u00e1tica desde 1941? As chuvas come\u00e7aram no dia 27 de abril, ganharam for\u00e7a no dia 29 e assolaram o estado durante todo o m\u00eas de maio, em forma de enchentes e deslizamentos de terra. Segundo dados da Ag\u00eancia Gov, as inunda\u00e7\u00f5es causaram danos em 484 dos 497 munic\u00edpios ga\u00fachos. O Rio Gua\u00edba atingiu a marca de 5,37 metros acima do n\u00edvel normal em Porto Alegre \u2014 61 cent\u00edmetros acima da marca da enchente hist\u00f3rica de 1941. Foram 184 v\u00edtimas fatais, al\u00e9m de 806 feridos e 25 pessoas at\u00e9 hoje desaparecidas.\u00a0<\/span><\/p>

Antes do pico registrado na capital ga\u00facha, Santa Maria foi a cidade com o maior volume de chuva no mundo no dia 1\u00ba de maio, com cerca de 214 mm, de acordo com dados do site meteorol\u00f3gico Ogimet. Na UFSM, esse dado j\u00e1 era sentido na v\u00e9spera: no in\u00edcio da tarde de 30 de abril, diversos locais do campus foram tomados pela \u00e1gua. No mesmo dia, as atividades acad\u00eamicas foram suspensas e s\u00f3 retornaram em 20 de maio, focadas em a\u00e7\u00f5es de acolhimento e sem a aplica\u00e7\u00e3o de provas e trabalhos.<\/span><\/p>

A Subdivis\u00e3o de Comunica\u00e7\u00e3o preparou uma s\u00e9rie de reportagens intitulada <\/span>#CTnaReconstru\u00e7\u00e3o<\/b>, na qual voc\u00ea vai relembrar ou conhecer os projetos, servidores e estudantes que atuaram na linha de frente, seja com iniciativas de apoio imediato \u00e0 popula\u00e7\u00e3o, seja com projetos de recupera\u00e7\u00e3o e preven\u00e7\u00e3o a m\u00e9dio e longo prazo de \u00e1reas atingidas pela trag\u00e9dia clim\u00e1tica no RS. Na segunda reportagem, destacamos dois projetos emergenciais que fizeram a diferen\u00e7a na reconstru\u00e7\u00e3o das casas dos atingidos.\u00a0<\/span><\/p>\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t

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Constru\u00e7\u00e3o de m\u00f3veis<\/h2>\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/section>\n\t\t\t\t
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Foi durante a suspens\u00e3o das atividades que uma ideia veio ao professor Rene Quispe Rodriguez, do Departamento de Engenharia Mec\u00e2nica da UFSM. Percebendo a mobiliza\u00e7\u00e3o de pessoas em diferentes cidades e universidades diante dos estragos causados pelas enchentes, o docente viu o exemplo de uma institui\u00e7\u00e3o que fabricava rodos para auxiliar na limpeza das casas atingidas e pensou que poderia fazer algo semelhante em Santa Maria. Acreditava que, com os recursos dispon\u00edveis, seria poss\u00edvel projetar no computador um modelo de rodo em madeira e contribuir de forma pr\u00e1tica com a recupera\u00e7\u00e3o das \u00e1reas afetadas. A partir dessa ideia, tomou forma o projeto <\/span>M\u00f3veis Solid\u00e1rios<\/b>.<\/span><\/p>

No in\u00edcio, em meio ao caos, o professor relata que foi dif\u00edcil encontrar apoio imediato. \u201cPensei: \u2018N\u00e3o estou sozinho, vou conversar com meus alunos\u2019\u201d,\u00a0 foi ent\u00e3o que Marina Senhor Sattler, Felipe Augusto Alves e Luis Fernando Mealho, estudantes que haviam realizado a disciplina de Mec\u00e2nica dos S\u00f3lidos com o docente, abra\u00e7aram a proposta e come\u00e7aram a mobilizar outros colegas.<\/span><\/p>

O espa\u00e7o utilizado para as atividades foi o Laborat\u00f3rio de Tecnologia Mec\u00e2nica e Aeroespacial (Numae), cedido pelos professores respons\u00e1veis pelo local, que dispunha da estrutura necess\u00e1ria para a produ\u00e7\u00e3o dos rodos e virou ponto de encontro para os volunt\u00e1rios. Embora o laborat\u00f3rio seja voltado principalmente para o trabalho com a\u00e7o, a equipe percebeu que o espa\u00e7o poderia ter outra fun\u00e7\u00e3o tempor\u00e1ria. \u201cA gente quis aproveitar [o espa\u00e7o] para fazer alguma coisa por todo mundo\u201d, conta Marina Sattler.<\/span><\/p>

A ideia era produzir os rodos em madeira, por ser mais f\u00e1cil de manipular do que o a\u00e7o. A dificuldade inicial, no entanto, foi a escassez de materiais. As primeiras tentativas de conseguir doa\u00e7\u00f5es foram insuficientes. O professor Rene relata que chegou a negociar com uma madeireira, que ofereceu pre\u00e7os reduzidos, mas a burocracia para formalizar doa\u00e7\u00f5es ou tramitar a compra tornaria invi\u00e1vel o atendimento \u00e0 necessidade da popula\u00e7\u00e3o no tempo necess\u00e1rio. \u201cA enchente estava acontecendo, as casas estavam sujas, era uma coisa imediata\u201d, explica. Diante da urg\u00eancia, Rene decidiu comprar, com recursos pr\u00f3prios, a madeira necess\u00e1ria para dar in\u00edcio ao trabalho. Assim que o material chegou ao Numae, os alunos se mobilizaram para come\u00e7ar a produ\u00e7\u00e3o. As ferramentas, tamb\u00e9m precisaram ser improvisadas. Furadeiras, parafusadeiras e lixadeiras vieram das casas dos pr\u00f3prios estudantes e professores.\u00a0<\/span><\/p>

No decorrer da produ\u00e7\u00e3o, surgiram novas necessidades. Al\u00e9m das ferramentas de corte e montagem, a equipe percebeu que seria invi\u00e1vel lixar manualmente todos os rodos. A preocupa\u00e7\u00e3o com a seguran\u00e7a tamb\u00e9m foi prioridade. \u201cA gente se preocupou para n\u00e3o mandar um rodo todo \u00e1spero para a pessoa utilizar e acabar se machucando. Ent\u00e3o, lix\u00e1vamos, pass\u00e1vamos verniz \u2014 ficava bonito, mas, principalmente, seguro e mais dur\u00e1vel\u201d, conta Felipe Augusto.<\/span><\/p>

Aos poucos, a experi\u00eancia adquirida na confec\u00e7\u00e3o dos rodos permitiu que o grupo aprimorasse o processo. Os primeiros prot\u00f3tipos eram pesados e dif\u00edceis de manusear. \u201cNo come\u00e7o ele era muito fraco e muito pesado. A pessoa n\u00e3o conseguiria utilizar com facilidade\u201d, recorda Rene. Aplicando conceitos das aulas, os estudantes e professores ajustaram o modelo, e otimizaram a sua estrutura.<\/span><\/p>

As melhorias inclu\u00edram a troca de pregos por parafusos, a redu\u00e7\u00e3o de pe\u00e7as desnecess\u00e1rias e o refor\u00e7o em pontos estrat\u00e9gicos. Tr\u00eas prot\u00f3tipos diferentes foram produzidos at\u00e9 que a equipe chegasse a um modelo resistente, seguro e r\u00e1pido de fabricar. No total, o grupo produziu 25 rodos, que foram distribu\u00eddos para moradores de \u00e1reas atingidas. A mobiliza\u00e7\u00e3o, que come\u00e7ou de forma improvisada, mostrou a import\u00e2ncia da uni\u00e3o e da iniciativa diante de situa\u00e7\u00f5es de emerg\u00eancia.<\/span><\/p>\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t

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